Conheça um pouco da história de alguns túmulos peculiares

Novembro é mês em que se celebra o Dia de Finados, ocasião em que são prestados tributos a entes queridos e suas histórias

Por Bruno Marques

O conceito de fim para a morte é um tanto quanto obsoleto. E esta não é uma visão metafísica ou espiritual. Se a lembrança e o legado de alguém ainda é mantido vivo, significa que sua história – ainda que não mais material – permanece.

Sendo assim, com o propósito de não deixar a existência dos que já passaram por aqui cair no esquecimento, e inspirado nos trabalhos da página O Que Te Assombra (já entrevistado em nosso canal no Youtube), iniciamos este especial que conta um pouco sobre alguns sepultados na cidade.

Flávio de Carvalho, o modernista

Nascido em 10 de agosto no Rio de Janeiro, viajou para a Inglaterra para estudar e se tornou engenheiro e arquiteto, além de um excelente pintor e desenhista, suas obras são de cunho expressionista e com aspectos surrealistas.

Voltou ao Brasil perto da Semana de 22, onde o intuito era incentivar e prestigiar a arte brasileira e se desvincular de “cópias” dos movimentos europeus. Flávio de Carvalho era ativista em tempo integral, moderno, ousado, provocativo e “à frente do tempo”.

Ele viveu em Valinhos de 1938 a 1973. Sua casa, em formato arrojado de avião, é um marco arquitetônico que, infelizmente, não está sendo devidamente preservada. A rodovia que liga o Capuava à Rodovia dos Agricultores leva o seu nome.

Excêntrico em vida, seu jazigo não poderia ser diferente. É um jardim com árvores envolto de correntes.

Jerônymo Alves Corrêa, o primeiro prefeito

Contabilista, nasceu em 17 de maio de 1919 e veio para Valinhos ainda jovem. Montou o tradicional escritório São Luiz e foi o primeiro prefeito do município, exercendo seu mandato de 1955 a 1958.

Reeleito, retornou como chefe do Executivo entre 1963 a 1.966. Dentre as inúmeras obras deixadas estão o Palácio Independência, prédio que abriga a Prefeitura. O político faleceu em 1985, dois dias depois de completar 66 anos.

Seu túmulo possui um formato piramidal, coberto por um vitral. Lá também estão sepultados outros entres de sua família. Uma escola da rede municipal do Jardim do Lago leva seu nome.

Fabio Capelato Fagnani, o rapaz do jipe

Cemitério também é lugar de criação, tanto que existe um segmento artístico chamado arte tumular. E na necrópole valinhense há um túmulo cujo ‘formato’ é bem criativo. “Como ele sempre gostou de jipe, quando ele faleceu, minha cunhada, Luciana Bortolassi, fez em homenagem a ele um túmulo estilizado”, contou Tatiana Capellato Fagnani, irmã de Fabio Capellato Fagnani, também conhecido na cidade como Mancha.

Nascido em 4 de março de 1975, ele era filho de José Luciano Fagnani e Maria Tereza Capellato, e faleceu em 1º de maio de 2010. Seu nascimento e data de morte estão nas placas do ‘jipe’. “Lembro dele como um homem lindo, briguento, que adorava andar de jipe. A saudade é grande”, concluiu Tatiana.

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