Mirian Santos com professores, mestres e alunos da UFMS na ocasião

Foram apresentadas três temáticas nos eventos em Campo Grande

Por Thaís Ferrari

Nos dias 25 e 26 de outubro, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ocorreu o Seminário Temático de Educação Especial e o II Encontro de Estudantes de LIBRAS da instituição, organizados por Shirley Vilhalva, mestre, professora e uma das lideranças do Movimento Surdo Nacional, em parceria com a professora doutora Mariuza Guimarães. A militante do Movimento Surdo de Valinhos, Mirian L. F. dos Santos Silva, especialista em Educação Especial e Inclusiva e Mestranda em Educação de Surdos, pôde agregar com sua experiência na causa apresentando três palestras.

A primeira, intitulada “O ensino da língua portuguesa escrita como segunda língua para surdos”, faz parte de um projeto idealizado pela professora doutora Lilian C. R. Nascimento, da Faculdade de Educação da Unicamp, da qual Mirian participa. “O objetivo foi explicar a importância da metodologia visual para a aprendizagem do aluno surdo, muito diferente da metodologia utilizada para aluno ouvinte que parte da oralidade. Enquanto a criança ouvinte aprende através da audição, a criança surda aprende por meio da visão”, explica.

Já a segunda palestra – “O discurso sobre surdez e o discurso dos surdos”, teve como foco despatologizar os discursos a respeito da surdez e trazer o conceito a partir da perspectiva de pesquisadores surdos. “De acordo com os pesquisadores doutores surdos, Gladis Perlin e Wilson Miranda, ser surdo é uma questão de vida. Não se trata de uma deficiência, mas de uma experiência visual”, ressalta. Os pesquisadores desmistificam a visão que se tem dos surdos como deficientes, trazendo a reflexão de que são indivíduos em um contexto de diferença linguística.

“Desta forma, é possível entender que a surdez é apenas uma diferença e não uma deficiência. Outro ponto abordado foi o esclarecimento de que o surdo não é mudo, é apenas surdo”.

Na terceira palestra Mirian apresentou sua pesquisa de mestrado que está sendo realizada na Faculdade de Educação da Unicamp – “Produção acadêmica (on line) de pesquisadoras pós-doutoras surdas no Brasil – temas em debate”. A proposta é identificar o modo como pós-doutoras surdas pesquisadoras, como Gladis Perli (primeira doutora surda do Brasil e da América Latina), Marianne Stumpf e Silvia Witkoski, se inserem nos debates educacionais como protagonistas surdas, “como estas têm contribuído para o desenvolvimento dos Estudos Surdos que se configuram como um campo de pesquisa já consolidado”, completa. Todas as apresentações contaram com acessibilidade para os surdos presentes.

Palestras de Mirian teve acessibilidade para surdos

Participaram da ocasião alunos de graduação, de pós-graduação, professores universitários surdos e ouvintes e de profissionais da área. Segundo Mirian, foi um momento bastante rico de trocas de conhecimentos, experiências e aprendizados. “Estar em um ambiente acadêmico com outros profissionais é muito enriquecedor, a troca é sempre significativa, principalmente quando se está em contato com outras realidades”. Por fim, agradece a professora surda Shirley Vilhalva pelo convite e pela oportunidade de contribuir com seu trabalho e pesquisa. “Foi realmente um momento marcante para minha carreira profissional e muito gratificante para a minha vida”, complementa.

 

 

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