Educação e Recursos Humanos

Já no meu primeiro texto para este jornal, sinalizei que precisamos falar sobre educação como forma de valorizá-la, afinal, como vamos promover mudanças naquilo que desconhecemos?

No mês de outubro, essa pauta se tornou ainda mais relevante diante do dia 15, quando comemoramos o Dia dos Professores. A comemoração, contudo, foi mais uma vez com “lembrancinha” e não com “presentão”, como brincava um antigo comercial televisivo. Isso porque, no dia 2, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas divulgou um ranking dos salários de 126 profissões com Ensino Superior no setor privado. Dos dez últimos, seis são profissionais da educação, com destaque para o educador para necessidades especiais, que, confesso, ainda me surpreende.

A situação não é uma novidade para nenhum leitor. Meu ponto aqui é discutir o que está em torno do problema. Romantização de profissionais que, supostamente, trabalham apenas por amor? Sim. Ausência de materiais considerados “desnecessários” pela gestão? Sim. Cargas horárias que desconsideram o trabalho extra? Também. Contudo, o que me estranha nessa história toda é o que vivenciei por anos e revejo nas narrativas de amigos: a falta de um profissional de Recursos Humanos nas instituições de ensino.

O burocrata que faz contratação e avisa o dia em que o médico do trabalho vai à escola realizar exames periódicos está lá. Mas onde está o funcionário que verifica as condições de trabalho, gerencia conflitos e garante o bem-estar dos funcionários? Enquanto empresas de outros ramos investem nessas pessoas, contratando psicólogos, gestores de talentos e consultores de cultura e desenvolvimento pessoal, os professores negociam faltas com os próprios gestores e, muitas vezes, recebem como resposta “não tenho ninguém para te substituir”.

Todos os problemas acima citados não seriam resolvidos com um RH, mas eu tenho certeza de que, se cada escola pensasse nesse setor com mais zelo, os professores poderiam falar de educação também com o objetivo de lutar por mudanças ou sinalizar, institucionalmente, a necessidade delas. Será que faltam recursos ou humanização?

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