Demissões e outros cortes de gasto são pra tentar reerguer Santa Casa, diz provedor

Demissões e outros cortes de gasto são pra tentar reerguer Santa Casa, diz provedor

13 de janeiro de 2017 0 comentários

Em entrevista, Cláudio Trombeta enfatizou medidas econômicas para manter atendimento de alto nível

O provedor da Irmandade Santa Casa de Valinhos, Cláudio Trombeta, e o superintendente do hospital, Edson Manzano, conversaram na manhã de quinta-feira, 12, com o Jornal Terceira Visão e falaram sobre as demissões realizadas na semana passada e as contas da entidade.

 

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O provedor Cláudio Trombeta, e o superintendente do hospital, Edson Manzano

Inicialmente, o primeiro assunto tratado foram as contas da Santa Casa, que por vezes são alvo de especulação de munícipes e até mesmo de vereadores durante as sessões da Câmara. Segundo explicaram, todas as contas são auditadas por uma empresa renomada de Campinas. Das auditorias são gerados relatórios com apontamentos de melhorias. Porém, em nenhum desses documentos jamais foi apontada qualquer irregularidade. “Não teria porquê algum dos diretores, que são todos voluntários, cometerem qualquer irregularidade, uma vez que essas atitudes teriam consequências judiciais”, alega Manzano. Ele também convida qualquer cidadão a levar as contas da Santa Casa a outra empresa de auditoria, renomada como a que hoje lhes presta serviços, para levantá-las. “Tenho certeza que nenhuma irregularidade será encontrada”, garante.

Em seguida, foram explicadas as demissões que ocorreram na semana passada. Ao todo, 79 pessoas foram desligadas da Santa Casa. Destas, 3 pediram para ser mandadas embora e 14 foram transferidas para o Plano de Saúde da Irmandade, que passa a operar independentemente do hospital. Ou seja, foram 62 demitidos de fato, em vários setores, o que representa 11% do efetivo de funcionários ativos, que hoje são 564. Os desligamentos tem relação com um processo de otimização dos serviços prestados. Por exemplo, no momento, a Santa Casa está operando com 50% de sua capacidade de internação, por falta de demanda. Portanto, seria contraproducente manter o total de funcionários se apenas uma parte deles estava tendo trabalho. Com os desligamentos serão economizados aproximadamente R$ 150 mil por mês. O que representa uma redução de 14% na folha de pagamentos. Sobre a rescisão, ainda será feita uma reunião com o sindicato da classe para acertar como serão divididos os pagamentos. Caso a demanda volte a crescer, novos funcionários serão contratados para ocupar o lugar dos dispensados.

Durante a entrevista, também foi tratado da suspensão das cirurgias eletivas. Inicialmente, os entrevistados fizeram questão de explicar a diferença entre elas e as cirurgias emergenciais. As eletivas são as agendadas previamente e não representam perigo ao paciente caso não sejam feitas na data marcada. As emergenciais, por sua vez, são as de pacientes que dão entrada pelo Pronto Socorro. Caso não feitas, elas representarão grande problema para o paciente. Estas últimas estão mantidas normalmente, mas as eletivas, devido ao corte de verbas repassadas pela Prefeitura no final do ano passado, tiveram que ser suspensas. Mesmo assim, quando uma cirurgia eletiva é avaliada pelos médicos como emergencial, são realizadas. Em novembro foram 17 cirurgias eletivas realizadas, e em dezembro outras 18.

Sobre a situação financeira da Santa Casa, foi explicado que os gastos mensais com pessoal giram em torno de R$ 1,9 milhão. Porém, com a implementação da portaria 3410, do Ministério da Saúde, ficou proibida a subvenção como vinha sendo feita até então em Valinhos. Para receber dinheiro do município, o hospital terá que realizar um contrato ou um termo de convênio com a Prefeitura. Porém, para realizar tal vínculo é necessária a Certidão Negativa de Débitos (CND), o que a Santa Casa não possui por conta dos impostos atrasados. Mas uma luz apareceu no fim do túnel, em primeiro lugar porque em outras cidades, como Campinas, a Prefeitura aporta financeiramente hospitais que não têm CND, o que abre precedente. Por outro lado, na sexta-feira, 6, o Governo Federal anunciou que abrirá a negociação de dívidas de impostos, o que fará com que a Irmandade volte a ter a certidão. O trâmite deve acontecer em 60 dias, aproximadamente.

Outro destaque importante a se dar trata da economia que vem sendo feita no hospital. Para se ter uma ideia, enquanto a inflação média do setor de saúde foi de 19,3% no comparativo 2015 e 2016, os gastos da Santa Casa só aumentaram 5% no mesmo período. Fruto do trabalho que vem sendo desenvolvido e da política do corte de gastos desnecessários. O fato é que todos os que hoje estão prestando serviço na Irmandade têm consciência da falta de dinheiro que aflige a entidade. O salário pago em janeiro para todos os funcionários, por exemplo, ficou em R$ 770. O restante será pago quando houver dinheiro em caixa. Ainda não há previsão para isso acontecer.

Por fim, para melhor entendimento dos valinhenses, foi explicado como são feitos os repasses de cada estância pública. O município, em 2016, pagou R$ 15,55 milhões, enquanto o Estado de São Paulo repassou R$ 1.053.399,17, e o Governo Federal R$ 4.154.484,23. Na média, a verba entrega ao hospital no decorrer do ano foi de R$ 1.729.823,62 por mês. Porém, para suprir todos os gastos de operação seriam necessários R$ 2 milhões por mês. A esperança é que um possível contrato com a Prefeitura englobe esse total. Até lá, será necessário um verdadeiro malabarismo para conseguir pagar todas as contas.

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