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 Pop, K-Pop ou Tango

Quando Victoria Villarruel, atual candidata a vice-presidente na chapa de Javier Milei, pelo Liberdade Avança, lá em 2020, postou sandices contra os integrantes do grupo de K-Pop, BTS, dizendo que a sigla do conjunto parecia “uma doença sexualmente transmitida.”, esqueceu-se de uma coisa: Aqui se posta, aqui se paga, mesmo que apague, ou eu sei o que você postou no verão passado.

Em recente declaração, os Armys — fãs do BTS — publicaram em sua conta Argentina: “Repudiamos as declarações de ódio e xenofobia em relação à imagem do BTS, proferidas pela candidata Victoria Villarruel” e “Esperamos as desculpas correspondentes”.

Se para o candidato Javier Milei e sua vice, os Armys já seriam capazes de um grande estrago, em sua tresloucada campanha, imagine o que os swifters, conhecido exército de fãs da cantora americana Taylor Swift, provocaram nas costeletas do presidenciável, ao se declararem contra a chapa ultradireitista.

No X (antigo Twitter), os swifters publicaram:

“Candidatos do Liberdade Avança descreveram as mortes, torturas e desaparecimentos forçados cometidos durante a ditadura como ‘excessos’; acreditam que a igualdade no casamento é desnecessária, afirmam que o feminismo é uma mentira, que não há diferença salarial de gênero e estão considerando a legalização do comércio de órgãos.” E completaram: “Como Taylor diz, precisamos estar do lado certo da História.”

A coisa é tão séria que Alejandro Kim, ex-vice-presidente da Câmara de Comércio Argentino-Coreana, lembrou aos ultradireitistas que a banda BTS é responsável por 0,5% do PIB da Coreia do Sul.

Sobre a força bilionária de Taylor Swift, basta dizer que ela precisou colocar um show extra na capital portenha, que a poucos dias do segundo turno das eleições argentinas terá 80 mil fãs da cantora, lotando cada um dos três dias de apresentação no estádio do River Plate, pela The Eras Tour, nos dias 9, 10 e 11 deste mês.

Nas últimas eleições americanas, Taylor Swift deixou clara sua intenção de voto em Joe Biden, contra Trump.

Para os swifters, Milei é uma versão argentina de Trump e deve ser combatido.

Esse comportamento já foi visto, em nossas últimas eleições no Brasil e não se pode desconsiderar a enorme influência que possui sobre as urnas.

No pleito presidencial de 2022, o então candidato, Lula, contou com inúmeros apoios de celebridades internacionais e nacionais que se opunham à reeleição de Bolsonaro, sua agenda de extrema-direita e inúmeros desmandos políticos.

Figuras como Mark Ruffalo, — famoso por interpretar o Hulk, pela Marvel — ao lado de Danny Glover, Jason Momoa, — o Aquaman — Mark Hamill, — Luke Skywalker — sem falar na imensidão de artistas brasileiros que o fizeram também, a exemplo de Anitta, Chico Buarque, Caetano Veloso, Luísa Sonza etc., agiram ativamente na campanha.

Num mundo globalizado, não há eleições presidenciais ou escolhas de líderes que não interfiram de alguma forma com o resto do globo. Não há como mexer um só fio da teia, sem que ela toda se agite.

Se para Milei, Armys e swifters são ameaças; para seu principal adversário, Sergio Massa, representam uma grata oportunidade e não seria surpresa se ele surgisse no gargarejo, cantarolando o setlist da estrela pop, numa de suas apresentações em Buenos Aires.

O mundo reconhece a importância das eleições argentinas e sabe que seu resultado afetará a todos, em maior ou menor grau.

Para o Brasil, uma vitória de Milei se mostra economicamente ameaçadora, de acordo com as declarações do próprio candidato da ultradireita, que em sua postura antissistema e anarcocapitalista, se coloca contrário ao Mercosul, entre outras coisas.

Ainda não dá para saber se os argentinos terão nos próximos quatro anos, a partir de 10 dezembro, os passos jovens do K-Pop do BTS e do Pop de Taylor Swift, ou se dançarão seus dramas, sem rins, num tango triste.

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