Nesta semana, este JTV destaca o desenhista Edson Vivaldo Cruz Alves de Rezende, de 16 anos.  O jovem é asperger, um dos estados do espectro autista.

Filho de Luciana Aparecida de Oliveira Cruz, de 43 anos, cozinheira na “Pizzaria Castelano” e Alvani Alves Rezende, de 46 anos, Edson mostra todo o seu talento nos desenhos, seu maior passa tempo.

Apesar de uma das características do transtorno sofrido por Edson é ter problemas para se socializar e dificuldades com interações sociais, Edson na entrevista, se mostrou empolgado e falou muito sobre o seu carinho e dedicação aos desenhos.

“Eu amo desenhar e vem tudo na minha cabeça, nos mínimos detalhes. E eu só pego referências, meus personagens são feitos por mim mesmo. Eu também uso coisas da realidade e o transformo em desenhos”, conta Edson.

“Esses dias ele gostou de uma roupa que eu estava usando e resolveu que vai desenhar ela em algum personagem. A minha filha mais nova, Isabella, 11 anos, tem uma gatinha de pelúcia, que ela ama e o Edson a transformou em um personagem de anime. Ele é muito criterioso e gosta das coisas perfeitas, ele refaz tudo, quando acontece o menor problema. Nós não temos muito espaço em casa, então ele usa o balcão da cozinha, se acontece algo com o papel, ele fica bem nervoso. E claro, os lápis dele precisam estar entre os melhores, às caixas custam em torno de R$150, isso porque eu não posso comprar as que ele realmente gostaria. Os lápis profissionais mesmo”, conta a mãe do jovem.

A mãe de Edson, Luciana contou um pouco mais sobre a infância e como foi o diagnóstico do jovem artista.  “Para mim ele não tinha nada, mas as escolas sempre me perguntavam se eu tinha certeza que ele não sofria de nenhum transtorno. Então, com sete anos, nós o diagnosticamos que de fato o Edson sofria com a ‘Síndrome de Asperger’”, explica Luciana.

A cozinheira relata que o filho só terminou a 9° série, pois tem dificuldades em ir para a escola, quando questionado sobre o motivo, Edson conta que, “quando me diagnosticaram com essa síndrome, os professores começaram a me dar lições inferiores aos outros alunos e iam me passando de ano, sem eu saber nada. E eu não gosto de ir diariamente para escola, todo dia, no mesmo horário, eu gosto de ficar em casa”, explica o jovem.

Edson começou a frequentar recentemente a APAE, onde é treinada a sua interação social, “eu gosto de lá, vou só uma vez por semana. Mas eu me sinto bem e quando eu conheço as pessoas, é mais fácil para eu conversar com elas. Eles me tratam muito bem e nós sempre conversamos bastante”, relata.

O jovem asperger também conta que, “precisei falar com o moço lá [psiquiatra] para que eu me sentisse bem vindo aqui, pois eu estava muito nervoso”.

“Ele também faz acompanhamento no CAPS [Centro de Atendimento Psicossocial Infantil], onde eles também reforçam a interação social dele. Ele vai lá e ajuda na horta, sempre em contato com pessoas”, explica a mãe do jovem.

O valinhense sempre volta o assunto para os seus desenhos, dos quais, ele está aprimorando no “Centro Cultural Vicente Musselli”, onde faz aulas de mangá há cerca de três meses. “Eu estou aprendendo diversas técnicas de pintura, como o reflexo. Tipo [ele mostra um desenho], ele está segurando esferas iluminadas azuis, então tem que refletir essa cor na roupa dele, como eu fiz”, conta animado.

Luciana também afirma que, “ele evoluiu muitos nos desenhos desde que entrou para o curso. A professora dele chegou a convidá-lo a ensinar outros jovens, pois as técnicas que são fáceis para ele, são bem mais difíceis para os outros alunos. Mas devido a sua dificuldade em interagir, ele [Edson] não quis”.

“Meu filho também já teve seus desenhos expostos na escola onde concluiu o ensino médio, na EMEB Jeronymo Alves Correa. A exposição era exclusivamente dele”, conta a cozinheira.

“Eu não gostei muito, fiquei com vergonha”, afirma o desenhista tímido.

Edson também contou em entrevista que seus primeiros desenhos eram dinossauros, pois os amava e que hoje, ao todo, já assistiu 68 animes, incluindo toda a saga de “Naruto”.  “Eu também gosto de cozinhar, eu levo jeito” relata o jovem, que provavelmente herdou o talento de sua mãe Luciana.

“Eu sonho em me tornar desenhista ou cartunista, mas desde que eu não precise atender os clientes”, finaliza o futuro e talentoso profissional.

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