Coloque para fora o que está lhe sufocando

Você já vivenciou um momento de alívio após algum diálogo interpretado como um “desabafo”? Sabe aquela situação onde você coloca para fora um assunto que vem guardando há um bom tempo, que estava engasgado, lhe tirando o sono, acometendo sua paz, comprometendo sua saúde emocional e física? Pois bem, é sobre isso que iremos tratar em nosso artigo e hoje, você aceita refletir sobre tal temática a ponto de ter uma “libertação” a partir do método catártico? Ótimo, então mãos à obra.

O termo provém do grego “kátharsis” e é utilizado para designar o estado de libertação psíquica que o ser humano vivencia quando consegue superar algum trauma como medo, opressão ou outra perturbação psíquica. Através de terapias clínicas como a hipnose ou a regressão, é possível resgatar as memórias que provocaram o trauma, levando o indivíduo a atingir diferentes emoções que podem conduzir à cura.

No sentido religioso, a catarse é o estado de purgação espiritual que o indivíduo almeja, por exemplo, através da confissão. As emoções manifestadas pelos participantes de um ritual religioso são também demonstrações de catarse ou de purificação da alma. No âmbito da medicina, a catarse é um termo usado para designar o esvaziamento do intestino.

A catarse como processo de cura emocional através da psicanálise era defendida por Sigmund Freud em suas análises sobre a influência das memórias do inconsciente no comportamento humano. Seus pacientes colocavam à mesa no chamado divã, tudo o que lhes vinham à mente e ali, na chamada livre associação de ideias, era possível que tanto o terapeuta bem como o paciente dessem uma nova interpretação aos fatos recalcados, represados, gerando assim uma sensação de alívio, de paz, de libertação daquilo que lhe tirava o sossego.

A catarse representa a cura de um paciente, que é alcançada através da expressão verbal de experiências traumáticas recalcadas. Ela basicamente precisa ter como coadjuvante alguém que ouça, pacientemente o seu interlocutor que está desabafando sem o interrompê-lo, conseguindo apenas nas intervenções verbais fazer perguntas precisas, indagações cirúrgicas que estimulem o paciente, o interlocutor, ou seja lá quem for a ir colocando para fora tudo o que estava-lhe fazendo mal.

Para Aristóteles, o teatro tinha para o ser humano a capacidade de libertação, pois quando via as paixões representadas, conseguia se libertar delas. Essa purgação ou purificação tinha o nome de catarse, que era provocada no público durante e após a representação de uma tragédia grega. A catarse era o estado de purificação da alma experimentada pela plateia através das diversas emoções transmitidas no drama. Podemos trazer isso para a atualidade com a famosa Constelação Familiar, na qual de forma bem resumida, quem ali interage, seja o protagonista, seja os demais, consegue lidar e enxergar com outro olhar os fatos, anteriormente interpretados de maneira nada agradável, nada saudável.

O método catártico foi desenvolvido por Freud, o pai da psicanálise, mas como é possível perceber ao longo desse artigo, é possível executá-lo em seu cotidiano, com algum amigo, familiar, colega, basta de modo bem simples, ouvi-lo sem interrupções e saber fazer perguntas no momento certo. Ah, não se esqueça de tanto ao longo do desabafo, quanto após seu término, você não se apresse em fazer julgamentos, apontar falhas, nem defeitos, ou dar respostas prontas, soluções mágicas, apenas ouça e abrace se preciso for, pois o desabafo já aliviará e muito a dor de quem desabafou.

Experimente exercitar isso com quem você convive e sente que precisa desabafar principalmente agora nesse período, reta final de ano, com expectativas para um novo ano que se inicia, com novas interpretações, quiçá mais otimistas. Um grande abraço.

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