Sábado, 08 Mai 2021

Conselho Municipal de Saúde de Campinas quer lockdown para evitar colapso no sistema

Saúde em Campinas beira ao colapso, segundo CMSC - Foto Marcos Peron

O CMSC (Conselho Municipal de Saúde de Campinas) envio ofício para o Diretor Presidente da Rede Mário Gatti de Urgência e Emergência, Dr Sergio Bisogni, na sexta-feira (26), solicitando respostas imediatas a um conjunto de informações extremamente graves, acerca das condições de funcionamento de serviços de urgência e emergência e assistência hospitalar de Campinas, que podem acarretar sérias consequências à atenção à saúde na rede municipal. Além disso, apelam ao diretor para que dialogue com o prefeito, Dario Saadi, face à iminente possibilidade de um colapso destes serviços, para que seja decretado imediatamente o lockdown, como forma mais eficaz de se garantir o isolamento social e com isso barrar-se a expansão da infecção e da pandemia do Covid19

Pontos elencados pelo Conselho

Complexo Hospitalar Prefeito Edvaldo Orsi (CHPEO) – Hospital Ouro Verde

• Há dias têm ocorrido falta de oxigênio para realizar transporte de paciente entre setores.

• As medicações padrões para realizar sedação do paciente intubado acabaram, sendo usado propofol apenas, o que seria um ótimo sedativo, mas é mais indicado pra uso em procedimentos cirúrgicos, e por ser cardiodepressor em muitos casos de doentes com Covid-19 não seria uma boa indicação.

• Acabaram os corticoides de primeira escolha (dexametasona e metilpredinisolona) para tratamento dos pacientes internados com Covid, bem como acabou a ceftriaxona (antibiótico).

• Existe uma política ativa de priorizar mais novos para encaminhamento à UTI, e mesmo ainda não terem chegado ao ponto de não realizar intubação em idosos, em geral, com pacientes maiores de 80 anos, já existiria um incentivo de propor ao (à) familiar a não realizar procedimentos invasivos (intubação no caso).

• Tem ocorrido dias em que chegam a 12/13 pacientes intubados no pronto socorro, que se configura como enfermaria (sala de observação do PS) e unidade semi-intensiva (salas de emergência).

• Só na segunda-feira (22) à noite faleceram 9 (nove) pessoas no Ouro Verde, e foi relatado também que as equipes médica, de enfermagem e fisioterapia já estão chegando no ponto de estafa física e mental, e há um déficit de equipe em número principalmente na enfermagem e fisioterapia.

• A UTI-1 era a última UTI não-covid e foi transformada em covid na semana passada, sendo que os últimos pacientes não-covid que estavam nessa UTI foram transferidos para um 'quartão' na enfermaria, que foi transformado em semi-intensiva.

Hospital Municipal Mário Gatti

• No Pronto Socorro (PS) a mortalidade também aumentou e houve relatos de 2 a 3 óbitos de pacientes por plantão. Na sala verde Covid estavam 11 ou 12 pacientes entubados, onde antes ficava metade disso, esperando alguma vaga de UTI, e também parte da enfermaria foi adaptada para receber pacientes graves entubados.

• As condições para atender pacientes críticos no começo da internação, quando ainda estão piorando, são mais difíceis e o ideal seria conseguir vaga de UTI verdadeira e não improvisada. Seria 'menos pior' pegar um paciente que já está em fase de estabilização, melhorando, e levar para semi-intensiva.

• No hospital, segundo relatos, também estão priorizando pacientes mais jovens para as vagas de UTI, e a alternativa seria estabelecer um critério estrito de ordem de chegada, mas a ideia de priorizar pacientes com melhor prognóstico presumido também tem legitimidade no contexto de catástrofes, mas aí seria mais honesto, para validar esse critério, assumir que há uma catástrofe.

• Ainda há oxigênio, mas também faltava ceftriaxona, embora ainda houvesse os outros antibióticos e sedativos.

• Há relatos de médicos no hospital prescrevendo medicamentos sem comprovação científica (colchicina, flutamida, espironolactona), o que parece muito grave, e até agora não há um protocolo de covid para pacientes internados, o que já existe no CHPEO – Ouro Verde.

• O quadro de trabalhadoras e trabalhadores também enfrenta grave condição de sobrecarga. Os médicos estão com muitos pacientes para atender ou evoluir, e isso em todos os setores.

• Os residentes, que são profissionais recém-formados e começaram na residência neste mês de março, estão expostos a grande sobrecarga, estresse, pacientes graves morrendo e supervisão precária; no final do plantão de sábado uma das residentes entrou em burnout e abandonou a residência, dizendo não ter preparo para enfrentar isso; outra residente chorava pensando que poderia ter culpa pela morte dos pacientes sob seu cuidado.

• A enfermagem enfrenta situação similar, as escalas de enfermagem estão incompletas, e o trabalho ficou mais pesado, com pacientes entubados onde antes havia pacientes de enfermaria.

Pronto Socorro Metropolitano

• O relato recebido informa que as condições físicas estão muito precárias, com 30 ou 40 pacientes internados em cadeiras, sentados, porque precisam de oxigênio e não há leitos, e que inclusive pacientes obesos e idosos passaram 3 ou 4 dias sentados "internados" em cadeiras desconfortáveis, e cuja condição de saúde piora pelo desconforto. Esta situação de precariedade do Metropolitano, sob intervenção, já dura cerca de duas semanas. Ainda foi relatada uma preocupação com a possibilidade de acabar o oxigênio do Metropolitano.

UPA São José

• Os relatos apontam situação extremamente grave na UPA São José, beirando o colapso. O serviço encontra-se superlotado, algo que já acontecia antes da pandemia e piorou muito. Na emergência, cuja capacidade seria de atendimento a 3 pacientes, pois existem 3 (três) bicos de oxigênio, encontram-se 5 (cinco).

• O espaço entre um e outro paciente leva ao risco de contágio, seja entre pacientes, e pacientes e profissionais, pela aglomeração inevitável na sala, e o profissional não consegue se movimentar adequadamente para a assistência.

• A observação pediátrica está sendo utilizada igualmente para internações, e acabaram sendo colocadas crianças e adultos no mesmo local por falta de espaço. Por outro lado, o espaço dos "cadeirões", foi igualmente improvisado para dispensação de medicamentos, fora da sala de medicações. E mais uma improvisação acabou acontecendo com a utilização do corredor de acesso para outras áreas da unidade.

Posicionamento do Conselho

Todas estas informações, referentes ao Complexo Hospitalar Prefeito Edvaldo Orsi – Hospital Ouro Verde, ao Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, ao Pronto Socorro Metropolitano, e à Unidade de Pronto Atendimento São José, indicam um quadro que beira de fato ao colapso.

Tendo em vista esta gravidade e a iminência de um colapso nos serviços de atenção hospitalar, urgência e emergência, solicitamos que esta Presidência responda de maneira detalhada a todos os questionamentos a respeito dos graves problemas informados nos serviços citados, bem como quais as providencias que porventura tenham sido tomadas, seja em relação à defasagem no quadro de trabalhadoras e trabalhadores, seja em relação à falta de insumos e medicamentos.

O Conselho apela ao diretor, no sentido de dialogar junto ao Exmo. Sr. Prefeito Municipal de Campinas, face à iminente possibilidade de um colapso destes serviçlos, para que seja decretado imediatamente o lockdown, como forma mais eficaz de se garantir o isolamento social e com isso barrar-se a expansão da infecção e da pandemia do Covid-19.

Veja abaixo o documento na íntegra.

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Comentários: 2

Leonardo em Terça, 30 Março 2021 16:50

Eu não posso fazer hidroterapia para me recuperar de um rompimento parcial do ligamento cruzado desde o dia 3/abr enquanto desde essa data já deveria ter feito o lock down , um mês depois, eu tomando antidepressivo, não consigo fazer a atividade que estava funcionando para a minha saúde física e mental pra não ter reduzido o isolamento e a prefeitura ainda estar pensando se faz lock down, um mês perdido, vamos torcer pra eu não cometer suicídio até eu poder me tratar.

Eu não posso fazer hidroterapia para me recuperar de um rompimento parcial do ligamento cruzado desde o dia 3/abr enquanto desde essa data já deveria ter feito o lock down , um mês depois, eu tomando antidepressivo, não consigo fazer a atividade que estava funcionando para a minha saúde física e mental pra não ter reduzido o isolamento e a prefeitura ainda estar pensando se faz lock down, um mês perdido, vamos torcer pra eu não cometer suicídio até eu poder me tratar.
Luiz Bola em Segunda, 12 Abril 2021 14:58

Puta merda lockdonw seu rabo seu arrombado

Puta merda lockdonw seu rabo seu arrombado
Visitante
Sábado, 08 Mai 2021

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