Reprodução: Ilustração sapateiro

Seu Nelson trabalha com calçados desde os 14 anos

Por Thaís Ferrari

O Dia do Sapateiro é comemorado anualmente em 25 de outubro, data que enaltece uma das profissões mais antigas que existem. Atualmente, poucos profissionais ainda atuam na área, por conta do aumento da produção em massa das indústrias calçadistas. Em conversa com o lojista Nelson Maziero, 78 anos, da Nelson Calçados – há 50 anos instalada em Valinhos, ele relata sua trajetória como sapateiro e a influência do ofício na abertura de seu negócio.

Seu Nelson conta que na época os mais velhos normalmente indicavam a arte de fabricar sapatos para os jovens, como opção do primeiro o emprego.

“Eu trabalho com calçado desde os 14 anos de idade, sou sapateiro de verdade, daquele de tirar medida do pé e fazer o sapato sob medida”, comenta.

Ele relembra com gratidão aquilo que aprendeu com Antônio Ferrari, mais conhecido como Toninho, um relevante e conhecido sapateiro dos famosos do município. “Devo muito ao que aprendi com calçado a uma pessoa que eu não esqueço nunca, Toninho Ferrari, esse cara pegou um molecão de 14 anos para ensinar a trabalhar com calçado e felizmente deu certo”. No geral, o que mais fazia eram os consertos de calçados.

Em determinado momento da carreira, quando trabalhava na garagem da família Romazini na Av. Dom Nery, um indivíduo apareceu propondo uma parceria, oferecendo alguns sapatos para que seu Nelson vendesse, e que passaria para saber do resultado após 30 dias. “E eu nunca me esqueço, o sapato de homem chamava-se Cruz de Alta e o de mulher era Marilu. Praticamente aí que começou a loja”, explica. Maziero também leva em consideração que quando as pessoas gostam do que fazem, o trabalho continua e sai bem feito. “Uma boa parte das coisas na vida da gente é por Deus, pois quem diria que ia passar um cara que não me conhecia e não sabia quem eu era, mas confiou em mim. Veja se não tem um dedinho de Deus ai?”.

Sobre os sapateiros que resistiram ao tempo, seu Nelson acredita que logo estarão extintos. Um dos motivos apontados por ele é o material utilizado hoje em dia, com pouca durabilidade. “Na época, os sapatos eram em couro, de primeira qualidade”. Para reforçar sua fala, diz que recentemente estava conversando com uma cliente de longos anos, e ela estava usando uma sandália comprada quando a loja era localizada na Rua Quinze de Novembro, há 28 anos. “Naquele tempo você deixava um calçado no estoque cinco anos e não tinha problema nenhum, pelo contrário, você ganhava trabalhar com estoque. Hoje não vale a pena, porque 99% dos calçados femininos são sintéticos, então não tem a durabilidade de um couro, são outros tempos. Hoje é moda com material sintético”, argumenta.

Afinal, seu Nelson confessa que sua paixão são os sapatos, “se tivesse um segundo casamento seria com os calçados”, brinca. Lembra ainda que os sapateiros tem um anjo da guarda e protetor – São Crispim. “A grande verdade é o seguinte, cada ser humano no decorrer da vida, principalmente chegando na minha idade, tem uma história para contar”, completa.

 

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