Acre: maioria dos jovens aprova foco profissional dentro do ensino médio

Acre: maioria dos jovens aprova foco profissional dentro do ensino médio

26 de setembro de 2017 0 comentários

Por Jalila Arabi e Karenina Moss

 

O nível de aprovação para substituir matérias tradicionais por profissionalizantes no ensino médio – entre jovens de 13 a 18 anos – passa de 60%. Na região Norte, por exemplo, a aprovação sobe para quase 65%. Os dados são de uma pesquisa feita no ano passado pelo Senai, que ouviu mais de dois mil jovens, em todas as regiões, sobre o novo ensino médio – que deve começar a valer já em 2021.

A estudante do último ano do ensino médio Letícia Félix, de 18 anos, faz parte dos quase 48% de estudantes que já fizeram ou pretendem fazer curso técnico ou profissional. Apesar de sonhar com alguma faculdade na área da saúde, como fisioterapia ou enfermagem, ela não descarta a possibilidade de fazer um curso técnico. “Eu já pensei, sim, em fazer curso técnico. Minha mãe também fez para enfermagem, muitas vezes eu já pensei em fazer”, contou Letícia.
Dos estudantes ouvidos na pesquisa, 51% pretendem fazer um curso técnico. Em 2015, o Brasil era o quarto país no ranking de dificuldade em preencher vagas de trabalho nesse setor. Era também o país com mais dificuldade em encontrar profissionais qualificados. Pela proposta do novo Ensino Médio, os alunos já sairiam do segundo grau com uma formação profissional. O deputado Angelim, do PT acreano, acredita que o ensino profissional e técnico deve ser um dos pontos da reforma, mas com foco na educação como um todo.

“Nós temos que ter uma formação técnica consistente? Sim. É importante? Importantíssimo. Mas não em detrimento de fragilizar o ensino médio. Nós podemos fortalecer com qualidade a educação, o ensino médio, com uma formação humanista, técnica, preparando o aluno para o Enem, mas também para os embates da vida, como também ter um ensino técnico e profissionalizante de qualidade.”
Geane Reis de Farias, especialista em educação profissional do Senai – Acre, é categórica ao fato de que a reforma traz oportunidades de fortalecer o setor industrial na região Norte, onde existe demanda e falta mão de obra. “Temos um ensino superior com poucas oportunidades, vagas limitadas e um futuro incerto. Com a ampliação de vagas no ensino técnico nos próximos anos, haverá mais chances de crescimento, além de emprego e renda garantidos, não só ao Acre, mas em todo o Brasil.”

 

O que mudou com a reforma do ensino médio

A reforma do ensino médio, aprovada em fevereiro no Senado, tem como referência o texto da Base Nacional Comum Curricular. As escolas de todo o país têm um prazo de cinco anos para implantar as mudanças exigidas. Com a reforma, o ensino médio terá maior flexibilidade nos conteúdos, já que apenas língua portuguesa, língua inglesa e matemática serão disciplinas obrigatórias. A oferta das 13 disciplinas poderá ser alterada. A mudança também propõe ampliar o ensino técnico e as escolas de tempo integral.

Além disso, o texto da Base Nacional determina que 60% da carga horária seja obrigatória, com os conteúdos comuns, enquanto os 40% restantes, optativos. No módulo optativo, o aluno poderá escolher uma das seguintes áreas: linguagens e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias, ciências humanas e sociais aplicadas e por último, a formação técnica e profissional. As escolas não são obrigadas a oferecer todas as cinco áreas, mas devem disponibilizar ao menos uma das opções.

 

O ensino técnico

Hoje, para cursar a escola técnica de nível médio, o estudante precisa cumprir, em três anos, 2,4 mil horas do ensino regular e mais 1,2 mil horas do técnico. Com a nova lei, a formação deve ocorrer dentro carga horária do ensino regular, desde que o aluno curse as disciplinas de português e matemática. Ao final do ensino médio, o aluno recebe o diploma do ensino regular e um certificado do ensino técnico.

Os professores do ensino técnico poderão ter formação em sua área de atuação ou com experiências profissionais atestados por titulação ou prática de ensino.

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