Tattiane Yu B. Marques, Plínio Marcos Tsai e Cibele P. Busch Furlan da ATG

O ensino acadêmico está em desenvolvimento e visa o credenciamento junto ao MEC

Por Thaís Ferrari

Na última sexta-feira, dia 16 de novembro, aconteceu a Solenidade de Formatura da primeira turma de Budologia, no Monet Espaço e Buffet. São dez formandos que iniciaram os estudos em 2008 na ATG-ITBC (Associação TathagataGarbha | Instituto de Estudos das Tradições Budista e Cristã), sediada em Valinhos, no bairro Castelo. O curso foi totalmente EaD (digital), englobando alunos de outros estados, mas também de maneira presencial para aqueles que moram na cidade e na região.

O fundador da ATG-ITBC, professor doutor em Budismo Tibetano Gelug pela JDKZ (graduado em Taiwan na China, com mestrado e doutorado na Itália) e atualmente doutorando pela UNICAMP, Plínio Marcos Tsai, esclarece que no início havia uma série de impasses, os alunos não tinham tempo e algumas aulas ocorreram de madrugada, por isso o período de dez anos para finalizar a formação, “essa turma foi a turma do teste”, brinca. O professor conta que houve mudanças no currículo básico, agora mais estruturado e acadêmico, com reconhecimento internacional pela World Buddhist Sangha Council (2014) e pela International Buddhist Confederation (2016), além da Utilidade Pública Municipal de Valinhos (lei No 5.559, de 28 de novembro de 2017).

“A gente tem muito pouco sobre Budologia aqui no Brasil, o que temos são cursos tradicionais. O meu preparo indo pra China todo final de ano não valeu de muita coisa, porque a experiência prática é outra, tive que aprender a me moldar ao pensamento brasileiro nesse aspecto”, relata. A questão da representatividade feminina é bastante presente no curso, já que a maior parte dos formandos é constituída por mulheres. Plínio explica que no Oriente há uma grande pressão nesse aspecto – a falta de monges nos estudos, e por conta disso teve que “enfrentar o fluxo contrário”, fugindo dos padrões.

“É um rompimento muito simbólico e muito importante que está vindo com essa turma, para a história do budismo internacional também. Manter como Buddha manteve, é uma briga da ATG, mulheres e homens têm que ser iguais”, completa.

No geral, o objetivo do estudo acadêmico é ampliar cada vez mais o diálogo entre o Oriente e o Ocidente. O budismo universitário tem foco nas áreas de Teoria da Moral e Ética Budista, História da Tradição Budista Indiana, Teoria da Meditação Budista e Teoria da Realidade, para os indivíduos que têm uma mente mais questionadora e que pretendem se aprofundar na compreensão da realidade. O ensino acadêmico está em fase de desenvolvimento e objetiva o credenciamento junto ao MEC (Ministério da Educação), para que se torne uma profissão assim como a Teologia, Filosofia, Ciências Sociais. “Embora a Budologia seja um estudo acadêmico, ela acaba abrindo para si mesmo, é um grande benefício para essas áreas pessoais e tem um impacto social”.

Além disso, a ATG – que está instalada em Valinhos desde 2013, viabiliza formação geral budista, com encontros e reuniões gratuitos, em que as pessoas expõem seus problemas, conversam sobre Buddha e os ensinamentos deixados. Segundo Plínio, a associação oferece uma espécie de modo de vida. “Temos também a herança cultural da minha família italiana, com a Teologia Católica. Por isso temos essas duas frentes – precisamos entender a nossa realidade, e para entender nossa realidade temos que entender os fundamentos da tradição”. Os associados têm acesso à plataforma virtual e a todos os cursos da ATG – menos Budologia – sem qualquer tipo de taxa. “Hoje nós temos professores da USP, da Unicamp, monjas de Valinhos, Campinas e Piedade. E um monge americano da Califórnia”.

Outras ações são de caráter social e voluntário, com a contribuição dos associados, alunos e professores. “Para o próximo ano, estamos com um projeto de expansão para as escolas do município, promovendo uma mostra cultural, também nos temas relacionados à saúde, direito, ética, moral, música, arte e que envolvem as próprias aptidões dos associados”, informa Cibele P. Busch Furlan – presidente da ATG-ITBC.

Os interessados em conhecer o espaço da ATG devem entrar em contato com a representante Tattiane Yu B. Marques e marcar um horário, através do e-mail contato@atg-itbc.com.br, telefone ou whatsapp (19) 4115-0111. “Há o reconhecimento de utilidade pública municipal, nosso objetivo é chegar até estadual, e em um futuro muito próximo também federal. Estamos empenhados em se tornar uma fundação”, finaliza Plínio. Mais informações no site www.atg-itbc.com.br.

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