Videolaparoscopia se torna a técnica mais usada em cirurgias de urgência

O uso da tecnologia em hospitais e laboratórios tem contribuído em muito para o avanço de tratamentos de saúde. O uso de videolaparoscopia em cirurgias de urgência e emergência aumentou significativamente nos últimos cinco anos.

Levantamento do Grupo Surgical, responsável por este tipo de atendimento cirúrgico em oito hospitais de Campinas, Valinhos e Vinhedo, aponta que, em 2015, apenas 4,7% das 275 apendicectomias (retirada de apêndice) foram feitas através de videocirurgia. Já no ano passado, dos 448 procedimentos, 99% foram realizados com a técnica, que é bem menos invasiva.

A apendicectomia é um dos tipos de cirurgia de urgência mais comuns, ao lado da colecistectomia (retirada da vesícula), que também tem sido cada vez mais realizada por videolaparoscopia. O levantamento realizado pelo grupo, que é formado por 12 cirurgiões de urgência e emergência, mostra que das 513 apendicectomias feitas em 2019, apenas três foram abertas.

“A videocirurgia tem um espaço cada vez mais consagrado nas urgências e emergências cirúrgicas. No passado, essa técnica era até contraindicada para casos como colecistite aguda grave e apendicite. Mas, hoje, temos indicações muito claras que mostram que a videolaparoscopia é a melhor opção para a maioria desse tipo de caso”, explica o CEO do Grupo Surgical, Bruno Pereira, que é cirurgião de urgência, emergência e trauma.

De acordo com ele, a evolução da técnica, com a chegada de novas tecnologias, novos dispositivos, material de maior qualidade e melhor definição da imagem, foi fundamental para o crescente uso da videocirurgia também em urgências e emergências. “Hoje, nós já conseguimos usar a videolaparoscopia também em casos de úlcera perfurada e trauma abdominal. Nosso grupo já utiliza até em cirurgias eletivas de obstrução intestinal. De fato, a videocirurgia não é mais o futuro. Ela é o presente. E só traz benefícios aos pacientes”, reforça.

Entre os benefícios estão, menos dor, recuperação mais rápida, incisões menores, menos riscos de complicação, menos tempo de internação hospitalar. “Com tudo isso, o paciente consegue retornar mais rapidamente à sua rotina”, explica o cirurgião. “Só realizamos a cirurgia aberta quando há alguma contraindicação, como instabilidade hemodinâmica ou cirurgia prévia que pode mudar o posicionamento dos portais. Há outras contraindicações, mas são muito pontuais”, comenta Bruno.

Na cirurgia por videolaparoscopia, são realizados pequenos furos na parede abdominal, onde são inseridas uma câmera e pinças de diversos diâmetros, de acordo com cada tipo de cirurgia. Para melhor visualização, o cirurgião injeta gás carbono para estender a cavidade abdominal. “Tudo isso nos permite realizar um trabalho muito seguro. Sem dúvida, é o tratamento cirúrgico padrão ouro”, completa o cirurgião.

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