Profissionais têm seu dia comemorado em 13 de setembro

Por Thaís Ferrari

O Agrônomo é responsável por realizar todo o planejamento e controle de processos produtivos agrícolas. Também atua no período pós-colheita, na comercialização dos produtos gerados pelo agronegócio, agregando e utilizando conhecimentos de biologia, química e física. Esse profissional tem a possibilidade de trabalhar no campo, nas cidades, em instituições públicas ou privadas, e também seguir carreira autônoma como consultor. Em celebração ao Dia do Agrônomo (13 de setembro), Ricardo Luiz Brugliato, 35, engenheiro da área na Ítale Fertilizantes, fala sobre dia a dia e cenário da profissão.

Rotina

O engenheiro agrônomo Brugliato, em sua rotina, trabalha na área de nutrição de solos e plantas, fazendo análises químicas e físicas de solos cultivados, além de processos de correção para plantios, indicando manejos a serem executados, garantindo assim a correta nutrição da planta, “alcançando o teto produtivo esperado da cultura, mantendo os valores nutricionais desejados do alimento produzido em questão”, explica. Para ele, ser agrônomo é pensar no processo produtivo agrícola com responsabilidade, respeitando o consumidor final e o meio ambiente. “O Agrônomo certamente é uma peça fundamental à conservação de ecossistemas e do meio ambiente”.

Dificuldades

Pensando no contexto brasileiro, com diversos problemas de infraestrutura, o profissional acredita que a grande dificuldade da área seja garantir que os insumos necessários durante a produção estejam disponíveis no momento oportuno, e ainda, assegurar que “uma vez colhida à produção, ela chegue ao seu consumidor final”. Por depender de fatores climáticos, todo planejamento pode ser comprometido, exigindo mudanças rápidas, radicais e efetivas no processo produtivo. “Aliado a isso, a ausência de cinturões produtivos, políticas de estoques regulatórios e preços mínimos praticada no país, aumenta ainda mais as incertezas do agronegócio, dificultando muito o seu planejamento”.

Cenário no Brasil

Segundo Brugliato, o Brasil é possivelmente o país com maior potencial agrícola do mundo, utilizando cerca de 35% do seu território para essa atividade, e tendo no último ano 23% do seu PIB advindo do agronegócio. “Este panorama por si só já mostra um horizonte bastante promissor para a Agronomia no Brasil, que é um país majoritariamente agrícola”. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, no cenário global, afirma que nos próximos dez anos é preciso que a produção agrícola aumente em 20%, visando atender a demanda da população por alimentos, “o Brasil é o país com maiores condições de contribuir com este aumento produtivo; é bastante desafiador e promissor, principalmente em áreas ligadas à extensão agrícola, pesquisa genética, e desenvolvimento de produtos”.

Avanços tecnológicos

As novas tecnologias surgem constantemente em várias áreas, e não é diferente na Agronomia, “a área agrícola foi um dos segmentos da economia brasileira que mais teve avanços tecnológicos nos últimos anos”. Brugliato ressalta o desenvolvimento de novas moléculas para defensivos, muito pouco agressivas ao meio ambiente; os manejos integrados de pragas, que buscam reduzir ao máximo o uso dos defensivos agrícolas; os manejos de boas práticas de produção, permitindo traçar estratégias mais assertivas e racionais de uso da terra, de materiais genéticos, de manejos de solos e nutrição e novamente, o uso de defensivos agrícolas. As atualizações em melhoramento e seleção genética possibilitou aumento produtivo, melhorias de qualidades nutricionais dos alimentos e maior resistência a pragas e doenças. “Na área de mecanização agrícola temos atualmente máquinas que trabalham totalmente controladas por um GPS e um computador; temos casos de implementos que fazem a correção de adubação de solo utilizando taxas variáveis de aplicação de fertilizantes, reduzindo a aplicação desnecessária destes; trabalhando com estes conceitos, é possível o profissional conciliar produtividade agrícola, renda, e conservação do meio-ambiente”, exemplifica.

Uso de agrotóxicos

Brugliato defende que os agrotóxicos, também chamados defensivos agrícolas, tiveram grande participação no controle de pragas e doenças nas lavouras, “de modo que sem eles, provavelmente para alimentar a parcela mundial da população que tem acesso a alimentação, seria necessário desmatarmos ainda mais as florestas do planeta”, esclarece. Contudo, fala sobre os malefícios causados pelo uso constante e de maneira indiscriminada na agricultura, atribuindo alternativas tecnológicas (citadas acima), evitando maiores danos a quem consome os alimentos, inclusive, reduzindo destruições aos ecossistemas envolvidos na cadeia produtiva.

“Este processo é relativamente recente, porém é um processo sem volta na cadeia produtiva do agronegócio, que caminha cada vez mais para reduzir o uso destes defensivos, e/ou substituir estes por alternativas orgânicas ou manejos que permitam a convivência entre a cultura e as pragas no campo, sem causar danos econômicos para a agricultura, e nem desequilíbrios para os ecossistemas”, completa.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

CAPTCHA