Quem é Marcelo Matheus, que está falando verdades sobre Valinhos

Quem é Marcelo Matheus, que está falando verdades sobre Valinhos

17 de agosto de 2017 0 comentários

Analista político jura não ter sido pago e acredita que a revolução política será feita nas redes sociais

Nos últimos dias de setembro, as redes sociais da capital do figo agitaram-se em torno dos vídeos de um homem com fala firme e fácil que, diretamente da Praça Washington Luiz, dava o anúncio: “Cheguei, Valinhos”. Pouco antes das eleições, principalmente apoiadores do atual prefeito, Clayton Machado (PSDB), criticaram a figura que questionou os enormes gastos da reforma na praça – já denunciados por este semanário. Esse homem é Marcelo Matheus, natural de Campinas e ex-candidato a vereador pela mesma.

“Eu quero entender por que o prefeito gastou uma grana violenta nessa praça e mesmo assim não se pode frequentá-la à noite. A iluminação é muito ruim”, questionou Matheus em seu primeiro vídeo sobre Valinhos, que rendeu 22 mil visualizações e 141 compartilhamentos. Com tantas críticas e coragem de colocar a cara na internet, o JTV quis saber mais sobe quem tanto repercutiu nas redes no ano eleitoral.

Como tudo começou

Marcelo Matheus é consultor empresarial, formado em Engenharia Química pela Unicamp. Nasceu e vive até hoje em Campinas, vizinha de Valinhos. Seu período como subcelebridade da internet começou em 2011, quando mandou um vídeo para o PC Siqueira. O youtuber parodiou seu vídeo e citou seu nome no Twitter. Com isso, ganhou vários seguidores. Em seguida, foi chamado para uma entrevista na Jovem Pan, e então tudo deslanchou.

Contudo, foi apenas no início desse ano que ele criou a página “Conteúdo Verdade”, que desde 11 de fevereiro vem soltando vídeos denunciando irregularidades na política de cidades paulistas, como Campinas, Caraguatatuba, Sumaré, Indaiatuba, Paulínia, entre outras. A cidade de Valinhos foi alvo apenas na reta final da eleição. Após a denúncia da praça, surgiram vídeos criticando uma pesquisa fictícia divulgada na cidade, a competência do atual Prefeito, e a ligação entre o proprietário do jornal Folha de Valinhos – Abraão Michelon e a prefeitura.

Afinal, quanto ele recebeu?

Com tantas críticas contra a atual administração valinhense, já era de se esperar que surgisse a dúvida: “Quem está pagando?”. Contudo, Matheus afirma veementemente que nada recebeu, e que, aliás, nem precisa. “Eu mesmo me banco. Já ganho dinheiro com meu emprego, e um bom dinheiro”, contou à reportagem. “Eu não quero ficar acusando, só quero mostrar a verdade à população. E a verdade é que político nasceu para te enganar”, disse ainda.

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JTV: O seu passado político tem sido bastante comentado nas redes. Você foi candidato a vereador de Campinas quantas vezes e por qual partido? Desistiu da política?

Eu fui do PP – Partido Progressista. Fui candidato a vereador em Campinas três vezes, a última nas eleições de 2012, e tive 3,6 mil votos. Já fui 1º e 2º suplente e não entrei por causa de coligação. Hoje, nenhum partido político tem filosofia, e eu não tenho vergonha nenhuma do meu passado, não me sinto fracassado, mas encontrei outro foco. Eu não entendo porque as pessoas se incomodam tanto com isso.

JTV: Se você não foi pago, por que no período de eleições falou apenas sobre o Clayton e não sobre os outros dois candidatos, Orestes Previtale e Tonetti?

Eu falo sobre o que chega até a mim. Mas não falo tudo o que chega, porque vem muitos boatos. Eu tenho 50 anos, não sou nenhum moleque, eu sei como funciona a Justiça. Eu faço uma ampla pesquisa e digo só aquilo que tenho como provar, eu só falo com documentos e não boatos. Se o Orestes tiver alguma coisa que é importante ser dita, eu vou dizer, mas não chegou nada até mim. Sobre o Tonetti, só chegou que ele era do PT, mas o que eu vou fazer com essa informação? Quero deixar claro aqui que não tenho nada contra a pessoa Clayton Machado, nenhum ódio ou bronca antiga. Acredito até que ele deve ser um homem bom para a família, mas não é bom para a população. Aliás, eu não tenho culpa de a grande maioria das cidades estar horrível por conta do PSDB.

JTV: Você tem foto com diversos políticos, como Carlos Sampaio.

Não é porque eu tiro foto com um cara que sou a favor ele. Eu tenho foto com vários políticos e sou analista político. Vou continuar tirando.

JTV: Como você tem recebido as críticas dos valinhenses?

Quando você ataca, o pelotão de defesa do Clayton Machado fica enraivecido. Eu respeito as batidas neutras, mas alguns eu preciso bloquear. Outro dia veio uma mulher me chamar de nomes horríveis, quando eu fui ver, ela estava na capa da revista do partido. Explicado.

JTV: Por que você criou o Conteúdo Verdade?

Tudo começou com um projeto que eu tinha em Capivari. Em uma das visitas, uma pessoa me falou sobre os gastos exorbitantes em uma arquibancada e sobre uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) na qual foi gasto 2 milhões e nunca foi usada. Eu comecei a investigar e então gravei o primeiro vídeo. Depois começaram a me mandar denúncias e eu comecei a gravar em outras cidades.

JTV: Você faz seus vídeos sozinho?

Eu ligo a câmara e filmo. Não tenho roteiro, faço tudo muito rápido. Uso um pau de selfie e o cenário que tem ao meu redor, não uso nem computador também, é tudo pelo celular.

JTV: Por que você faz isso? Não tem medo de sofrer agressões?

Eu já recebi ameaça de um grupo do prefeito de Caraguatatuba, mas não tenho medo. Acredito muito em espiritualidade e acho que é algum desafio que eu tenho, se eu morrer só vai ter acabado a minha existência aqui e agora. Eu participei dos movimentos nas ruas em 2013 e em protestos nas ruas, mas cansei de ver o brasileiro ser feito de palhaço. Hoje, a revolução vai ser feita na rede social, não precisa mais ir sempre às ruas. A rede vai evoluir tanto que o “vai para a rua” vai virar o “vai para a rede”, e o fake é o mascarado que tem medo de colocar a cara na rua para fazer o que bem quiser. Então, basicamente, eu sou um cidadão brasileiro de saco cheio de ver a população apertar o botão e eleger o mesmo cara por causa de um cargo. A política é uma zona que não tem puta virgem.

JTV: Você considera o que você está fazendo como essa nova revolução nas redes?

Sim. Eu passo uma mensagem que a pessoa para e vê. Para isso, uso técnicas de linguagem, até mesmo já falei errado de propósito, porque uma pessoa vai achar engraçado e compartilhar, e com isso mais pessoas verão aquele vídeo. Eu uso só o Facebook, acho que o Youtube está morrendo aos poucos.

JTV: Essa ‘revolução na rede’ vai mudar o jeito de fazer política?

Com certeza, e eles ainda não sabem usar tudo o que a internet oferece. Futuramente, os atos de um legislador vão poder ser avaliados na internet. Por isso que a rede vai comandar – ela é o futuro a política, daqui a 200 anos a política será outra. Eu acredito muito na sociedade. Sou realista e não pessimista. Aos poucos vamos conseguir sair dessa situação que entramos, porque hoje a gente colhe o que plantamos lá atrás. E não vai aparecer nenhum salvador da pátria em 2018, o grande herói vai ser a população. A crise serve para a população crescer e mudar seus hábitos, aprender a se preocupar e pensar. A máquina política é um sistema monstruoso que te engole. Se você não entra na máquina, ela te mastiga, te engole e joga fora.

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