Leide Mengati, presidente do Sinsaúde, fala sobre a greve da Santa Casa

Leide Mengati, presidente do Sinsaúde, fala sobre a greve da Santa Casa

22 de fevereiro de 2017 0 comentários

Ela também contou sobre a relação da Prefeitura com o movimento e as perspectivas para o fim da paralisação

A presidente do Sinsaúde, Leide Mengatti é natural de Itápolis (SP). Se formou em Engenharia de Alimentos e trabalhou no Serviço de Nutrição da Santa Casa de Campinas. Além de presidente do sindicato, Leide também é diretora da Federação da Saúde do Estado de São Paulo, diretora executiva do Instituto de Saúde Integrada (ISI) e membro da Comissão Municipal de Emprego de Campinas. Ela faz parte da categoria da saúde desde 1980.

Jornal Terceira Visão (JTV): A que se deve a greve que os funcionários da Santa Casa estão fazendo?

Leide Mengatti (LM): O atraso nos salários é o grande culpado pela greve. Porque há quatro meses os salários têm sido pagos após o dia 20. Mas acho que o estopim foram as demissões que aconteceram desde o início do ano. Porque todo mundo entende que a situação financeira da Santa Casa não é boa. Eles estavam dando o sangue pelo hospital. Aí perceberam que mesmo assim corriam o risco de serem demitidos. Isso piorou a relação de confiança. Porque não adiantava nada se dedicar e esperar, pois podiam ser demitidos a qualquer hora.

JTV: Como está a situação de quem já foi demitido?

LM: Na manhã de terça-feira, 14, tivemos uma reunião no Ministério Público do Trabalho com a Prefeitura e os representantes da Santa Casa. Lá ficou acertado que os demitidos continuarão recebendo cesta básica e plano de saúde até que todos os direitos trabalhistas sejam pagos. Além disso, não poderão ser feitas novas demissões até que a situação financeira seja regularizada.

JTV: E sobre o acerto feito com os primeiros demitidos, no início de janeiro, quando deve ser paga a primeira parcela da rescisão?

LM: A data é todo dia 25. Mas como nesse ano cai num sábado, a data ficou para 1º de março. E caso eles não paguem a primeira parcela, de acordo com o que ficou acertado, a dívida será cobrada de uma única vez com multa de 30% sobre o valor integral. Esperamos não ter que cobrar esse valor. Porque é muito desgastante para todos os lados.

JTV: Como você enxerga o empenho da Prefeitura para resolver o problema?

LM: Nas reuniões que eu tive com o prefeito Orestes percebi que ele estava muito empenhado em resolver os problemas. Mas aí a Santa Casa não tinha a Certidão Negativa de Débitos (CND), o que impossibilitou o fechamento de um contrato. Nós intendemos que sem a CND não tem como fechar o contrato.

JTV: A Santa Casa conseguiu uma liminar que permitiu a emissão da CND mesmo sem ter pago a dívida. Você acha que isso poderia ter sido feito antes?

LM: Deveriam pelo menos ter tentado.

JTV: Como ficará o atendimento durante a greve?

LM: Até que os salários sejam pagos o atendimento será feito com 50% dos funcionários. Isso não prejudicará o atendimento. Sabemos que é importante não abandonar a população. Então, é isso que faremos. Buscamos nossos direitos, mas não deixaremos quem precisa de atendimento na mão.

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