“Lifting – Uma Comédia Cirúrgica” se apresenta no Teatro Iguatemi Campinas

“Lifting – Uma Comédia Cirúrgica” se apresenta no Teatro Iguatemi Campinas

15 de setembro de 2017 0 comentários

O JTV entrevistou Drica Moraes, uma das atrizes e também produtora do espetáculo, que entra em cartaz nesta sexta-feira, 15

 

Unidas pelo afeto e alegria do fazer teatral, as atrizes Ângela Rebello, Drica Moraes, Lorena da Silva e Luísa Pitta estão juntas em Lifting – Uma Comédia Cirúrgica, primeira montagem brasileira do elogiado texto escrito pelo espanhol Félix Sabroso. Encenada originalmente em 2013, a peça joga uma lente de aumento sobre uma sociedade adoecida pelo poder da imagem e os padrões inalcançáveis de beleza.

Em um caleidoscópio de situações, em esquetes cômicos, as atrizes se multiplicam em papéis de mulheres navegando em um mar de neuroses e loucuras, na incessante busca pela perfeição estética.
São figuras femininas em seus espaços pessoais, familiares, profissionais e sociais, sempre às voltas com dilemas na relação com seus corpos. Os temas, universais, geram situações que tratam do humano acima de tudo: a ânsia pela vida, a obsessão pela juventude, o medo da solidão, as carências e mazelas comuns a todos.

 

Sobre a peça, a atriz Drica Moraes respondeu perguntas da reportagem. Confira:

JTV: Drica, apesar de ter atuado na televisão, cinema e teatro, acho que podemos dizer que seus papeis são sempre entrelaçados por algo em comum: a complexidade feminina. Como a peça “Lifting – Uma Comédia Cirúrgica” desenvolve o tema?

R: A peça são cenas curtas que compõem um quadro crítico e ao mesmo tempo leve e divertido, sobre o tema da mulher em busca por um corpo perfeito. A mulher que precisa agradar alguém incessantemente através do corpo. Mulheres que fazem cirurgias plásticas desmedidamente. Na peça,  nós não julgamos essa mulher e sim fazemos um retrato dela. A mulher vem dando muitos passos ao longo tempo, em especial nesses últimos anos,  em relação ao direito de definir regras próprias para o seu corpo e sua posição na sociedade. Sou particularmente  feminista porque luto por direitos iguais para homens e mulheres. Mas a peça não levanta bandeiras, é uma reflexão sobre a mulher e seu corpo.

 

JTV: Nossa cultura é recheada de brilhantes mulheres que retrataram (seja pela própria personalidade, como é o caso de Dercy Gonçalves ou por suas obras, como a jornalista e escritora Martha Medeiros) os encantos e neuroses da mente feminina. Você se inspira em alguma mulher brasileira para atuar? Fale um pouco sobre isso.

R: Temos realmente uma infinidade de referências femininas maravilhosas. Atrizes, escritoras, poetas, dançarinas, cantoras…difícil destacar…sigo todas essas loucas maravilhosas desde sempre!

 

JTV: A peça Lifting aborda o importante tema da busca histérica pelo corpo perfeito de maneira cômica. Apesar disso, a plateia encontrará crítica no espetáculo?

R: A peça é uma comédia com cara de cabaré, de teatro de revista, com muito humor e  música. O humor é sempre algo crítico, mas na nossa peça não bate nem julga, apenas expõe situações. Faz a plateia refletir sobre esse excesso. E muitas vezes poder rir de si mesma. Nós também nos incluímos entre essas mulheres!

 

JTV: Você é, também, uma das produtoras e idealizadoras do projeto. O tema lhe é especial de alguma maneira? Se sim, por quê?

R: Não sinto em mim uma espécie de ansiedade ligada a parecer ser eternamente jovem, mas entendo que as mulheres são culturalmente levadas a essa ansiedade. Acho que a tecnologia esta aí para somar, pra ajudar mulheres a se sentirem mais felizes com seu corpo não para criar uma tirania e um código de regras obrigatório. “Meu corpo, minhas regras”.

 

JTV: Por fim, fale um pouco sobre suas personagens na peça e como foi o processo de desenvolvimento de suas personalidades.

R: Nós quatro interpretamos vários personagens. É um jogo de ator muito rico e ágil! Faço uma mãe, numa típica disputa com a filha adolescente (Luisa Pitta); Uma jovem com problemas no passado em conflito com a chefe (Angela Rebello); em outra cena faço uma advogada que tenta defender uma mulher que desviou recursos públicos para implantação de Botox. Faço também uma enfermeira sádica e canto uma música da Rita Lee. A peça tem músicas compostas pelo Maestro Tim Rescala e a direção de Cezar Augusto, diretor e parceiro de muitos anos na Cia Dos Atores. Estou muito entusiasmada em estar em cena com tanta gente talentosa!

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