Editorial: Mais que a receita de um molho

Editorial: Mais que a receita de um molho

2 de junho de 2017 0 comentários

Qual a receita não só para o sucesso, mas também para ser uma pessoa bem-sucedida? Quais os ingredientes que deveríamos ter para sermos considerados queridos por todos e lembrado com muita emoção e homenagens após a nossa morte? Será que há mesmo um segredo para isso? Há quem passe a vida toda achando que sim: Estudam, se formam, reformam, trabalham sem descanso nem férias, fazem botox e tentam agradar todo mundo. Bem, a maioria deles acaba apenas com uma lápide cara no cemitério.

Nesta semana, a história de um homem que tinha um sorriso tão farto quanto seu bigode mostrou que a reputação de alguém é o resultado implacável de trabalho de sua personalidade e integridade. É por isso que mesmo dez anos após seu falecimento, Mario Garcia, mais conhecido como Mario Pipoqueiro ainda é recordado com tributo e admiração. Com seu jeito brincalhão e divertido ele vendeu pipocas e doces caseiros. Assim sustentou e criou seus sete filhos que herdaram o bom astral do pai.

“Mario Pipoqueiro é, com certeza, parte da história da cidade, mantendo seu legado através de sua esposa, filhos, netos e bisnetos”, declarou Dalva Berto ao apresentar o projeto de lei que dá o nome de Mario Garcia à Rua 1 do Loteamento Jardim Morumbi. Amostra de como seu carisma ainda se sobrepõe à morte, nada menos que dez vereadores discursaram em sua homenagem: “Sem dúvida ele estava na vanguarda da pipoca em Valinhos”, afirmou Popó. “Ele e sua família são muito queridos pela população”, considerou Mauro Penido. “Os produtos que eles vendem viraram sabores de referência de Valinhos”, discursou Veiga.

Em uma época em que não havia tantos fast foods, food trucks ou padrões gourmet, Seu Mario Pipoqueiro tinha a simplicidade, humildade e carisma que fizeram a diferença junto à população valinhense. Assim, prova-se que bom paladar não precisa ter bolso farto, e sim honestidade e amor no que se faz. E muito fez. Além das pipocas e do molho especial, tinha a geleia, paçoca, doces lua de mel e quebra-queixo. Tudo feito de modo caseiro com muito carinho

Ele empurrava seu carrinho pelas ruas da cidade de uma escola para a outra, de uma praça para vários sorrisos. Seu Mario Pipoqueiro não vendia apenas pipocas e doces caseiros. O que ele oferecia vinha com muita sinceridade e alegria. Talvez esse seja, afinal, o segredo não só do seu molho, mas do seu sucesso como ser humano.

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