Reprodução – Universal School of Music

Músicos falam de suas experiências e da importância dessa manifestação artística

Por Thaís Ferrari

No Brasil, o Dia do Compositor é comemorado em 07 de outubro, data que homenageia os artistas que, a partir de suas letras e arranjos, compartilham ideias, relatos de vida, sentimentos, protestos e ensinamentos. Na realidade as possibilidades na hora de compor são infinitas, visto a tamanha diversidade no cenário musical brasileiro. Por isso, propagar uma mensagem clara, efetiva e com conteúdo é um dos maiores desafios dos compositores. Conversamos com três músicos de Valinhos e região para compreender o cenário e as vivências de ser compositor.

Para Diego Souza, 35, instrumentista no Melancolia Lettícia, vocalista e instrumentista na “Oceanos Misteriosos” e professor de violão, a profissão é extremamente competitiva e segmentada, pois há cantores, bandas e duplas que já têm seus próprios compositores, como é o caso de Sorocaba, da dupla Fernando e Sorocaba, “além de produtor de algumas duplas, é o compositor”, explica. Segundo Ricardo Tardelli, 49, não é fácil tentar viver desse ofício no país, “acho até que quando passei a viver a música e a composição sem o peso de ser um profissional, o resultado foi melhor”, comenta. Ele ainda diz que poderia ser mais valorizado e reconhecido, “tem compositores que ganham muito e outros nem tanto, mas vai melhorar, estamos em evolução”, defende.

Sobre o processo criativo e as inspirações, Arlan Fernandes da Silva, 27, que é rapper, MC, poeta e compõe há um ano, conta que se espelha em cantores e grupos como Emicida, Projota, Racionais, Sabotage, entre outros, contudo, “minha inspiração maior vem da minha própria história”, destaca. Ele prefere compor no meio digital e se baseia em lembranças ou sonhos, experiências de vida e do dia a dia. Diferente de Arlan, Diego (que compõe há cerca de 20 anos) e Ricardo (que escreve desde a adolescência), preferem utilizar o papel no momento de expressar suas ideias.

Tardelli explica que, quando se trabalha com música nem sempre a criação é produto de inspiração, “às vezes é fruto de transpiração também”. Suas letras comunicam coisas da vida, amores, aprendizados, até mesmo estórias, que ele define como “coisas da criatividade”. Tem como referência Tom Jobim, Roberto Carlos, “nessa questão de definir ‘quem eu sou’ como compositor deixo para o ouvinte decidir; espero que o Ricardo se pareça com o Ricardo mesmo, pois identidade é tudo na arte”, ressalta. Com composições mais voltadas ao Rock, Diego apresenta aquilo que vive ou já viveu, e as inspirações surgem com o violão à mão, “quando vejo que o arranjo é interessante, tento colocar uma letra, mas o inverso também acontece; às vezes a letra surge primeiro e preciso encontrar um arranjo”, esclarece. Também comenta que estar conectado ao mundo é essencial, “olhos, mente e coração abertos”.

Os músicos entrevistados concordam que os compositores têm um papel importante na sociedade, já que exteriorizam situações que muitas pessoas sentem e vivem, acabam sendo formadores de opinião. “Por isso temos que pensar bem no que escrever e cantar para as pessoas. O que toca o coração de quem escuta, é o coração de quem canta”, define Arlan. Tardelli acredita que a música é uma maneira agradável de entrar na vida das pessoas. “Seja para levar alegria, diversão ou pra refletirmos sobre algum assunto da vida”, relata. Já Diego, interpreta que os compositores acabam sendo representantes estilísticos, “por assim dizer”. O trabalho deles podem ser conferidos e acompanhados pelas redes sociais. No Facebook, basta buscar por Arlan Fernandes, Ricardo Tardelli, Oceanos Misteriosos e Melancolia Lettícia (Diego Souza). Também estão no YouTube: Dex emici (Arlan), Melancolia Lettícia TV (Diego) e Ricardo Tardelli.

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