Falta de consciência ambiental pode fechar as portas da Cooperativa Recoopera   

Falta de consciência ambiental pode fechar as portas da Cooperativa Recoopera  

23 de agosto de 2017 1 comentário

 

 

A reportagem esteve, na segunda-feira passada, 14, no galpão da Cooperativa Recoopera, uma organização responsável por triar o material reciclável da cidade e que conta, desde 2012, com o apoio da municipalidade. A Corpus (empresa responsável por realizar a coleta de lixo em Valinhos, contratada pela Prefeitura) recolhe os recicláveis e leva o material para a Cooperativa, que posteriormente os revende, contribuindo para a diminuição do lixo encaminhado ao aterro sanitário de Paulínia. Em troca, a PMV contribui com o terreno onde a Recoopera atua, que foi cedido pela municipalidade.

Assim é como deveria funcionar, pelo menos: na prática, a população não efetua a separação do material e a Cooperativa acaba tendo que fazer a triagem entre lixo orgânico e reciclável, o que causa inúmeros problemas aos 45 trabalhadores do local.

Segundo Jane Azevedo, presidente da organização, a falta de consciência ambiental da população custa caro à Recoopera: 40% do material trazido pela Corpus é lixo orgânico, que não pode ser utilizado por eles. O caminhão compacta o lixo recolhido das ruas, impossibilitando uma separação prévia: todos os descartes devem ser triados pelos trabalhadores. Os detritos são, então, novamente recolhidos pela Corpus e levados ao terro sanitário. Somente após todo esse processo é que os cooperados podem trabalhar com os reciclados, o que lhes gera remuneração.

Além do trabalho que realizam a mais sem receber, o manuseio do lixo orgânico traz um problema maior, a insalubridade do trabalho. Restos de comida, papel usado (higiênico, absorvente, etc.) e dejetos humanos são exemplos do que os 45 cooperados precisam triar sem remuneração. “Perdemos muitos trabalhadores em função disso. Não podemos pagar muito e não conseguimos oferecer garantias a eles. A desistência no trabalho é um dos nossos grandes problemas”, relatou a presidente.

“Metade do que manuseamos vai para o lixo”

A disfuncionalidade do processo prejudica a Cooperativa de maneira tão severa que Jane confessa estar à beira da falência. “Estamos entrando em colapso financeiro. Em 2015 fechamos o ano com um déficit de R$18 mil. Em 2016, acumulamos mais R$37 mil em dívidas. Nosso fundo negativo hoje chega à R$61 mil”.

A presidente ressalta a importância de uma maior conscientização por parte da população. A falta de divulgação por parte da Prefeitura e da Corpus também é um agravante, segundo ela. “O contrato da Corpus especifica que a empresa é responsável por divulgar e incentivar a separação dos recicláveis, mas isso não acontece”, afirmou.

A Recoopera grita por ajuda, mas a população segue descartando seu lixo de maneira incorreta. A falta de informação é uma das vilãs nessa história e é por isso que a separação correta dos dejetos deve ser incentivada pela municipalidade. Cabe a Corpus, também, cumprir o cronograma de recolha dos recicláveis, estabelecido por eles mesmos: a coleta seletiva é realizada no município de Valinhos de segunda a sábado, nos dois turnos de trabalho (diurno e noturno). Cada região recebe o serviço uma vez por semana.

A reportagem questionou Gustavo de Freitas Sirianni, diretor do Departamento de Limpeza Pública (DLP) de Valinhos, que afirmou que a Prefeitura promove campanhas esporádicas de conscientização, além de palestras, rodas de conversa e de incentivo à adesão. “Muita gente já tem consciência sobre a gravidade da questão, que não se restringe a Valinhos, nem à região ou ao país, pois a destinação correta desses materiais é um problema global”, disse Guilherme.

Ainda, o diretor reconheceu que ainda chega muito lixo orgânico para a Recoopera e que a PMV estuda mudanças para mudar o quadro. De acordo com ele, a intenção é realizar uma nova campanha de conscientização até o final do ano.

A Empresa Corpus afirma que “utiliza diversos meios de comunicação com o objetivo de alertar a população para a necessidade da correta separação e descarte dos resíduos reciclados”. Ainda, a empresa afirma que constantemente posta dicas nas redes sociais de como realizar o descarte dos resíduos recicláveis, dados sobre o tempo de degradação desses materiais no meio ambiente e formas de reutilizar/reaproveitar seu uso.

 

1 comentário até agora

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  1. Elis
    #1 Elis 30 agosto, 2017 , 09:58

    Isso afeta diretamente à todos nós.
    Não temos mais tempo pra brincarmos de ignorantes.
    Vamos fazer a nossa parte!

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