Psicóloga lança livro para ajudar meninas a entender a primeira menstruação

Fotos: Thiago Marto

A psicóloga Maria Fernanda Arantes Cyrino, de 43 anos, transformou sua experiência no consultório em um projeto de conscientização. Especialista no atendimento de crianças e adolescentes, ela lançou o livro “E agora? Menstruei” que aborda um tema ainda cercado por silêncio e constrangimento: a primeira menstruação.

A ideia surgiu após uma conversa com a quadrinista e arte-terapeuta Ju Toyo sobre a importância de quebrar o tabu em torno do assunto. Para Maria Fernanda, a escolha de falar sobre a primeira menstruação não foi por acaso. “É um marco de mudanças significativas na vida das meninas e, historicamente, sempre foi um assunto difícil de ser abordado na sociedade”, explica.

Segundo a psicóloga, a inspiração para a obra veio principalmente das conversas que tem em consultório. Durante os atendimentos, ela percebe que muitas meninas chegam cheias de curiosidades, dúvidas e sentimentos diferentes sobre o próprio desenvolvimento. “Na escuta terapêutica, vejo que muitas vezes esse assunto acaba sendo terceirizado para profissionais da saúde ou da escola. O livro pode ser uma ferramenta importante para abrir esse diálogo dentro da família”, afirma.

Em sua experiência clínica, Maria Fernanda observa que o impacto emocional da primeira menstruação varia bastante. Algumas meninas relatam o momento com alegria, especialmente quando encontram acolhimento e conversa dentro da família. Outras, no entanto, chegam ao consultório com medo das mudanças ou com receios ligados à dor, às cólicas e até à forma como serão tratadas depois desse marco.

Para a especialista, a maneira como o tema é apresentado desde a infância pode influenciar diretamente a autoestima das meninas. “Transformar a primeira menstruação em um marco positivo depende muito do que elas escutam e veem ao longo da vida sobre esse assunto”, destaca.

O livro foi pensado para ser uma ferramenta de psicoeducação e diálogo, não apenas para meninas, mas também para pais, educadores e toda a sociedade. “Espero que as pessoas possam se conectar com esse momento, se acolher e falar sobre o que sentem com mais tranquilidade”, conclui a autora.

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