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Vítima de agressão em 2023 representará líder da Revolta da Chibata no desfile da Sapucaí

Desfile na Sapucaí destaca conexões históricas de violência contra população negra

A participação de Max Ângelo dos Santos, agredido em 2023 com uma coleira de cachorro, ganha destaque no desfile da escola Paraíso do Tuiuti. Representando o almirante negro João Cândido, líder da Revolta da Chibata em 1910, Max busca evidenciar a conexão histórica entre diferentes formas de violência contra corpos negros ao longo do tempo.

No enredo intitulado “Glória ao Almirante Negro!”, o samba-enredo elaborado pelo carnavalesco Jack Vasconcelos aborda a luta de João Cândido contra a escravidão na Marinha Brasileira e destaca a incompletude da abolição em 1888. A carta dos revoltosos ao presidente da República evidencia a busca por liberdade e igualdade.

Foto: Divulgação

Max Ângelo, durante o ensaio técnico, expressa a importância de representar um herói nacional pouco reconhecido e destaca a relevância do enredo em relação às questões contemporâneas. Em suas palavras, a experiência de violência vivida por ele reflete a persistência de formas de opressão que perduram no século 21.

O samba do Tuiuti ressalta a ideia de um contínuo enfrentamento contra a escravidão, com versos que afirmam “Lerê lerê, mais um preto lutando pelo irmão. Lerê lerê e dizer nunca mais escravidão”. Max Ângelo, agora aos 38 anos, vê sua participação na avenida como uma oportunidade de dar voz às vítimas de racismo e violência, incentivando a resistência e a não aceitação das situações de agressão.

Após as agressões em 2023, Max recebeu apoio financeiro e solidariedade, conquistando um novo emprego. Agora, ele busca, por meio de sua presença no carnaval, conscientizar sobre a importância de combater o racismo e as diversas formas de violência que impactam a população negra no Brasil.

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