Dr. Ruy Meirelles fala sobre obstáculos na saúde

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Clínico geral acredita que a solução seja direcionar maior parcela de recursos para a área

Por Thaís Ferrari

Quando se refere à saúde, seja ela pública ou privada, diversas dificuldades envolvem o setor, como por exemplo, a falta de recursos necessários para atender a grande demanda que acarreta, principalmente no SUS (Sistema Único de Saúde). Em atenção ao Dia Nacional da Saúde, datado em 05 de agosto, conversamos com Dr. Ruy Meirelles, abordando os obstáculos enfrentados e as ações que encarecem a área.

O clínico geral, em sua rotina diretamente ligada à saúde, encontra pacientes que questionam o alto custo das consultas, medicamentos e afins, e ainda sobre o contratempo em agendar atendimentos e realizar exames. “Você conversa com qualquer pessoa, e ela diz o seguinte – ‘eu pago IPTU, IPVA, pago isso, pago aquilo, e por que a saúde está tão ruim? ’”, relata.

“No ano de 1950, a esperança de vida do brasileiro era de 50/55 anos; (…) uma pesquisa que saiu recentemente na Folha de São Paulo aponta que a expectativa de vida do brasileiro hoje é de 76 anos”, explica. Visto a grande quantidade de pessoas idosas no país – decorrentes do aumento na expectativa de vida, se torna um dos fatores que contribuem para o encarecimento da saúde, já que estes apresentam mais patologias, como as doenças neoplásicas (tumores), e dependendo do tipo de câncer, é necessário realizar quimioterapia e radioterapia, tratamentos de custo elevado. “Doenças da última idade são mais custosas”, comenta o clínico geral.

Dr. Ruy acredita que outras questões também sejam responsáveis por esse encarecimento, que preocupa toda a comunidade brasileira, são elas:

  1. UTIs (unidade de terapia intensiva) sofisticadas: As UTIs atualmente contam com equipe multidisciplinar, que inclui médico 24h, fisioterapeuta, nutricionista, psicóloga, enfermeiras que permanecem todo o período, camas sofisticadas, monitores (que calculam pressão, frequência cardíaca, gasometria do paciente), entre outras tecnologias.

“Quando o doente vai para a UTI, encarece muito a assistência médica”, esclarece Dr. Ruy, comparando com a UTI de 20/30 anos atrás, menos requintada.

  1. Exames sem necessidade: Dr. Ruy destaca que atualmente são feitos vários exames de alto custo, em situações que podem ser resolvidas de maneira descomplicada, como no caso de um paciente ter caído e causado um “galo” na cabeça, o médico pode simplesmente analisar, pedir um exame de raio-X e dar as orientações para o indivíduo; no entanto, algumas pessoas optam por realizar tomografia computadorizada, ressonâncias magnéticas, e em contrapartida, o profissional acata o pedido do paciente, para evitar diagnósticos incorretos.

“Os exames endoscópicos, que estão na moda, são outros fatores para encarecer a saúde pública; quando falo saúde pública, não é encarecer só o custo da saúde pública, mas também encarece o custo dos convênios particulares”, comenta.

Além desses aspectos, o avanço tecnológico é grande responsável pelo encarecimento da saúde, “a tecnologia na área da saúde melhorou muito, embora essa melhora signifique custo”, completa. Sem contar que as pessoas criaram uma consciência coletiva da importância de realizar exames periódicos, frequentar médicos e fazer diagnóstico precoce. Essa compreensão é fundamental para a qualidade de vida dos indivíduos, contudo, os recursos direcionados à saúde são pequenos e escassos para atender a medicina atual. “O dinheiro que vem do Ministério da Saúde, para cobrir o custo da saúde pública, não corresponde à tecnologia moderna da medicina do século XXI”, informa. Por conta disso, hospitais de renome, Santas Casas, não só em Valinhos, mas em todo Brasil, estão devendo milhões no setor. “Todas as Santas Casas do interior estão vivendo o mesmo drama, porque a quantidade que o SUS encaminha não é suficiente para oferecer uma saúde de boa qualidade”, revela Dr. Ruy.

O médico, por fim, defende que diferente do que algumas pessoas pensam, essa situação não se dá por incompetência ou má administração desses locais, e sim pela inviabilidade de manter um atendimento completo sem o capital necessário. “É preciso destinar maior verba à saúde pública, conscientizar os pacientes que tem de fazer aquilo que é necessário; conscientizar os médicos para pedirem os exames necessários; e trabalhar muito as questões da vigilância sanitária e saneamento básico”, acrescenta.

 

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