Quarta, 27 Janeiro 2021

Músicas inéditas marcam 110 anos de Adoniran Barbosa

Foto Divulgação


Junte 11 músicos de "catiguria". Pegue canções inéditas de um mestre da cultura popular. Combine temas simples, do cotidiano, com a sonoridade mais brasileira de todas. Encontre as pessoas certas no cenário cultural e ... prepare-se para as "frechadas".

É com essa receita infalível que um grupo de músicos de primeira grandeza acaba de colocar no ar uma homenagem muito especial a Adoniran Barbosa, ilustre cidadão valinhense, que completaria 110 anos nesta quinta-feira (6).

Autor de sucessos como "Trem das Onze" e "Saudosa Maloca", Adoniran é conhecido como um dos maiores sambistas paulistas de todos os tempos. Ele morreu em 1982, mas como eternizou em uma de suas canções, "ói nóis aqui traveiz".

As "novas" canções chamam a atenção pela simplicidade e a forma popular. Falam de coisas que fazem parte da rotina de pessoas simples, que falam palavras erradas, dão lições de sabedoria popular e se orgulham de quem são. Marcas registradas da trajetória de Adoniran.

"O Arnesto nos convidou pra um samba, ele mora no Brás

Nós fumos, não encontremos ninguém

Nós voltermos com uma baita de uma reiva

Da outra vez, nós num vai mais

Nós não semos tatu!"

(trecho de "Samba do Arnesto", de 1955)

Na lista das novas canções, títulos como "Bares da Vida", "Debaixo da Ponte", "Vaso Quebrado", "Feira Livre", "Dias de Festa", "Bolso de Fora" nos conectam com a realidade. Quem não se identifica com esses temas?

A homenagem ganhou o nome de "Onze", não apenas pela referência às 11 canções gravadas no pacote especial, mas também para lembrar de um dos maiores sucessos de Adoniran: "Trem das Onze". Você, com certeza, sabe cantar um trechinho desse ícone do samba paulista.

O projeto de gravação teve curadoria do Coala.Lab e parceria com a cervejaria Eisenbahn.

O pacote, que está disponível na plataforma Spotity junto com faixas especiais que contam um pouco dos bastidores das gravações. Destaque para a narrativa de Zeca Balero. Imperdível.

A iniciativa de lançar canções inéditas de Adoniran não é pioneira. Em 2016, com o nome de "Se Assoprar, Posso Acender de Novo", um outro pacote de inéditas do mestre do samba ganhou vida nas performances de nomes como Ney Matogrosso, Criolo e Kiko Zambianchi.

Vida

João Rubinato é o nome de batismo de Adoniran. Ele nasceu em Valinhos no 6 de agosto de 1910. Filho de Francesco Rubinato e Emma Ricchini, imigrantes italianos da cidade de Cavarzere, província de Veneza. O casal desembarcou em Santos no dia 15 de setembro de 1895, passou pela Hospedaria dos Imigrantes e foi trabalhar nas lavouras do município de Tietê antes de se mudar para Valinhos.

A família viveu na cidade até o início da adolescência do artista. Os Rubinato deixaram Valinhos e foram para Jundiaí, trabalhar na linha férrea, depois para Santo André e, finalmente, São Paulo.

Antes de se tornar Adoniran Barbosa, Rubinato representava, em programas de rádio, diversos personagens, entre as quais Adoniran Barbosa, que acabou por se confundir com seu criador devido à sua grande popularidade. Adoniran ficou conhecido nacionalmente como o pai do samba paulista. Faleceu aos 72 anos na cidade de São Paulo no dia 23 de novembro de 1982.

SAIBA MAIS

'Onze (Músicas Inéditas de Adoniran Barbosa)'

1. Bares da Vida – Zeca Baleiro

2. Careca Velha – Di Melo

3. Como Era Bom – Illy

4. Bolso de Fora – Rubel

5. A Partida – ÀVUÀ

6. Debaixo da Ponte – Barro

7. Vaso Quebrado – Elza Soares

8. Feira Livre – Amanda Pacífico

9. Bebemorando – Francisco, El Hombre

10. Dias de Festa – Luê

11. A Escola – Zé Ibarra

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