O preço e o valor

Desde as primeiras discussões para a homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que orienta a educação no país, já se previa a inclusão da educação financeira na grade curricular. As redes sociais já há muito tempo vinham mostrando a indignação de jovens que, ao sair do Ensino Médio, calculavam matrizes, mas não as despesas mensais para evitar o endividamento. Hoje, o Brasil tem aproximadamente 43% de seus adultos em algum estado de inadimplência, segundo pesquisadores da USP. Sei que, à primeira vista, essa quantidade parece assustadora, mas não é o que mais me espanta na lista de consequências da falta de educação financeira. Mulheres que não sabem quanto seus parceiros ganham, colegas de trabalho que recebem salários diferentes pelas mesmas funções sem saber são casos mais preocupantes. Precisamos de políticas públicas para ajudar a reduzir o endividamento? Com certeza, mas antes, precisamos aprender a falar sobre dinheiro.

The money writes with white chalk is on hand, draw concept.

Assim como tantos outros problemas sociais, a educação surge como agente de intervenção. “Se tivermos educação para x, a consequência y se extinguirá”. Para a gestão financeira, os passos são lentos: faltam materiais que se adequem aos diferentes segmentos e às diferentes classes sociais. Em que momento ensinaremos sobre impostos? Como falar de investimento a alunos que têm a merenda escolar como única refeição? Veja: são muito perguntas. A questão é que, mais uma vez, podemos começar em casa. Por exemplo, estamos no ápice das vendas de material escolar e todas as papelarias presenciam conflitos entre pais em busca de economia e filhos em busca do caderno com adesivos mais divertidos. Ao invés de fugir da conversa sobre dinheiro indo às compras sem as crianças, aproveite o momento. Mostre a ela o orçamento disponível, realizem as contas juntos e o mais importante: destaque a diferença entre preço e valor. Será que o material tão desejado vale os sacrifícios associados? Quanto você precisou trabalhar para comprar aquilo? Essa conversa vai ser um primeiro passo importante para a educação financeira.

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