Quinta, 26 Novembro 2020

Presidente da ACIV fala sobre o retrocesso da flexibilização do comércio

Emerson Ferrari é presidente da ACIV - Foto Divulgação

Qual o posicionamento da ACIV quanto ao retrocesso da flexibilização do comércio que tinha avançado para zona laranja?

Vamos lembrar que a "Região VII" referência utilizada no Plano SP para definir a região de Campinas, a qual está inserida a cidade de Valinhos, nunca retornou para a Fase 1 (Vermelha) depois que iniciou a Fase 2 (Laranja), mesmo na 4ª Atualização do Plano SP divulgada no último dia 26/06. O que aconteceu foi uma tomada de decisão do prefeito municipal em fechar novamente o comércio de Valinhos, em plena Fase 2, 3 dias antes de uma nota técnica ter sido emitida para campinas, "sugerindo" o fechamento.A ACIV defende e aqui reiteramos mais uma vez, que é preciso promover o equilíbrio entre proteção da saúde e da economia. Não concordamos com a decisão do executivo municipal, pois entendemos que os comerciantes de maneira esmagadora atenderam as determinações e regras sanitárias determinadas. Se ocorreram casos isolados de descumprimento, eles devem ser tratados conforme determina a legislação municipal atual, sem excessos.

A ACIV está em contato com a prefeitura buscando formas para adotar outras medidas ao invés de retroceder?

No Ofício encaminhado ao poder público em 16 de junho (O qual não tivemos resposta até o momento em que respondo estas perguntas), questionamos sobre as aglomerações que acompanhamos pela cidade sem objetivo comercial, em atividades esportivas, de lazer ou apenas sociais, porque entendemos que essas sim, sem o uso de EPIs ou de regras sanitárias contribuem para a proliferação da doença. Também questionamos a aquisição de leitos da rede particular (privada) para desafogar o atendimento SUS, e qual apoio está sendo dado para a Santa Casa de Valinhos, onde se concentram esses atendimentos. Mas mais importante de tudo, reforçamos que é nosso entendimento, quanto à responsabilidade da prefeitura em informar e investir na orientação dos munícipes de maneira intensa e contínua sobre qual código de conduta deve ser adotado nesse momento de pandemia e de crise, todas essas colocações estão no ofício supra citado.

Quais sugestões que a associação teria para dar a administração municipal, para que o comércio volte a funcionar?

Como mencionei anteriormente, a prefeitura tem recursos para investir em divulgação, comunicando todos os munícipes sobre o código de conduta ideal para esse momento de quarentena e pandemia. Levar informação é uma das ações mais importantes neste momento, enfatizo aqui que mesmo sendo uma obrigação do poder público, a ACIV vem fazendo dentro da sua possibilidade esse trabalho, através de publicações nas redes sociais, orientando comerciantes e clientes sobre os cuidados que devem ter, além do sistema de som que está em funcionamento, divulgando as mesmas recomendações, para quem transita na área central, mesmo com as lojas fechadas. A prefeitura poderia criar uma cartilha física ou virtual e distribuir em toda cidade, colocar carros de som divulgando os cuidados que os munícipes devem ter, investir nas mídias locais com grandes espaços voltados para esse tipo de informação. Sem esquecer, de aumentar a fiscalização para impedir as aglomerações citadas anteriormente. E é claro, investir na estrutura de atendimento para que o índice de ocupação caia.

A ACIV acompanha de perto os anseios dos comerciantes. Quais as maiores dificuldades encontradas pelo setor?

Bom, primeiro quero deixar bem claro, que o comércio não aguenta mais um dia fechado, a cada dia que o comércio permanece sem abrir, é um decreto para a finalização das atividades de algum estabelecimento, estímulo para o desemprego e fim da geração de renda e emprego, além do aumento da evasão para cidades vizinhas e criação de novos comportamentos de consumo, péssimos para a economia da cidade, mesmo no pós crise. Os comerciantes estão desesperados, todos os dias, recebo dezena de ligações de comerciantes que LITERALMENTE não sabem mais o que fazer, pois estão testemunhando a destruição de um sonho de vida, e da forma que a família é sustentada, detalhe, não só a sua, mas muitas vezes de dezenas de famílias que dependem do seu negócio. Muitos relatam a dificuldade de acesso às linhas de crédito disponíveis em todas as esferas, e hoje sem capital de giro, reservas ou patrimônio chegaram a uma situação crítica sem igual. O que os comerciantes querem, qual é o seu maior anseio neste momento, isso é óbvio, poderem trabalhar para tentar salvar o seu negócio, o seu "ganha pão".

Os casos de covid-19 têm aumentado substancialmente nos últimos tempos. Quais as ações que seriam essenciais neste período?

É necessário em condição emergencial, "pra ontem" haver Investimento, um grande investimento em infraestrutura de atendimento, divulgação das informações que são essenciais para a preservação da vida e da economia do município, e mobilização de material humano para garantir que tudo seja cumprido e atendido dentro do que foi determinado, sem excessos, e entendendo que não é o comércio o foco do problema. Aponto também a necessidade de ampliação da oferta de transporte, para que não existam aglomerações nos deslocamentos de quem usa o transporte público, e a possibilidade de ampliar o tempo da atividade comercial para diluir a concentração de pessoas que buscam por produtos e serviços.

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