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O feriado é uma homenagem àqueles que se foram

Por Thaís Ferrari

Nesta sexta-feira, 02 de novembro, é celebrado o Dia de Finados, feriado religioso que homenageia as pessoas que já deixaram o plano físico. Tradicionalmente, no Brasil, faz parte de um costume católico em que os fiéis frequentam os cemitérios para visitar as sepulturas de seus entes queridos, fazem orações e enfeitam os túmulos com flores e velas. Entretanto, existem outras manifestações religiosas no país que encaram a morte a partir dos ensinamentos adquiridos nos cultos, trabalhos e reuniões, além de celebrarem a data de maneira distinta do catolicismo.

De acordo com o Vigário Paroquial da Paróquia de São Sebastião de Valinhos, Padre Tarcísio Pereira Machado, a vida não é tirada dos indivíduos, mas sim transformada. A comunidade de fé acredita que eles foram chamados à casa Paterna, para estar junto e ao lado de Deus. “Inclusive há um prefácio da missa no Dia de Finados que estaremos rezando: ‘essa vida não é tirada, mas ela é transformada, já que somos criados a imagem e a semelhança de Deus’”, explica. Na religião evangélica, a morte é a finalização desta vida e o início de outra, chamada de Vida Eterna.

“Esta vida pós-morte se dará apenas em dois lugares, ao lado do Deus Poderoso que enviou o Seu filho para nos salvar ou distante dEle por toda a eternidade”, relata Humberto de Carvalho Oliveira – Pastor titular da Segunda Igreja do Nazareno de Campinas.

Para o Pai Luís e a Mãe Silene da Tenda de Umbanda Unidos em Oxalá, o Dia de Finados é como um dia qualquer, pois segundo a religião o corpo físico é somente um meio para o espírito cumprir sua missão. “Acreditamos na reencarnação, portanto quando alguém falece é somente uma passagem. A morte do corpo físico é ou deveria ser tratada de forma natural, em que a pessoa falecida cumpriu sua missão nessa encarnação. Com certeza choramos pela falta do ente querido que não estará mais entre nós no dia a dia. Mas em particular não há dor e sim a tristeza por não mais conviver”, esclarece Luís. Ainda diz que a Umbanda é uma das religiões que mais respeita as tradições e religiosidades individuais e que essa é uma perspectiva da casa e direção da Unidos em Oxalá, existindo outras formas, de acordo com o meio que o médium de Umbanda foi criado. No Espiritismo, segundo o escritor e palestrante espírita André Luiz Rosa, a morte é um fenômeno biológico natural e que ocorre no organismo físico. Quando a atividade desse corpo termina permanece apenas o espírito, que sobrevive ao corpo e é imortal. “Após a morte do corpo, retorna o espírito à sua condição natural de espírito, e permanece assim no plano espiritual”, comenta.

No Budismo, por exemplo, o conceito vai além da noção de que a vida se inicia com o nascimento e termina com a morte. “O budismo compreende a essência da vida como um todo, manifestando-se ativamente como nascimento e persistindo de forma dormente como morte, em um fluxo que se alterna eternamente”, afirma Hugo Benjamin, membro do Budismo de Nichiren Daishonin, do Distrito Valinhos. Segundo Julio César Correia, que é o responsável pelo Distrito da cidade, que engloba os municípios de Valinhos, Vinhedo e Louveira, e possui 160 famílias membros do Budismo de Nichiren Daishonin, associadas à BSGI (Brasil Soka Gakkai Internacional), a morte assemelha-se a dormir, ato que traz o descanso necessário para despertar novamente.

“O propósito da morte é fazer a vida brilhar mais intensamente, ao passo que a vida consiste na atividade inata da existência. Vida e morte não se encontram em posições opostas; a morte existe em benefício da vida”, argumenta.

Pela Igreja Católica, haverá ações no Cemitério Municipal São João Batista – que espera receber cerca de oito mil pessoas nesta sexta-feira, com missas na Capela da Ressurreição. A primeira será às 7h pelo Padre Dalmírio Amaral, da Paróquia de São Sebastião. Às 9h a celebração será do padre Maurício Inácio da Silva, da Paróquia De São Cristóvão.  O padre Alessandro Tavares, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, celebra a missa das 15h e a última missa, às 17h, será celebrada pelo padre Rogério Cancian, da Paróquia Beato José de Anchieta. Padre Tarcísio também fala que haverá benção nos túmulos, “recordando aqueles que ali foram depositados e merecem nossa consideração, nosso respeito, e, sobretudo é um dia do sentimento da gratidão, pelo dom da vida dessas pessoas”, completa.

Na 2ª Igreja do Nazareno de Campinas acontece uma ação envolvendo os membros da comunidade, com o propósito de orar e consolar aqueles que visitam os túmulos no Dia de Finados. “Um grupo está preparado e identificado com camisetas portando o tema “Eu compreendo a sua dor” e a orientação é entrar no Cemitério da Saudade e adjacências para orar, conversar e ajudar pessoas durante o dia”, alega o pastor Humberto. No Budismo, membros de Valinhos e região participam de cerimônias em memória dos falecidos, realizadas no Centro Cultural da BSGI de Campinas, no Palácio Memorial da Paz Eterna – localizado em Itapevi-SP ou mesmo em suas residências. “São Cerimônias nas quais se realizam as orações em memória dos falecidos e se oferece incenso”, conta Hugo.

Tanto na Doutrina Espírita como na Umbanda não há nenhuma celebração específica no Dia de Finados, “a não ser uma prece pelos espíritos que não mais estão encarnados (que já deixaram o corpo físico)”, comenta André Rosa. Já na Umbanda, Pai Luís destaca que a sexta-feira santa é um momento de “resgate”, em que os espíritos que não aceitam a passagem e não se desprendem da vida material, externando uma energia negativa, fazem uma roda de oração em prol de seus encaminhamentos, “para que a seara de luz possa mostrar um novo caminho”.

Independente da religião e da manifestação de fé, todas mencionadas anteriormente concordam que é importante lembrar com carinho dos entes que já se foram e ainda manter os ensinamentos e lembranças deixados por eles.

“Temos que valorizar o dia a dia, poder dizer eu te amo quantas vezes for possível. Visitar os parentes e amigos nos asilos, hospitais, tratar bem as pessoas. Só assim conseguimos mostrar respeito e amor”, finaliza Pai Luís.

 

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