O Jornal Terceira Visão foi conhecer o projeto do empreendimento e a revitalização da Fonte Sônia em Valinhos

O Jornal Terceira Visão foi conhecer o projeto do empreendimento e a revitalização da Fonte Sônia em Valinhos

21 de outubro de 2016 3 comentários

Esta é a primeira de uma série de reportagens. Contrapartidas trarão grandes benefícios para Valinhos e seus moradores

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Por Fernando Brocchi

A implantação de um empreendimento imobiliário de grande porte na região da Fonte Sônia, em Valinhos, tem gerado intenso debate na cidade nos últimos dias. O Jornal Terceira Visão foi conhecer com profundidade os detalhes que envolvem o Quinta das Águas, anunciado pela Leste Real Estate, gestora do projeto. O que levantamos é que as contrapartidas assumidas pela empresa trarão grandes benefícios para a cidade e a nossa população.

A implantação do condomínio depende da mudança de macrozoneamento rural turístico para macrozona urbana isolada da área de mais de 2,5 milhões de metros quadrados da antiga Fazenda Sônia, adquirida pela empresa há dois anos, que também abriga a Fonte Sônia. Na semana passada, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU) deu parecer favorável ao projeto. Na última quarta-feira, o projeto foi apresentado aos membros do Conselho Municipal de Meio Ambiente (CMMA). Após a CMMA, o projeto será apresentado em audiência pública e seguirá para discussão na Câmara Municipal, última etapa para a mudança do macrozoneamento.

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Com seu hotel desativado há 15 anos, a Fonte Sônia sofreu com a degradação da área de lazer ao longo desses anos. Mas este quadro está prestes a mudar radicalmente, como pudemos apurar com riqueza de detalhes no projeto que foi apresentado pelo Diretor Comercial da Leste Real Estate, Otair Guimarães. A área de 1,2 milhão de metro quadrados, que é particular e onde a Fonte Sônia está localizada, será totalmente recuperada, de forma sustentável pela empresa, sendo transformada em um grande parque urbano municipal, beneficiando os valinhenses e o meio ambiente da região.

Entre as ações que serão feitas para a recuperação da Fonte Sônia, previstas em um projeto moderno, inovador e com total responsabilidade ambiental e sustentável, elaborado pelo paisagista Marcelo Novaes, vencedor de prêmios internacionais pelos trabalhos desenvolvidos, constatamos a ampla recuperação da área verde do local. Sua proposta segue um conceito de modernidade com responsabilidade, pregando o uso consciente e responsável do parque. Dentro desse projeto, o Jornal Terceira Visão destaca, dentre outras coisas, o plantio de 200 mil mudas de árvores e pistas contornando o parque para a prática de caminhadas e corridas em meio a uma paisagem verde deslumbrante.

O casarão que abrigava o antigo hotel será recuperado e ampliado, dando lugar a um moderno hotel, com 150 quartos, que também servirá para eventos. Outro imóvel da área, que abriga a fonte, também será recuperada, assim como a capela e o Cristo, um dos símbolos da área. O futuro parque também ganhará um viveiro de plantas, de onde sairão mudas para arborizar toda a cidade. Suas nascentes serão integralmente preservadas, graças a este grande reflorestamento.

O sustento do parque, que será transferido para a administração municipal, como contrapartida ao empreendimento, virá da receita de aluguel de espaços dentro da Fonte Sônia, como quiosque, restaurante, entre outros tipos de comércio, além da cobrança pelo uso dos equipamentos como, por exemplo, pedalinho e outros serviços a serem disponibilizados aos visitantes e usuários do local.

O empreendimento Imobiliário

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A proposta da 01 FS Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda, proprietária da área remanescente da Fazenda Sônia, é levar para a região um projeto imobiliário inovador e totalmente sustentável. O Quinta das Águas terá quatro empreendimentos, num total de 1.250 lotes com áreas a partir de 500 metros quadrados cada. Os condomínios ocuparão uma área de 700 mil metros quadrados, anexa ao parque, a serem implantados ao longo de dez anos.

Fomos até o local para ver de perto onde estes empreendimentos serão implantados. As áreas onde eles serão construídos são formadas por grandes vazios, totalmente degradados. No seu entorno, cerca de 600 mii metros quadrados, ou 46% de sua área verde, são ocupados por matas, as quais permanecerão intactas e preservadas.

Toda preservação da área, dos pequenos mananciais de água, assim como as implantações dos condomínios, estão contemplados em relatórios submetidos às analises de vários órgãos governamentais, como a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e Consórcio PCJ, com base em um completo relatório de impacto ambiental, o  EIA-Rima.

Para o acesso dos moradores aos empreendimentos, a Leste abrirá uma avenida, dentro do Parque Fonte Sônia, paralela à já existente, totalmente dentro de um moderno projeto paisagístico. Outro diferencial dos condomínios, seguindo sua linha de sustentabilidade, será a exigência para que todas as unidades implantem cisternas para armazenamento da água da chuva.

Pelo projeto que o Jornal Terceira Visão conheceu em detalhes, sem dúvida este empreendimento será muito importante para a cidade, pois vai trazer grandes retornos ambientais para a população, e financeiro, através de impostos e tributos para Valinhos.

Produção de água na área é muito pequena

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Hoje, existe um mito de que a Fonte Sônia é responsável por uma parcela significativa da água consumida em Valinhos. Em nossa visita à região, constatamos que a produção de água no local corresponde a somente 1,5% do liquido produzido e consumido na cidade. Os lagos existentes dentro da Fonte Sônia são formados, atualmente, em sua grande maioria, pelas águas do Rio Pinheirinho, que passa pelo parque.

De acordo com estudos realizados pelo Departamento de Água e Esgotos de Valinhos (DAEV), cerca de 60% da água que abastece a cidade é captada no Rio Atibaia. Porém, seu bombeamento até a cidade está seriamente comprometido pelo seu tamanho e capacidade. “Entre os vários benefícios sociais do nosso projeto de contrapartidas, um deles é a duplicação da adutora existente no Rio Atibaia, que inclui implantação de geradores e equipamentos de automação para uma estação de tratamento de água, com investimento a ser realizado totalmente por nós”, explica o Diretor Comercial da Leste Real Estate, Otair Guimarães. Pelos cálculos da empresa, o investimento na adutora deverá ser de aproximadamente R$ 10 milhões. “Com esta obra, a prefeitura garante o fornecimento da água para a cidade pelos próximos 30 anos, tempo suficiente para que ela busque parcerias com a iniciativa privada e encontre outras soluções alternativas para a produção de água para os próximos anos”, completa Guimarães.

Estudo realizado pela Unicamp prevê que obras resultem  em 8,5 mil empregos e aumentou da geração de tributos para o município

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A revitalização da Fonte Sônia e a implantação do Residencial Quinta das Águas resultarão em grandes impactos econômicos, social e trabalho para a cidade de Valinhos. Um estudo de Avaliação de Impactos Socioeconômicos do projeto, realizado pelos professores do Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Cunha e Rodrigo Lanna, revela que os investimentos diretos e induzidos ao longo dos próximos doze anos podem chegar a R$ 930,5 milhões, além de gerar 8.547 postos de trabalhos diretos e indiretos ao longo do período, além de aumentar consideravelmente a arrecadação de tributos municipais, com cerca de R$ 15 milhões.

Segundo os professores, o projeto deve consumir um investimento direto de R$ 177,5 milhões (incluindo as contrapartidas, como instalação de uma nova adutora para captação de água do Rio Atibaia, reflorestamento da área com plantio de cerca de 200 mil árvores, recuperação de nascentes, entre outras), induzindo um investimento adicional (construção de 1.255 residências) de R$ 753,0 milhões, totalizando R$ 930,5 milhões ao longo de 12 anos.

Esses investimentos resultarão nos seguintes impactos médios ao ano para a população e o município de Valinhos: R$ 257,1 milhões (R$ 3,09 bilhões em 12 anos) no valor da produção setorial, R$ 131,4 milhões (R$ 1,58 bilhão em 12 anos) no PIB e geração de 3.073 empregos. “Estes investimentos trarão um aumento direto do consumo (permanente) de R$ 232,3 milhões ao ano, que resultam em um impacto de R$ 644,9 milhões no valor da produção, R$ 359,7 milhões no PIB e 8.547 empregos” detalham no estudo.

“Retirando-se os efeitos induzidos destes resultados – fazendo-se, assim, uma estimativa mais conservadora, ao se considerar somente os efeitos diretos e indiretos, que necessariamente ocorrem –, o aumento no PIB seria de R$ 87,0 milhões (2,4% do PIB de 2013), enquanto o aumento de empregos seria de 2.906 (aproximadamente 5,8% da sua população economicamente ativa).”

O estudo também levantou quanto o empreendimento imobiliário e a própria recuperação da Fonte Sônia devem gerar em termos da arrecadação para o Município. Incluindo-se o IPTU anual de R$ 3,5 milhões das 1.255 residências do condomínio, o aumento seria de R$ 15 milhões ao ano (aproximadamente 30,6% de todo o IPTU de Valinhos em 2014). Isso significa um grande reforço para os cofres públicos em tempos de crise.

Confira algumas fotos de como está atualmente a Fonte Sônia:

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3 Comentários até agora

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  1. Cristina
    #1 Cristina 21 outubro, 2016 , 09:54

    Lamentável que um veículo jornalístico não se preocupe em investigar o outro lado da notícia. Refiro-me ao empreendimento proposto para a Fonte Sônia. Aceitar tudo o que o empreendedor diz como verdade absoluta, sem questionamento, é prestar um deserviço à cidade.

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  2. RIPPE
    #2 RIPPE 23 outubro, 2016 , 06:20

    Não me recordo de alguma audiência pública. Uma obra tão impactante precisa de apoio da população. Muito bem vinda, mas e os impactos? 1.250 casas certamente trarão pelo menos 2.500 carros. As vias de acesso, suportam? Serão 1.250 novas ligações de água, temos suporte? A rede de esgoto receberá 1.250 novas ligações, tudo ok? O lixo gerado, o aterro suporta? “Obrigação de cisternas para água de chuva”, não temos nem norma ABNT pra isso. Vi na matéria algum interesse em defender o empreendimento, também sou a favor, mas as contrapartidas ambientais citadas são pífias. Vai ter que debater mais. Vai ter que entregar mais.

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  3. Marcelo
    #3 Marcelo 24 outubro, 2016 , 21:49

    Que absurdo!!! É pura enganação!!!
    Até onde sei nossa cidade depende 50% da captação do Atibaia pra abastecer a cidade e propõem uma nova adutora para captar mais água. Penso que seria uma ótima ideia se o sistema de captação do Atibaia nao estivesse saturado. Ano passado com a crise hídrica a vazão foi reduzida em função da estiagem e consequentemente a captação. Agora falam em uma nova adutora para garantir água por 30 anos?
    Pura enganação!!
    Se passarmos por outra crise hídrica como do ano passado, como irão captar água com esta adutora?
    Servirá pra nada.
    Não sei se estou certo em meu pensamento e me corrijam se estiver enganado pois não sou profissional deste ramo, mas não acho que essa adutora garantiria tranquilidade hidrica ao município.
    Creio que ajudaria a construção de represas/reservatorios para armazenar água da chuva, seguindo o exemplo de Jundiaí pois até onde sei, não sofreram com a crise do ano passado em razão de investimentos feitos neste sentido.
    É o que penso e agradeço me corrigirem se citei algo errado.
    E tem mais, em nenhum momento falam de investimentos no sistema viário da região.
    Atualmente encontra-se saturado também pois a região cresceu muito nos últimos anos.
    Agora imaginem que com este empreendimento será pior.
    Mais moradores, lojas, restaurantes e o parque público.
    Imaginem o trânsito na região com tudo isso adicionado ao que já temos hoje?
    Na minha opinião…caos total.
    E onde está a preocupação destes empreendedores com este problema futuro?
    Sequer citam a respeito…
    Por isso questiono tais empreendedores.
    Que soluções propõem para este problema que é atual e piorará com o empreendimento??

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