A educação de base é fundamental

Sem uma população educada, fica impossível desenvolver o país com eficiência, sustentabilidade, justiça e democracia.

Em recente artigo intitulado “Educando para o futuro”, dizia, como modesto educador, que a educação básica é o instrumento que temos à mão para uma efetiva e real mudança da nossa sociedade. E, enfatizava que, se quisermos fazer a nossa parte, devíamos buscar fazer a diferença na transformação da vida dos jovens estudantes, por meio de uma inclusão real e de uma proposta educativa eficiente para cada criança, com atenção para as origens e circunstâncias que as envolvem, objetivando integrá-las à sociedade, permitindo e possibilitando a todos uma melhor qualidade de vida. Sempre tendo presente que integrar é, acima de tudo, saber lidar com as singularidades e aproveitar as diferenças para formar seres humanos mais empáticos e capazes de respeitar a todos sem distinção, contribuindo para um futuro mais humano e igualitário, com vistas a uma educação inclusiva.

                O Brasil tem bons educadores mas péssima educação. Os educadores sabem como deve ser uma boa sala de aula, mas, lamentavelmente, são os políticos que formulam a política educacional, sem se preocupar em implantar um sistema nacional de educação de base, com qualidade e acesso democrático para todos.

                Temos um Ministério da Educação, mas não temos um ministério para a educação de base. O Ministério da Educação se preocupa em atender às reivindicações do ensino superior, sem atentar para o fato de que o alicerce de um sistema universitário está na educação de base.

                No Brasil, a ausência de uma política e ações voltadas para dar à criança em idade escolar uma educação eficiente e que a prepare para enfrentar o mundo tecnológico de hoje, faz com que os jovens percam o hábito da leitura. As novas gerações, que vivem com aparelhos eletrônicos nas mãos, esqueceram-se da existência dos livros, ainda que eletrônicos. Livrarias tradicionais fecharam suas portas. As livrarias que teimaram em persistir, e que sempre funcionaram como um ponto de encontro de pessoas que querem saber mais e refletir sobre o mundo, escasseiam de público.

                “Gerações sem leitura serão presa fácil para narrativas não reflexivas e que apresentem soluções e prazeres imediatos para a sociedade que trafega na superficialidade. Com isso morre a cultura tradicional, cujos filósofos nos legaram valores, princípios e conceitos que construíram a civilização. Longe das livrarias e das bibliotecas, a democracia corre perigo. O combate à desigualdade, ao racismo e à violência também corre perigo, com uma população que se orienta por declarações superficiais e que empreende uma volta à oralidade na transmissão de costumes.” (Murillo de Aragão, em artigo intitulado “Livrarias salvam a democracia”, Veja, edição 2859, pág. 39).

                E, como afirma Cristovam Buarque, não nos faltam grandes educadores, faltam estadistas educacionais, porque os eleitores não os escolhem e os eleitos não demonstram vocação, impulso ou competência. Prisioneiros dos desejos e interesses individuais e de curto prazo, eleitores e eleitos brasileiros têm um pacto implícito de priorização a outros setores, esquecendo a educação de base. A consequência é que, apesar do sucesso em outros setores, o progresso do país esbarra por falta de aglutinação social, de produtividade econômica, de distribuição de renda e outros benefícios, de estabilização democrática, que só a educação é capaz de propiciar. (Artigo “Faltam ‘educacionistas’”, Veja, edição 2865, pág. 41).

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