Guarda usa espingarda em festa e fere três pessoas

Guarda usa espingarda em festa e fere três pessoas

11 de setembro de 2017 0 comentários

Investigação estuda abuso de autoridade, disparo de arma de fogo, lesão corporal, omissão de socorro e resistência

 

Um evento realizado entre o fim da tarde e a noite do último sábado, dia 2, acabou em confusão e violência. Guardas municipais são suspeitos de atirar com uma espingarda calibre 12 no chão e ferir três pessoas em uma chácara no bairro Fonte Mércia. As vítimas tiveram ferimentos leves e boletim de ocorrência foi registrado por abuso de autoridade, disparo de arma de fogo, lesão corporal, omissão de socorro e resistência.

Segundo Sidney Aureliano, subcomandante da Guarda Municipal de Valinhos, a ação correu dentro do normal e os tiros foram feitos com bala de borracha e direcionados para o chão. Os disparos, segundo os guardas, tiveram intuito de conter as pessoas que teriam avançado em direção dos agentes após a decisão de levar os responsáveis pelo evento para a delegacia.

 
Confusão
“Nada de irregular foi encontrado na festa”, frisou o delegado Sandro Jonasson. De acordo com ele, tratava-se de uma festa de aniversário. A rave alegada foi no dia anterior como comprovariam cópias dos contratos de locação. No evento havia cerca de 50 a 60 pessoas, entre eles menores e idosos. “Era 18h e não havia nada de errado, nem que justificasse os tiros de espingarda calibre 12 dados contra o chão”, argumentou.

Segundo guardas, os ânimos de presentes se alteraram durante a ação e foi necessário efetuar dois disparos. Para o delegado Sandro Jonasson o feito demonstra no mínimo uma imperícia técnica, pois segundo ele esta arma possui um alto grau de estilhaçamento, o que acabou resultando no ferimento de três pessoas. Uma de 52 anos (avô de um dos aniversariantes da festa), outra de 40 e uma terceira de 22. A GCM alega que se tratava de uma festa rave. No entanto, o delegado acha as idades dos feridos bastante incondizentes com frequentadores de raves. “A teoria de festa rave da Guarda perde força frente às provas apresentadas”, afirmou o delegado.

 
Munições recarregadas
Ainda sobre o modo da ação dos guardas, o delegado acrescentou: “Vou requisitar prova de aptidão técnica para uso do armamento em questão (espingarda calibre 12)”. Pairam ainda dúvidas acerca da procedência das possíveis munições recarregadas usadas na ocasião. “Mas, isso quem vai falar é o laudo técnico. A Guarda Civil Municipal deve servir o bem comum e não interesses particulares”, salientou Dr. Sandro Jonasson, afirmando que fiscalização de eventos sociais devem ser feitas e amparadas somente pela lei. “Vamos ouvir mais testemunhas do caso que estão nos procurando. Não vou admitir ingerência externa de quem quer que seja. Quem praticou o crime, deve ser responsabilizado por ele”, concluiu.

 
“Dentro do protocolo”
Roque Stringhini, secretário de segurança de Valinhos, manteve as declarações do subcomandante e garantiu que os guardas agiram dentro do protocolo. Ele também afirmou que vai esperar a conclusão das investigações.

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