Confira entrevista dada pela nova Secretária da Saúde

Carina Missaglia é servidora concursada e há 30 anos trabalha na rede pública

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Carina Missaglia é servidora concursada e há 30 anos trabalha na rede pública

A nova secretaria de Saúde de Valinhos, enfermeira e especialista em Saúde Pública Carina Missaglia, é servidora concursada e há 30 anos trabalha na rede pública do município. Ela assumiu a função esta semana e explicou que vai trabalhar com planejamento, metas e objetivos.

Formada em enfermagem pela PUC de Campinas e com especialização em Saúde Pública pela Unicamp, Carina foi diretora do Departamento de Vigilância em Saúde. Nesta entrevista, fala um pouco sobre suas expectativas em torno da nova função, dos desafios e de como pretende enfrentá-los.

Como você recebeu o convite do prefeito Orestes para assumir a pasta da Saúde?

Carina – Foi uma surpresa muito grande, embora, em outro governo, já houvesse sido sondada para o mesmo cargo, mas acabei declinando. De qualquer forma, foi uma surpresa agradável em que pese os desafios que terei pela frente. Acredito que, ao me convidar, o prefeito Orestes deve ter pesado minha experiência de 30 anos no serviço público, diretamente ligados à saúde, e depositou sua confiança em mim como alguém que possa colaborar para melhoria dessa área de fundamental importância para a vida em qualquer cidade.

Com sua experiência e conhecimentos na área de Saúde, quais você acredita serem os maiores desafios?

Carina – Em se tratando de saúde pública, o principal desafio são os recursos orçamentários. Hoje, um dos grandes problemas que enfrenamos é que os governos federal e estadual transferiram todas as responsabilidades com a Saúde Pública para os municípios, mas sem transferir os recursos necessários para sua manutenção. O cidadão vive na cidade, adoece na cidade e quer respostas rápidas na cidade. Em Valinhos há muitos desafios, mas nada impossível de ser sanado. Precisamos de pessoas certas no lugar certo. Quero que minha equipe de colaboradores, em todas as áreas da Saúde, entenda isso e esteja disposta a colaborar. Onde houver problemas ou algum processo travado, irei pessoalmente resolver.  Além disso, também enfrentamos o sério problema da sobrecarga que se encontra o Hospital das Clinicas da Unicamp, nosso hospital terciário, que não está aceitando mais pacientes, especialmente na oncologia, que exige urgência.

O que seu trabalho à frente do Departamento de Vigilância em Saúde pode lhe ajudar nessa missão?

Carina – Essa experiência de lidar com a equipe, acho fundamental. O Departamento de Vigilância em Saúde, que agrega a Vigilância Sanitária, a Zoonoses e a Epidemiológica, tem excelente atuação na cidade e ótimos resultados, como no controle da dengue, por exemplo.

Valorizar sua equipe é uma de suas metas?

Carina – Sim, a Secretaria de Saúde é a segunda maior em número de servidores, somos quase 800 servidores. É preciso valorizar no sentido de apoiar nas suas necessidades básicas e fundamentais para o exercício de suas funções, apoiar boas ideias e incentivar a equipe de colaboradores a atuar com olhos voltados para o resultado final, que é a saúde da população.

Qual sua receita para enfrentar os desafios e solucionar problemas?

Carina – Planejamento é tônica que pretendo aplicar na minha gestão. Como diretora da Vigilância, sempre primei pelo planejamento. Só conseguimos atingir objetivos e metas com planejamento.

Como está a dispensação de medicamentos aos usuários da rede municipal?

Carina – Ainda estou tomando pé da situação de cada departamento da Secretaria, mas, em relação à farmácia, as informações que recebi apontam para alguns problemas pontuais. Sei que os medicamentos da cesta básica do SUS estão em ordem, não faltam em Valinhos, o que é muito positivo. Porém, alguns medicamentos frutos de demandas sociais sofrem faltas pontuais. De outro lado, as demandas de ordem judicial, a chamada judicialização da saúde, acaba interferindo no contexto global. Esta semana mesmo tivemos uma demanda com valor muito alto para a compra de um medicamento e isso quebra qualquer orçamento ou planejamento. Por outro lado. Também é muito positivo na atual gestão a criação da nova Farmácia Central, que ficou melhor estruturada tanto nas necessidades da equipe farmacêutica quanto no que se refere ao atendimento dos usuários, que passaram a ter mais comodidade e conforto. Já solicitei um levantamento de todas as licitações em andamento para compra de medicamento e planejamento para as compras futuras.

Em relação ao agendamento de consultas com especialistas, exames e cirurgias eletivas, como equilibrar essa equação e colocar fim nas filas de espera?

Carina – No caso das consultas, acredito que em parte o problema será resolvido com o chamamento dos novos médicos do concurso público. Importante destacar que, em breve, uma parte do atendimento com especialistas irá ocupar o antigo prédio da farmácia na região do Bom Retiro e isso também vai trazer benefício aos pacientes. Além disso, vamos revisar os procedimentos de agendamento e de atendimento dos nossos especialistas para a melhoria no sistema. O mesmo será feito no procedimento dos exames, grande parte deles é feita a partir de contratos com laboratórios terceirizados. Em relação às cirurgias eletivas sou defensora da realização de parcerias, especialmente em relação às cirurgias de catarata, que apresentam grande demanda. Já estou em contato com o Penido Bournier e com a São Leopoldo Mandic para novas parcerias.

A UPA 24 Horas, como você analisa a situação desse importante braço da saúde pública?

Carina – Trabalhei diretamente na Unidade de Pronto Atendimento, a UPA, e posso afirmar que nosso maior problema não é a qualidade ou atendimento, mas sim a sobrecarga causada por pacientes oriundos de outras cidades, especialmente Campinas. Para se ter uma ideia, os pacientes do Ouro Verde e do Mário Gatti usam o Whatsapp para informar o tempo de espera em nossa UPA, quem em média é de quatro horas. Tirando isso, a UPA, que por determinação do prefeito passou por algumas mudanças, tem uma equipe ótima e novos médicos.

E em relação às UBS – postos de saúde?

Carina – Olho nosso sistema de Unidades Básicas de Saúde (UBS) como a base de tudo. Na verdade, a saúde preventiva, que é papel das UBS, precisa acontecer. Temos uma estrutura invejável de 14 UBSs em todas as regiões da cidade, sendo que duas delas, a UBS do Frutal, na região do Parque das Colinas, e a UBS Vila Itália, no Santo Antônio,  foram construídas neste governo. Mas a população não está acostumada a fazer o preventivo. Ela olha a saúde como pronto-socorro e remédio. Qualquer problema, vai logo se deslocando para a UPA. Nas UBS ela pode realizar o controle de sua pressão, da sua diabetes, receber orientação nutricional, realizar seu pré-natal, no caso das mulheres, enfim, uma gama de serviços que, se fossem aproveitados, trariam grande impacto na área das Saúde.  Prevenção é importante. Nosso trabalho na Vigilância era preventivo e educativo, pois um descuido em relação à manipulação de alimentos numa empresa ou restaurante pode resultar em contaminação e isso afetará diretamente a população. Quero promover campanhas educativas em relação a saúde preventiva.

Há algum projeto novo que você queira implantar?

Carina – Acredito que nesse começo o objetivo é dar conta da atual demanda. Mas falei com o prefeito Orestes sobre a ideia de ampliar o uso das práticas integrativas como complemento da medicina tradicional. Já temos acupuntura na rede e quero levar o reiki, a fitoterapia e os florais para toda rede, precisamos também trabalhar o emocional dos pacientes.

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