Capoeira: esporte e cultura em Valinhos

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Na ultima semana a capoeira foi tombada como patrimônio cultural pela CONDEV

Por Alef Gabriel

Nessa sexta-feira, 3 de agosto, é comemorado o dia da capoeira (ou do capoeirista), uma das maiores expressões afro-culturais do Brasil. A capoeira se tornou Patrimônio Cultural Brasileiro em 2008, sendo registrado como Bem Cultural de Natureza Imaterial.  Nos dias de hoje, a capoeira é considerada um dos esportes nacionais mais importantes. A manifestação surgiu entre os escravos como um grito de liberdade.

Os negros da África, sendo a maioria da região de Angola, foram trazidos ao Brasil para trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar, nas fazendas de café ou nas casas dos senhores como mão de obra escrava. Sendo assim, a capoeira era uma forma de luta e resistência, segundo Secretaria de Promoção da Igualdade Racial. Porém, para não despertarem suspeitas, os escravos adaptaram os movimentos da luta aos cantos da África. A capoeira foi ficando do jeito que é hoje, gingada. Por muito tempo os escravos conseguiram enganar os senhores de engenho, que permitiam a prática, julgando-a uma brincadeira de escravos.

Na semana passada, o Conselho de Patrimônio Cultural de Valinhos (Condepav), tombou a capoeira como patrimônio cultural imaterial da cidade, reforçando a medida que já havia sido adotada nas esferas estadual, federal e também mundial, pela Unesco.  O Conselho aprovou o tombamento na reunião da semana passada. O processo foi iniciado em 2016, segundo o membro fundador do Coletivo de Capoeira de Valinhos, Melk Alves.  “Esse tombamento se deu em face do trabalho do Coletivo, que apresentou um projeto de Lei junto a Prefeitura. Foi um trabalho que iniciamos em 2015, e que agora vimos ser consagrado com chave de outro”. Com o tombamento Melk espera uma maior visibilidade da Capoeira, não apenas como esporte, mas também como cultura, como seguimento de levar à população a arte de um povo, as tradições, a cultura, explicou o membro e fundador do coletivo.

Sobre o coletivo Melk  explica, “No final de 2015 nasceu o Coletivo da Capoeira de Valinhos, sendo este acima de tudo, de um grupo de amigos, preocupados com o cultivo da capoeira em Valinhos. Sendo no total sete grupos de Capoeira, com mais de 500 integrantes em Valinhos. Inicialmente com o objetivo de ver a Capoeira declarada como patrimônio imaterial da cidade Valinhos, porém com o passar do tempo fomos procurando desenvolver vários projetos que visassem não apenas divulgar a Capoeira na cidade, mas acima de tudo contribuir com seu papel social, cultural e filantrópico”.

Valinhos instituiu o Dia Municipal da Capoeira em 3 de agosto, pela Lei Municipal nº 5.130 de 16 de junho de 2015. Este ano, o dia da Capoeira será comemorado com evento às 19h30 no Espaço Multiuso Municipal de Valinhos.

Em consonância com o Dia do Capoeirista, conversamos também com Anjulumar Araújo Silva, conhecido como Marcos (ou Marquinhos da Capoeira), capoeirista há 26 anos, começou a praticar ainda na Bahia em 1992, vindo para Valinhos em 1994 e continuando sua jornada no esporte com o Mestre Jair e logo após com o Mestre Paranhos onde se formou professor de capoeira em 2004 e mestrando em 2011.

Atualmente pratica e ministra aulas no Jardim Maracanã no salão da Igreja Quadrangular, onde comanda um projeto ministerial, e também no Centro Comunitário do bairro Morada do Sol e Jardim Pinheiros. “Atualmente atendemos uma faixa de 35 a 40 pessoas. Em sua maioria crianças entre cinco a doze anos, mas também atendemos alunos adultos, não importa idade desde que queiram praticar, para participar das aulas basta entrar  em contato pelo telefone (19) 994381948”, informa o professor.

Sobre os benefícios do esporte, Marcos comenta “Todos que praticam não só a capoeira, mas qualquer outro esporte é algo benéfico para a saúde, a capoeira em si tem vários pontos positivos, como a parte cognitiva, lúdica e leva o praticante ao limite do corpo, fazendo coisas que talvez ele nunca imaginou que fosse capaz de fazer”. O professor comenta também da dificuldade de conseguir apoio ou patrocinadores, por mais que seja para o desenvolvimento de um trabalho social, ainda é escassa essa ajuda. E completa dizendo que a capoeira mudou seu jeito de pensar sobre o esporte, sobre sua própria saúde e espera que todos saibam do valor histórico que possui e convida àqueles que desejam fazer parte desse esporte-cultural a praticarem e valorizarem mais suas raízes brasileiras.

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