O jogo só acaba quando termina

“E aí? Foi bem?” só perde no quesito “causar constrangimento a um adolescente” para  “e os/as namorados/as?”. Com um sistema avaliativo majoritariamente sustentado por provas, ser recebido por esse questionamento, ao retornar de uma, obriga qualquer um a responder “não sei”.

Mas o que está por trás dessa situação tão cotidiana e dos sentimentos que a atravessam? A noção de que a avaliação é um fim. Vamos transportar esse cenário para uma maratona. O atleta se prepara por meses (ou até anos!) para aquele momento e, quando finalmente acontece, acaba ali? Ele simplesmente encara o dia seguinte como um novo capítulo de sua história como maratonista, sem jamais rever o que deu certo e o que deu errado para ajustar as estratégias? Parece, no mínimo, incoerente. Afinal, o percurso de um esportista é contínuo.

Acontece que o percurso de um estudante também. A pressão que colocamos ao encarar uma prova como “tudo ou nada” ou “a hora da decisão” retira da educação a noção de trajeto, para torná-la pequenos passos isolados, sem direção definida, já que, após resolver uma certa quantidade de questões, olha-se a quantidade de acertos e não o que aconteceu para chegar àquele resultado. Seria muito diferente se a avaliação fosse revisitada. Quais questões eram realmente fáceis? Quais pareciam, mas não eram? Os “chutes” foram certeiros? O que ficou de lado nos estudos para que uma questão parecesse um grande mistério? Imagine, agora, entrar no carro após a prova e ouvir um acalentador: “Como você se sentiu durante a prova? Quer conversar sobre ela? Quando saírem os resultados, podemos rever as questões juntos”. Que diferença, né?

Até mesmo no vestibular esse raciocínio é válido. Raros são os alunos que fazem uma única prova. Até que todas se encerrem, é preciso voltar e reavaliar o que foi feito. Como diria Vicente Matheus, ex-presidente do Corinthians: o jogo só acaba quando termina.

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