Colando história : A arte de colecionar memórias

Colando história : A arte de colecionar memórias

16 de Abril de 2018 0 comentários

Carlos Alberto Petta coleciona, entre outras raridades, álbuns de Copa do Mundo desde 1958

Por Bruno Matheus

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“A maior sensação do colecionador é não conseguir completar o álbum. Se completar, aí tem que começar outro. Não tem jeito!”, brincou o ex-professor de educação física

Colecionar figurinhas é um hábito não só saudável que incentiva amizades, mas também que estimula a se conhecer e preservar a história sobre algo. Da época de bater bafo às atuais negociações essa tradição ainda se mantém viva. Com diferenças de costumes, contudo, ainda presente atravessando as gerações. Um dos maiores exemplos desta afirmação está em Valinhos: Carlos Alberto Petta, de 65 anos, começou a colecionar álbuns de figurinhas desde criança e nunca mais parou.

Ele nasceu em Jaboticabal e mora em Valinhos desde 1972. “Gosto muito de figurinhas e sempre fui colecionador, hábito que adquiri com minha mãe”, contou o professor de educação física que se aposentou em 2008 e visitou a redação do Jornal Terceira Visão esta semana para mostrar parte de sua vasta coleção guardada com extremo cuidado e em perfeito estado.

Figurinhas em balas e bicicleta premiada

Seu primeiro álbum foi o Ídolos do Futebol Brasileiro, de 1958, de 650 figurinhas. “Lá tinha craques da época como Ademir de Menezes, Queixada e o Bruninho, conhecido aqui dos valinhenses por ser lateral direito da Ponte Preta naquele tempo. As figurinhas vinham em balas”, lembrou. E foi nesta época que algo curioso aconteceu e marcou sua trajetória de colecionador definitivamente.

“Eu tinha oito anos e tive que fazer uma cirurgia de traqueostomia. Parentes iam me visitar e me deram muitas balas. Em uma delas tirei uma figurinha premiada do XV de Piracicaba e ganhei uma bicicleta Merck suíça”, recordou Carlos que deu aulas em todos os Sesi da cidade e também no Alves Aranha. Apaixonado por futebol, ele mantém excelente memória e respostas na ponta da língua sobre escalações e resultados de partidas.

Uma de suas relíquias é o Fute Cards da Ping Pong, de 1978 (em mãos na foto). “São os primeiros cards do Brasil. Dentre os que tenho, 103 estão autografados e tiro foto com os jogadores. Até hoje ainda os procuro para autografar e tirar fotos. Jair Picerni e Levir Culpi, por exemplo, gostaram muito, forma bem simpáticos e educados. Falcão foi o mais recente”, contou.

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Seu Carlos à frente de sua coleção de álbuns de Copa do Mundo, segurando um dos mais antigos e o mais atual

Memórias coladas

“No Mundial de 62, eu tinha dez anos. No Bar do Mané, onde hoje é a Central Calçados, se reunia um pessoal que ficava até oito horas da noite tentando tirar figurinhas raras como a do goleiro Araquistain, da Espanha. Pessoal não tirava e jogava as outras tudo no chão. O Seu Mané varria tudo e pedia pra ele me deixar pegar as figurinhas antes: ‘Pegue logo e não me encha o saco!”, relatou Seu Carlos acrescentando que na época se colava com goma arábica ou de fabricação caseira mesmo com farinha. Depois é que usavam colas comuns antes de chegarem as autocolantes”.

 

“Tudo que é bugiganga”

Guardador inveterado, admitiu: “Coleciono tudo o que é bugiganga: álbuns de figurinhas, cards, tazos, fichas de cassino, moedas, bonequinhos de retrovisor de postos de gasolina  e da Bardhal Brinquedos do McDonalds, mascotes de marca de arroz, etc”.

 

Mais de 500 álbuns

Ao todo, seu Carlos estima ter mais de 500 álbuns de vários temas além de futebol como filmes e desenhos. Seu álbum mais bem avaliado foi o Ping Pong da Copa de 1982. “Ofereceram R$ 3 mil nele no Mercado Livre. Mas tenho álbum que vale mais”, garantiu. “Empresto dinheiro no banco, mas não vendo”, emendou.

E ele coleciona todos: De todas as Copas do Mundo de 1958 pra cá (exceto 1966 e 1974), Campeonatos Brasileiros, Paulistas, Copa América, Brasil de Todas as Copas, Fut Cards da Coca-Cola, da Disney, entre outras raridades e figurinhas duplas e raríssimas. Para se ter uma ideia de como a diversão é levada a sério, Seu Carlos já está fazendo seu terceiro álbum da Copa do Mundo de 2018 e concluiu: “A maior sensação do colecionador é não conseguir completar o álbum. Se completar, aí tem que começar outro. Não tem jeito!”, brincou sendo muito gentil e simpático.

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