Dr. Antônio Bueno Conti, clínico e cirurgião geral de Valinhos

Clínico e cirurgião geral contabiliza 57 anos de carreira

Por Thaís Ferrari

Para celebrar o Dia do Médico, datado em 18 de outubro, entrevistamos um dos primeiros e mais tradicionais médicos de Valinhos: Dr. Antônio Bueno Conti, 81 anos. Esteve como vereador e Secretário de Saúde no município em ocasiões passadas, e hoje contabiliza 57 anos de profissão. São 40 anos como cirurgião geral e mais de 10 anos como clínico geral, “médico de família”, define. Dr. Conti diz que a carreira é gratificante e afirma que os médicos são os poucos profissionais que têm a oportunidade de fazer o bem aos outros, “por isso eu acho a medicina maravilhosa”.

Nessa longa trajetória, carrega diversas histórias e momentos marcantes, um deles bastante significativo quando ainda era residente, com 26 anos. Integrando um grupo de 15 a 20 pessoas do Hospital de Clínicas da UNICAMP, dentre médicos, dentistas e enfermeiros, foram para uma ação no Vale do Rio Araguaia, atender e conhecer a população local. Dr. Conti se hospedou em um convento de Frades Dominicanos, na última cidade, em Conceição do Araguaia, no Sul do Pará. O médico foi o cirurgião responsável do grupo, e por isso levou consigo uma caixa com instrumentos cirúrgicos para fazer uso se necessário. Em resumo, no último dia de atendimento, surgiu um caso de emergência. Um menino de 10 anos havia levado um coice de cavalo na barriga e os colegas buscaram por Conti. “O hospital era um casarão de chão batido, a sala de cirurgia era tijolada, a mesa de cirurgia era aquela de curativo, a iluminação uma lâmpada pendurada”, relembra. Ao colocar a mão na barriga do menino, notou que se tratava de uma hemorragia e de baço rompido. Chamou o pai da criança e explicou a situação delicada, “ou ele opera ou morre; o pai falou: opera”, conta emocionado. Apesar das péssimas condições, sem anestesista, soro ou sangue, Dr. Conti, com ajuda de outro residente, operou o garoto em menos de 30 minutos, salvando sua vida.

Sobre a medicina atual, o médico aponta os avanços e mudanças, como por exemplo, os diagnósticos que são baseados e fundamentados em evidências, através dos inúmeros exames existentes. Com isso, há um encarecimento demasiado, proporcionado pelas tecnologias. “No meu tempo, há 50 anos, não havia recursos de exames, apenas alguns exames de sangue que davam para contar nos dedos, alguns de radiografia, exame de urina simples, mas bastante pobre”, conta. Os médicos faziam o diagnóstico clínico, ouviam os pacientes atentamente, questionavam sobre a dor e examinavam, colhendo mais elementos, culminando em um “provável diagnóstico”. Posteriormente, realizavam o tratamento, que também era precário, “hoje é muito mais fácil ser médico”. Nos dias de hoje, Dr. Conti ressalta ainda a medicalização – uso abusivo de remédios, principalmente pela grande variedade das indústrias farmacêuticas. Quanto aos pacientes, acredita que as pessoas tenham desenvolvido uma consciência nos últimos anos sobre os cuidados com a saúde, investido na prevenção e na qualidade de vida. “Mesmo com todas as deficiências que ainda temos no campo da saúde no Brasil”, completa.

Apesar dos progressos, a relação de confiança entre pacientes e médicos tem diminuído. “É absolutamente essencial na medicina que haja esse vínculo cliente-médico, é um impulso quase que emocional que ajuda a curar”. Dr. Conti valoriza esse contato, nunca atendeu os clientes com pressa, priorizando pela paciência e pelo cuidado. “Isso me faz bem, eu não parei de trabalhar ainda por causa disso”, argumenta. Para aqueles que encararam a profissão, o médico evidencia a importância da responsabilidade, seriedade e de muito amor. “Poucas carreiras te dão essa oportunidade de você fazer o bem”, finaliza.

 

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