Bateu a saudade! E como dói…

Estava eu remexendo no baú de guardados antigos quando me vem às mãos uma foto que abaixo reproduzo (com o beneplácito do meu editor), e que me trouxe à lembrança momentos muito agradáveis e felizes, vividos com gente bonita, da minha estima e relação afetiva, por laços de sangue e de amizade.

                A foto foi tirada na minha casa, no Sans Souci, em Valinhos, por ocasião da época de Natal. A “tiradora” da foto, minha esposa Mirian, por óbvio, nela não aparece. Se fosse hoje, por certo apareceria, pois se utilizaria de uma selfie, por meio da lente de um celular. Mas, na época, nos idos de 1978, os aparelhos celulares ainda não tinham essa tecnologia.

                A foto mostra, da esquerda para a direita, este cronista, o francês Janú, sua filha Rosana Maria, seu marido, o médico José Luiz Mattiazzo, a futura engenheira Ana Paula Cremasco, meu irmão Marcos Antônio, o Nenê Stefanini, o engenheiro José Carlos Bonetto e o meu filho Marco Aurélio.

                Todos irmanados, comungando daquele instante de felicidade que resolvemos eternizar (graças a Deus por isso), nessa foto e que, a Mirian, tão abnegadamente se dispôs a registrar.

                Dos fotografados, Janú, Mattiazzo e Bonetto não estão mais conosco, pois resolveram partir, chamados que foram para habitar outras dimensões, outros planos etéreos.

                Que saudades! Saudades desses momentos preciosos que passaram, saudades dos amigos preciosos e queridos que nos deixaram. E como dói!…

                A angústia de lembrar desses momentos e imaginar que eles não voltarão e que nunca se repetirão. O sentimento da agonia de querer estar perto novamente, de sentir novamente, de querer vivenciar ainda uma vez essas lembranças…

                Tem coisa que nem o tempo apaga… a pessoa que inventou a distância não sabia a dor da saudade. É difícil dizer adeus quando se quer ficar, é difícil sorrir quando se quer chorar, e ainda é mais difícil estar longe de alguém que tanto se ama.

                A saudade dói, machuca e maltrata, mas nos dá a certeza do que sentimos. E isso dói. Dói a ausência, dói a lembrança, dói saber que o passado não volta, que muita coisa virou memória nessa tênue linha em que se resume a vida.

                Essa saudade sufoca, faz doer o coração, provoca um vazio no peito e cria uma cicatriz na alma, estilhaça a gente por dentro. Não dá para tirar alguém de dentro da gente simplesmente assim do nada, pois uma história foi vivida, sentimentos foram guardados e sempre existe milhares de lembranças que afloram à nossa mente e ao nosso coração. Às vezes tento achar um jeito de arrancar essa saudade de dentro de meu coração, mas nem mesmo a minha razão me dá apoio já que também, por paradoxal que seja, não quer esquecer os bons momentos vividos e os amigos diletos. Como a vida pode ser cruel, num dia nos dá a maior felicidade e no outro nos tira tudo, até mesmo nossos sonhos, e então nos coloca pelo avesso só pra mostrar que não somos donos de nada. Será que dá pra empacotar toda essa saudade e jogar fora?… Não dá, por mais que se tente!

E o tempo tem sido o melhor remédio, às vezes quando ameaça doer demais, injeto uma dose extra de tempo, no corpo, no pensamento e no coração, e continuo a jornada, certo de que em determinado momento o reencontro acontecerá e permitirá que relembremos o que aqui compartilhamos.

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