Pela terceira vez moradores e voluntários se unem para revitalizar área ecológica no último final de semana

Por Alef Gabriel

As atividades do plantio aconteceram no ultimo domingo, dia 20 de janeiro, quando grupo de moradores e ativistas ecológicos se dispuseram a plantar mudas nativas, florestais, frutíferas do bioma Mata Atlântica (em torno de 60 delas) às margens do Córrego Bernardino Alves Cardoso, localizado em área institucional do Bairro Parque das Colinas em Valinhos.

O Córrego foi recentemente denominado pela Lei municipal nº5705/2018, que faz uma homenagem ao Seu Bernardino, como era conhecido, pela sua enorme contribuição e dedicação á agricultura e jardinagem. Seu Bernardino também foi antigo morador da Fazenda Espírito Santo, local esse em que o Córrego tem seu leito e passagem antes de desaguar no Ribeirão Pinheiros. Conversamos com Adriano Tonon, neto de Seu Bernardino, e este conta que a idealização do projeto foi de Juliano Fujita (técnico agrônomo) e de Valéria Lopes (relações públicas). Ambos contribuíram com o Vereador Alécio Cau, na pesquisa e formulação da proposta de batizar o local de Córrego Bernardino Alves Cardoso.

“O Seu Bernardino, como era conhecido, foi um senhor que viveu a Natureza. Sempre trabalhou na roça de forma simples e humildemente. Trabalhou na Fazenda Espírito Santo, na Fazenda Fonte Sônia e no Campo do Formiga. Negro, nascido em 1902 viveu até os 108 anos. Eu, como neto dele, tento imaginar como foi crescer e trabalhar logo no começo do século. Uma coisa que me chamava atenção, o Seu Bernardino nunca ficava bravo, nunca falou um palavrão, nunca desrespeito ou brigou com as pessoas. Sempre muito ponderado e respeitoso. Acho que cuidar desse local é cuidar de um pedaço da história de Valinhos”, relembra o neto do homenageado.

Adriano que esteve presente na ação ecológica fala da importância de projetos como este, ele conta que Valinhos já é uma cidade que vem apresentando problemas típicos de cidades mal planejadas urbanisticamente. “Já se formam as chamadas ”ilhas de calor”. Acontece pela precariedade de áreas verdes nos centros urbanos. Não existe uma política pública clara e eficaz de cuidados com a arborização nestes espaços. Pelo

contrário, quando uma árvore é retirada de uma calçada, não se planta outra”, explica Adriano.

Além de manter condições favoráveis a um corredor ecológico naquela região, garantindo a preservação do manancial e o fluxo de animais e de sementes, Tonon conta que a homenagem realizada na área do plantio traz uma simbologia muito especial, a de vincular o nome e história de um cidadão valinhense à nossa cultura.

Alguns anos atrás essa mesma área recebeu uma recuperação com plantios, porém em um processo de capina por funcionários da antiga administração, o trabalho acabou sendo destruído. Houve uma segunda tentativa, porém novamente uma manutenção cortou a maioria. Desta vez houve um cuidado em proteger as mudas, assim como conseguir mudas maiores, mais resistentes e mais fácil de serem visualizadas pela equipe de corte. Elas também receberam uma marcação/proteção com bambus e essa terceira ação foi inclusive aprovada pelo DAEV, explica Tonon.

Adriano finaliza dizendo que a região é muito bonita, muito calma e com uma extensa arborização na área que já é institucional. O problema, segundo neto de Seu Bernardino, é que a população vem a tratando muito mal, jogando lixo, muito plástico. Além disso, ele diz que gostaria de ver a área com ciclo faixas e lugares para caminhar, e até alunos de escolas próximas pudessem ter aulas de biologia prática, utilizando-se da área que começa a ser restaurada novamente.

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