Entrevista realizada em 2017 – Infelizmente, Mario Juliatto faleceu na manhã desta sexta (24)

Ele treinou diversos times grandes do país e se destacou por revelar grandes nomes do Futebol brasileiro como Bebeto e Rivaldo

Com o olhar distante, como se pudesse ver cenas antigas logo ali em seu jardim, Mario Juliatto volta no tempo para relembrar grandes histórias. Enquanto acumula brasa em seu Dunhill, o conhecido valinhense fala com grande prazer, na varanda da sua casa, sobre um dos seus maiores prazeres: o futebol, que começou a jogar aos 14 anos, como zagueiro, no Valinhense Clube. Porém, aos 22, teve uma lesão no joelho. O problema, na verdade, acabou sendo um ajuste de velas na sua carreira futebolística.

Técnico e título brasileiro pelo São Paulo

Mario Juliatto começou no time infanto-juvenil, depois foi para a Ponte Preta em 1969, onde ficou até 1974. A lesão no joelho lhe apontou sua função definitiva no gramado, a de técnico. Assim, primeiramente atuando nas bases de formação, revelou no time alvinegro nomes muito conhecidos da região para o estrelato como Carlos Gallo, Moacir, Oscar, Polozzi, Aloísio e Zé Roberto. De 1974 a 1980 trabalhou no São Paulo. No Tricolor paulista foi auxiliar técnico, a princípio de José Poy, assumindo várias vezes o time principal. Uma dessas vezes foi histórica: na final do Campeonato Brasileiro de 1977, junto com Rubens Minelli, sagrando-se campeão nacional pelo São Paulo, seu maior título pessoal. Ainda no São Paulo, revelou nomes como Zé Sérgio e Muricy, que viria a ser, anos mais tarde, vitorioso técnico ídolo do time. Ainda no Tricolor, fazia selecionamentos na Escola Ítalo Feola, que idealizou, fundou e coordenou.

Mario Juliatto relembrou sua trajetória e mostrou recortes de notícias antigas

Destaque em vários times

Depois, em 1980, treinou o Coritiba, onde se destacou ao levar o time da capital paranaense às semifinais do Brasileirão daquele ano, em que também foi campeão pernambucano com o Sport de Recife. Lá, ainda revelou o centroavante Roberto Coração de Leão. Em 1981 treinou o Internacional de Porto Alegre, que passava por renovação após a fase de grandes craques como Falcão, Batista, Caçapava e Carpegiani. No mesmo ano atuou no Vitória da Bahia. Lá revelou Bebeto, que fez história na Seleção Brasileira em 1994. No ano seguinte trabalhou na Portuguesa e, em 1983, no Santa Cruz, clube em que revelou Ricardo Rocha, Marco Antônio e Rivaldo. No mesmo ano foi campeão pernambucano novamente, desta vez com o Náutico. Após revezar entre os maiores times de Pernambuco, atuou ainda no Goiás em 1987.

No ano seguinte teve sua primeira experiência no futebol internacional, sendo técnico do Rio Ave, de Portugal. Em 1990 treinou o Grêmio Maringá e o Fortaleza, onde sagrou-se campeão cearense em 1991. Atuou também no Ceará, CSA de Maceió e Paraná, antes de embarcar para seu segundo time internacional, o Al-Shabab, da Arábia Saudita.

Retorno aos campos em breve “Depois fiz um empreendimento em Valinhos e parei, mas devo retornar em breve, tenho alguns convites que estou analisando”, concluiu em tom de quem mantém ainda algum segredo, mas sem conseguir esconder o entusiasmo.

Método de trabalho, por ele mesmo:

“Eu primava pelo trabalho individual. Um circuito técnico, onde o atleta fazia os fundamentos 12 estações como condução de bola, arremesso de lateral, toques, entre outros. Depois é que ia para o coletivo. Fiz isso em todo os clubes que passei. Dessa forma eu via as virtudes e deficiências dos atletas para aprimoramentos posteriores”.

“Procurava não só formar o atleta como esportista, mas também como homem, buscando conscientizá-lo para a sua carreira. Trabalhava muito o psicológico dos jogadores que trabalhava e isso era novo na época, esses preceitos tinham que ser usados de maneira camuflada porque eles não gostavam”.

“Técnico de futebol tem que ser pai, psicólogo, amigo, pois, se você não consegue fechar um grupo coeso, não se atinge o objetivo”

Sobre visão tática: “Tem que ocupar os espaços do campo, como a Laranja Mecânica. Era praticamente uma ginástica rítmica, de um sincronismo impressionante”

Sobre a atual campeã do mundo, a Alemanha: “Forma muito mais do que exporta de craques. Há uma seleção permanente desde o sub-16. Estão no caminho certo para a Copa do ano que vem” Sobre Tite (técnico da Seleção Brasileira): “É um cara inteligente, que consegue fazer com que o grupo jogue por ele e dá respaldo a esses jogadores”.

O Jornal Terceira Visão teve a honra de entrevistar Mario Juliatto em junho de 2017.


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