Psicólogas abordam a temática apresentando dados históricos, com a proposta de construir e renovar o contexto para homens e mulheres

Por Thaís Ferrari

Assuntos como igualdade de gênero, feminismo, empoderamento feminino e feminicídio, estão em pauta na sociedade nos últimos anos. São temas de debates e cursos em todo o país, nos mais variados segmentos. Em Valinhos, as psicoterapeutas Érika Esteves Rossini e Claudia Mandato Gelernter, que atendem na clínica Lishmor, são facilitadoras em círculo e cursos sobre o Feminino, e ministram pela segunda vez o Curso Caminhar Feminino, que objetiva “costurar um novo cenário para homens e mulheres”, e ainda, contribuir para a expansão da consciência. Em sintonia com a temática, a entrevista com as profissionais retrata e celebra o Dia Internacional da Igualdade da Mulher (26/08) e o Dia do Psicólogo (27/08), destacando a importância da área no processo de sintonia membros da comunidade.

Qual a importância da psicologia para despertar o empoderamento feminino?

A Psicologia, de braços dados com a Sociologia e a Antropologia, pode nos dar pistas significativas, trazendo dados robustos sobre formações sociais e de como os valores, as qualidades do feminino são importantes no equilíbrio social e planetário, uma vez que é nele – no feminino – que encontramos as questões do cuidado, do compartilhar, do apaziguar. Quando as mulheres passam a saber sobre seu enorme valor em uma sociedade piramidal, que necessita das qualidades do feminino para conseguir o equilíbrio necessário, com a união das duas polaridades em parceria (e não em oposição), ela se empodera. Porém, não se trata de um empoderamento com vistas a exercer poder sobre alguém ou algo, mas sobre reconhecer o próprio valor no mundo.

Como o Curso Caminhar Feminino pode contribuir na questão da desigualdade? Isso é trabalhado?

A desigualdade surge após crises climáticas, ainda no Paleolítico, que acabaram por forçar tribos a migrarem, acarretando guerras por território e alimentos. Nesses tempos a força da espada começa a se sobrepor ao feminino, a força passa a ser valorizada mais que o cuidado. O matar e conquistar se torna o alvo de valor social, ficando a mulher com papéis considerados “secundários”, sob o ponto de vista da sobrevivência. Primeiro precisamos tomar conta destes dados para compreendermos que a desigualdade não surge do acaso e que nem sempre as coisas foram como são. Desta forma, nos tornamos livres para pensarmos em outro futuro, a partir de outro paradigma, igualitário, possível, aliás. O Curso traz estes dados da ciência atual, aliados a questões de gestão emocional e sentido de vida, costurando um novo cenário para homens e mulheres. Muitas vezes a mulher se sente menor simplesmente porque ignora seu valor. Aqui não falamos exatamente de valor em um sentido de subjetividade, mas de qualidade, de virtudes possíveis, as quais as mulheres possuem maior facilidade para desenvolver. Quando falamos em qualidades do feminino, estamos nos referindo à serenidade, interiorização, acolhimento, cuidado, fluidez, flexibilidade, etc. Virtudes essenciais e que precisam urgentemente voltar ao cenário terrestre, sob risco de (inclusive) deixarmos de existir, enquanto espécie. Compreender como funciona o psiquismo feminino nos ajuda na gestão das emoções.

Na visão de vocês como psicólogas, por que a desigualdade entre os gêneros impera em pleno século XXI?

Toda realidade é construída de forma dialética, sendo os humanos seus construtores. É da interação entre o homem e o meio que vamos fazendo a realidade social. E como ela é feita em larga escala, também leva tempo para que os paradigmas se alterem. Temos visto um engajamento maior das pessoas em discutirem temas antes tido como certos e indiscutíveis. Estamos assistindo a um abrir de portas, jamais visto, até hoje. Já temos o que comemorar, embora ainda distantes do ideal, claro. A desigualdade ainda existe, mas ela está sendo discutida, repensada, refutada. Este é o primeiro passo para uma mudança. Já dizia o escritor Rubem Alves que “cada sociedade fala mais sobre aquilo que lhe falta”. Verdade… e quando falamos muito, chega dia em que mudamos, pela força da razão e do bom. Há 200 anos era legal e tido como interessante colecionarmos escravos. Hoje isso (ainda bem!) tornou-se uma aberração. Vamos caminhando, conforme nosso amadurecimento, enquanto humanos. E as soluções sempre estão junto à educação, à informação, reflexão e seriedade.

Além do Curso Caminhar Feminino, como a psicologia pode ajudar a se livrar de padrões e preconceitos do patriarcado?

A Psicologia ajuda tornando consciente praticas que até então vinham do modo automático de viver, de mecanismos inconscientes, arcaicos. Vamos repensando o que é posto pela sociedade, analisando se algo é normal ou normótico, ou seja, se nos faz bem ou mal. Tanto nas terapias individuais, como em grupo temos recursos para repensar nosso modo de sentir e reagir ao mundo. Além disso, tem surgido (desde a década de noventa) um movimento muito importante de círculos de mulheres que trabalham os aspectos sagrados do feminino e que foram desqualificados, ao longo dos séculos. O principal objetivo deste curso é um despertar, uma afetação. Que a mulher perceba que ela faz muito, que gera muitas bênçãos e que tomar contato com suas qualidades é uma necessidade. A força da mulher está na sua ancestralidade, nas raízes do feminino e não nas qualidades do masculino, como muitas acreditam ser. Um novo movimento começa a ter força, que não pretende fazer um braço de ferro com os homens, mas propor um equilíbrio, uma bandeira branca, onde a forma de ser e existir sejam repensados e a mulher retome seu lugar de valor – não acima do homem, mas ao lado dele, em parceria, como deve ser.

Informações sobre o curso

O curso tem início no dia 04 de setembro. Serão oito encontros todas às terças-feiras, das 14h30 ás 16h30, na Clínica Lishmor (Rua Luiz Spiandorelli Neto, 60 – Ed. Paineira – sala 309, Paiquerê). São 14 vagas disponíveis. Reservas: Claudia (19) 98207-0222 | Érika (19) 99462-6116, cursoslishmor2018@gmail.com.

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