Estudante de Valinhos conquista primeiro ouro brasileiro em Olímpiada Internacional de Química

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Vinícius conta que foi necessário dedicação e horas de estudo teórico e treinamento laboratorial

Por Thaís Ferrari

Em meio a tantos acontecimentos delicados na área da educação, finalmente uma notícia inspiradora: Vinícius Figueira Armelin, 17 anos, estudante do 3º ano do Ensino Médio, no Colégio ETAPA, em Valinhos, ganha o primeiro ouro brasileiro na história da Olímpiada Internacional de Química (IChO), que aconteceu de 19 a 29 de julho, na Eslováquia e na República Checa. Além de Vinícius, outro brasileiro, Ivna de Lima Ferreira Gomes, 17, de Fortaleza (CE), conquistou ouro.

“A Olimpíada foi uma experiência incrível, pois permitiu que eu entrasse em contato com pessoas de diferentes países, hábitos e culturas, que eram muitas vezes diferentes daquela com que convivemos no Brasil; de fato, aprendi muita coisa com os jovens dos outros países nesse período”, relembra o estudante, que permaneceu duas semanas no local. A cerimônia de premiação ocorreu na Casa Rudolfinum, sede da Orquestra Filarmônica da República Checa, que contou com a participação da Ministra da Educação, Juventude e Esportes do país, Karolína Gondková.

Vinícius define o momento de conquistar ouro como singular. “Foi uma sensação única; uma mescla de felicidade, recompensa e alívio, de certa forma. Felicidade pelo grande resultado, histórico mesmo, e alívio pela finalização com sucesso de um projeto de preparação de mais de ano que recebeu muita dedicação e esforço. Foi melhor ainda saber que, em pleno estágio internacional, consegui representar bem meu país e projetar a imagem nacional pelo mundo todo de forma positiva”, lembra.

O desafio da 50ª Olímpiada Internacional de Química consistiu em duas provas, uma teórica – com tópicos avançados de química (matérias de pós-graduação), e uma prática, na qual testaram as habilidades dos candidatos nos campos de síntese de compostos orgânicos e de cinética química, “isto é, de análise de velocidade de processos químicos, e de determinação de uma amostra de água mineral fornecida pela competição”, explica. Cada uma das provas teve 5h de duração.

Armelin conta que desde o final do 1º ano do ensino médio, como aluno olímpico, almejava vivenciar o mais alto nível de competição, “era um passo natural do desenvolvimento da ‘carreira olímpica’ para mim nessa época”. Após decidir de fato, o processo se tornou prioridade para o estudante, dedicando tempo, energia e atenção nos preparativos. “No caminho, recebi fortíssimo apoio da família e especialmente do colégio em relação a esse projeto de preparação, tendo à disposição inúmeras aulas e materiais para ajudar a atingir o resultado almejado”, recorda.

No início da preparação, o aluno se atentou às aulas teóricas, e com a aproximação da Olímpiada, se dedicou aos treinamentos laboratoriais no colégio, que consistia por cinco ou seis dias por semana, no mês que antecedeu a competição. “Tentei sempre, durante o processo de preparação, não perder de vista o lado pessoal; esforcei-me ao máximo para não deixar de fazer aquilo de que gostava (sair com amigos, jogar basquete) enquanto estudava para a competição”, conta.

O estudante de Valinhos já participou de diversas olímpiadas nacionais – algumas relacionadas à química e outras não, e de uma internacional (IJSO – Olimpíada Internacional Júnior de Ciências), totalizando 20 medalhas, sendo 16 de ouro. “Todas elas (mesmo aquelas não relacionadas à área de Química) me ensinaram bastante sobre como funcionam as olimpíadas, o esquema de prova e tudo mais (…). Além disso, a seleção nacional dos alunos para a Olimpíada Internacional se dá por meio de exames nacionais, de modo que elas serviram de base, de certa forma, para a minha participação na Olimpíada”, explica.

O estudante pretende participar ainda neste ano, em setembro, da Olímpiada Iberoamericana de Química, em El Salvador. Posteriormente, o foco está nos processos de application para as universidades no exterior, com a pretensão de realizar ensino superior em química, e seguir atuando na área acadêmica, com pesquisa e desenvolvimento de tecnologias. Por fim, Vinícius acredita que o resultado obtido na Olímpiada Internacional de Química foi um longo processo de amadurecimento da preparação que existe no Brasil, uma melhora constante nos últimos anos nos resultados nacionais. E deixa um recado aos estudantes: “com a preparação, dedicação e disciplina corretas, é um objetivo que definitivamente pode ser atingido, como mostrou-se recentemente. Então, se há a pretensão de obter tais feitos, tudo se resume ao empenho que se imprime: novamente, tudo é possível com a preparação adequada”.

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