News

Qual a melhor maneira de utilizar o seu Décimo Terceiro?

Entrevista com Vicente Antonio Marchiori, servidor público aposentado e economista, que fala sobre organização financeira e reflexos na economia

Por Gabriel Previtale

O final do ano se aproxima e, com ele, a expectativa do recebimento do décimo terceiro salário aquece as conversas em todo o país. Em entrevista exclusiva ao nosso jornal, Vicente Antonio Marchiori, servidor público aposentado e formado em Ciências Econômicas, compartilhou insights valiosos sobre a influência desse benefício nas finanças pessoais, na economia brasileira e nas estratégias das empresas.

Marchiori alerta para o aumento no endividamento da população, conforme apontado pela Febraban. Dados preocupantes indicam que 25% dos brasileiros enfrentarão um aumento nas dívidas neste final de ano. Diante desse cenário, o especialista sugere priorizar a quitação ou amortização de dívidas, destacando a importância de reservar uma parcela para investimentos, como incremento na poupança ou aplicação em Tesouro Direto.

O economista ressalta a ideia original do décimo terceiro como impulsionador do consumo e formação de poupança. Contudo, dada a situação econômica do país, o benefício tende a ser direcionado para a amortização de dívidas, impactando o consumo das famílias. O setor varejista, otimista com as vendas de final de ano, prevê contratações temporárias, gerando um ciclo positivo na economia.

O economista ressalta a ideia original do décimo terceiro como impulsionador do consumo e formação de poupança

Segundo Marchiori, não há uma ligação direta entre o décimo terceiro e a inflação. O aumento nos preços de insumos básicos é apontado como o principal fator inflacionário, destacando a necessidade de políticas específicas para tratar desigualdades.

Cada empresa adota estratégias distintas para cumprir suas obrigações com o décimo terceiro. Marchiori explica que algumas realizam reservas mensais, enquanto outras recorrem a empréstimos bancários. Ele ressalta que políticas fiscais e monetárias podem afetar o crescimento econômico, influenciando a criação de empregos e renda.

Ao abordar a importância do décimo terceiro na redução da desigualdade social, Marchiori destaca que o benefício é fundamental para todos os trabalhadores, independentemente de sua posição na sociedade. O dinheiro extra proporciona oportunidades de acertar contas atrasadas e participar das festividades de fim de ano.

Marchiori aponta que, teoricamente, o décimo terceiro deveria influenciar positivamente na taxa de poupança dos trabalhadores. No entanto, a realidade revela que apenas uma pequena parcela da população consegue investir em projetos de longo prazo, como a compra ou reforma de imóveis e aquisição de bens duráveis. Esse cenário reflete os desafios enfrentados por muitas famílias brasileiras, frequentemente endividadas.

Sobre o impacto das políticas fiscais e monetárias, Marchiori destaca que embora seja difícil avaliar o impacto específico no décimo terceiro, essas políticas têm o potencial de influenciar o crescimento econômico, a criação de empregos e a renda disponível para os trabalhadores. Ele alerta para o “Custo Brasil”, ressaltando a alta carga tributária e as elevadas taxas de juros como fatores que podem desestimular investimentos produtivos.

A entrevista com Vicente Antonio Marchiori oferece uma visão abrangente sobre o impacto do décimo terceiro na economia brasileira. Seja na quitação de dívidas, no estímulo ao consumo ou na geração de empregos temporários, fica claro que esse benefício desempenha um papel crucial no cenário econômico do país. Entender suas nuances é fundamental para que trabalhadores e empresas possam tomar decisões financeiras mais conscientes e estratégicas.

Leia anterior

Desfrutando do verão com saúde

Leia a seguir

Uma jornada de coragem contra a ELA e o legado de amor de Nilson de Souza Pinto