(Foto Reprodução - Crédito: Mauro Penido)

Vereador Mauro Penido foi até a unidade e se pronunciou nas redes sociais

Por Thaís Ferrari

As redes sociais têm sido canais de comunicação bastante atuantes no que diz respeito à liberdade de expressão. Munícipes compartilham quase que diariamente suas indignações sobre o munícipio, como, por exemplo, a situação do asfalto, os estabelecimentos, a falta de remédios e a tão comentada UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Nesta semana, publicações em grupos da cidade mostraram o descontentamento com relação ao atendimento da unidade, além da visita e pronunciamento do vereador Mauro Penido (PPS), que esteve no local com sua equipe para constatar as denúncias.

Munícipes insatisfeitos

A reclamação mais comum é a demora no atendimento, resultado da lotação excessiva vista na maioria dos dias. No domingo (16), uma munícipe afirmou em uma publicação que sua mãe chegou a UPA 11h da manhã com “fortes dores do lado direito abaixo da cintura”. Foi atendida pelo clínico geral, que disse a ela que poderia ser rim ou as costas, receitando dois anti-inflamatórios. Ela assim o fez, contudo as dores não passaram. Retornou ao médico e tomou um analgésico, mas também sem sucesso, até que receitaram morfina, “detalhe, sem ter feito exame clínico nenhum”, conta a filha. Pediram que a paciente tomasse morfina de duas em duas horas, durante todo o dia. À noite, quando trocou de médico, este receitou outro analgésico e solicitou exame de sangue. “Acontece que minha prima foi lá e encontrou minha mãe dormindo na cadeira da recepção e levou ela embora, isso já era 22h; minha mãe continua com dor e não quer voltar na UPA”, completa.

A munícipe ainda diz que tem uma vó acamada “decorrente de uma série de erros da UPA”. A situação da avó se deu após a idosa frequentar o local durante uma semana, e só após esse período foi internada, “e operada as pressas com duas hérnias, obstruindo o intestino; desde que mudou a administração da UPA ficou largada e muito ruim”. Em outra publicação, moradores compartilham mais uma vez suas experiências na unidade. Uma delas cita que esteve no local no sábado (15) e que presenciou um idoso de quase 70 anos “gemendo de dor”, e que foi atendido 5 horas depois. Outra mulher conta que esteve na UPA na quinta-feira (13) com dor no ombro, e o médico que a atendeu não a examinou, apenas solicitou que ela comprasse um analgésico, “achei muito chato, se eu soubesse nem tinha ido pra não perder o tempo de ficar lá das 7h30 as 10h30”.

Vereador visita a unidade

O vereador Mauro Penido (PPS) visitou a unidade na terça-feira (18), e em seguida fez um apelo nas redes sociais. Inicia o texto com o título “ATENDIMENTO NA UPA VALINHOS É CAÓTICO”, cita que a visita se deu após receber vários telefonemas e reclamações, além de notar as manifestações nas redes sociais. Mauro destaca que constataram o descaso e a falta de respeito com a população de Valinhos. Ouviram moradores que estavam na unidade e alguns relatos. Uma gestante chegou a UPA às 8h da manhã, e saiu de lá às 14h30, “sem ser medicada e apenas com uma declaração de comparecimento para levar ao emprego”. Outro munícipe disse que chamou a ambulância para buscar um familiar impossibilitado de se locomover às 10h, e a chegada do veículo ocorreu apenas às 14h, “isto depois de quatro telefonemas: contatou dois vereadores, a assessoria da Vice Prefeita Laís e ainda um Diretor da área de esportes que conhecia”. Mauro ressalta que o panorama atual da UPA são três médicos atendendo “lentamente”, sala de espera lotada e pessoas aguardando do lado de fora “sentadas na rampa de acesso”.

(Foto Reprodução – Crédito: Mauro Penido)

O vereador e sua equipe permaneceram na unidade de 15 a 20 minutos, e nesse tempo somente uma pessoa foi chamada para consulta através do painel eletrônico. “Constatamos que a demora não se justificava, uma vez que não haviam urgências sendo atendidas. No último dia 12 de dezembro a Prefeitura anunciou a implementação na UPA do Sistema de Classificação de Risco para agilizar e priorizar atendimentos, no entanto tudo indica que a classificação não funciona se a funcionalidade do serviço estiver comprometida”. Ao final da publicação, o parlamentar faz um apelo ao prefeito Orestes Previtale, pedindo que realize a abertura de “novas frentes de pronto atendimento na cidade (já sugerimos a ativação das UBS Paraíso e São Marcos como pronto atendimentos) e desafogamento deste serviço”. Ainda diz que continuarão cobrando, já que Valinhos foi modelo na região e no Estado, e “hoje passa por ausência de gestão, desumanização do atendimento e falta de respeito com o povo”, completa.

Contrapartida

Em meio às reclamações – em uma das publicações, um munícipe expôs sua opinião dizendo que considera o atendimento satisfatório “diante dos problemas que todas as cidades estão enfrentando com a crise”. Ele ainda afirma que notou grande quantidade de pessoas de outras cidades nas vezes que esteve na UPA, principalmente de Campinas, “por conta do péssimo atendimento do Ouro Verde e Mario Gatti”. Para reforçar sua fala, diz que alguns amigos dele que são UBER comentam que “trazem muita gente de Campinas”. E conta também que em diversas oportunidades, quando aguardava atendimento, conversou “com pessoas e mais da metade vem de fora”.

Mas, o morador ainda diz que entre triagem, atendimento, medicação e saída nunca aguardou por tempo excessivo. “Não estou aqui para defender o Prefeito nem o secretário da saúde, nem afirmo que tudo está uma maravilha não, sempre tem o que melhorar, mas quero deixar meu depoimento sincero e minha colaboração com uma sugestão. Vinhedo, por exemplo, até atende emergências sem restrição, mas para conseguir exames complexos, internações, cirurgias, etc., os moradores fazem um cadastro através do título de eleitor. Com isso, somente moradores da cidade conseguem atendimentos mais complexos (que são os que mais consomem verbas na saúde)”, acrescenta.

Resposta da Prefeitura

Em contato com a assessoria de imprensa oficial, confirmaram que não há falta de médicos na UPA e que as três especialidades atendidas no local (clínico geral, ginecologia e pediatria) estão com os profissionais em atendimento. “A média de espera no atendimento na UPA é de duas horas, semelhante ao tempo de espera em grande parte dos hospitais privados que atendem planos de saúde na região. No local, foi implementado recentemente o sistema de triagem e classificação do paciente, que dá prioridade para os casos mais graves e acaba deixando os casos menos graves com um tempo um pouco maior de espera. Os picos de espera em dias de demanda elevada e para os casos menos graves podem chegar a cinco horas, mas são exceções pontuais”.

Sobre o atendimento de moradores de outros municípios, a assessoria destaca que o Ministério da Saúde determina que todo atendimento de urgência e emergência não pode ser negado a nenhum cidadão, independente do município onde ele vive. “Ou seja, a UPA tem obrigação de atender qualquer cidadão que a procure”. A média de atendimentos por dia na unidade é de 500 pessoas, “sendo que 34% (trinta e quatro por cento) desse atendimento é de pessoas de outras cidades, como Campinas, Vinhedo e Itatiba”. Por fim, ressaltam que boa parte dos atendimentos poderia ser feitas nas UBSs – Unidades Básicas de Saúde, principalmente os casos menos complexos. “Porém, as pessoas acabam indo à UPA por desconhecer essa situação. Nos bairros elas seriam atendidas muito mais depressa e desafogariam a UPA”.

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