Na próxima quinta-feira, 16, é comemorado o dia do filósofo e Nicholas conta um pouco mais da sua carreira

Por Alef Gabriel

Mestre e graduado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), na Faculdade de Filosofia e Ciências do campus de Marília, Nicholas Minotti é filósofo e trabalha na área desde 2012 e conta em entrevista como é ter uma carreira na filosofia. O professor conta que já no ensino médio tinha claro que iria seguir a área de Humanidades, e foi quando começou a trabalhar em uma livraria onde leu seu primeiro livro de filosofia – O príncipe – do filósofo italiano Nicolau Maquiavel. A proposta dele despertou interesse em Nicholas, a frase “os fins justificam os meios” foi o principal motivo para o professor ter seu primeiro contato com alguma leitura filosófica. Ele conta que as ideias de Maquiavel o chocaram, no bom sentido, abriu sua visão de mundo que era muito ingênua na época, segundo Nicholas. “O contexto sócio-político de Maquiavel é bem distinto do nosso e talvez, sua filosofia fizesse sentido na época. Logo após li a República, de Platão. E daí por diante comecei a trilhar o caminho da filosofia sem ter consciência disso”, completa o filósofo.

Nicholas destaca que teve muito apoio do seu pai e que se não fosse por ele talvez não tivesse persistido na filosofia, por contas das dificuldades de deixar sua casa e se mudar para longe e cursar a faculdade que se identificava. Ele conta que a filosofia no geral é sedutora em vários aspectos, mas que teve excelentes professores e também um amparo para formação que considera um dos melhores do país. E pontua que entre os segmentos da filosofia, gosta muito da Filosofia da Educação e Ciências Cognitivas.

Hoje o filósofo atua como professor efetivo na rede pública do Estado de São Paulo. “Nunca me ocorreu ser professor. Considero o Magistério uma atividade primorosa e de maior relevância para uma sociedade, a despeito da desvalorização e problemas que enfrentamos cotidianamente”, relata o professor. Porém, a ideia era trabalhar como pesquisador em universidades ou seguir no campo da política como orientador ou conselheiro. Podendo até seguir carreira na Filosofia Clínica também. “Mas fiz o concurso para professor, pois já estava no quarto ano da faculdade e prestes a me formar. Então eu precisava trabalhar. Então posso dizer que minha jornada docente não foi planejada e estou aqui pelos “acasos” da vida”, completa Nicholas.

Quando questionado sobre o que a filosofia mudou em sua vida, “Há muitas outras crenças que eu tinha e que ou abandonei ou mudei em uma parte ou outra. Agora posso dizer que consigo observar e compreender melhor as formas de pensar principalmente as que eu não concordo. A filosofia tem disso: te ensinar a “ouvir” pensamentos diversos em vistas a te maravilhar com a diversidade que há na vida”, afirma o professor.

Sobre os obstáculos da filosofia no Brasil, a falta de incentivo governamental é um problema crônico no país comenta professor e isso tem uma justificativa fundamental. “É do interesse dos governantes que a população esteja alheia às questões filosóficas (e educacionais também), pois assim é mais fácil controlar o povo”. Mas relata também os bônus que a filosofia trouxe para sua vida, “Faço um esforço diário de controlar meu pensamento e também de pensar sobre o que penso de maneira que isso se reflita nas minhas ações para que sejam as melhores possíveis. Nem sempre sou bem sucedido, mas quando não sou, a filosofia me ajuda a pensar no porquê”, completa Nicholas.

O filósofo destaca também o estereótipo errado da sociedade com a filosofia, “A ideia de que filosofia é coisa de desocupado, doutrinador, esquerdista e vagabundo. Esse pensamento irrita profundamente a nós filósofos e infelizmente ocorre de maneira exagerada no Brasil. Em outros países como França, Inglaterra, Estados Unidos entre outros, os nossos colegas filósofos não enfrentam tanta hostilidade como aqui. Pelo contrário, lá eles são exaltados e devidamente valorizados”, e completa dizendo para aqueles que pensam em cursar filosofia, “Se você não se sente segura(o) se você acha que precisa de um tempinho a mais para decidir, que seja. Pergunte também para profissionais que já atuam no mercado. E aqui vai um alerta aos pais também: escolha da profissão é coisa séria. É uma decisão de vida. Tem que partir da pessoa e somente ela será responsável por essa escolha e pelos frutos que irá colher”, finaliza Nicholas.

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