Guipson Pierre, haitiano refugiado que teve parte da sua história apresentada na reportagem acima, está vivendo um momento ímpar em sua vida: é o primeiro classificado da região no The Voice Brasil.

“Normalmente nosso cérebro demora para assimilar as novidades, ainda não sei como lidar com isso. São milhares de mensagens em três idiomas diferentes, português, francês e crioulo, só tenho que agradecer por cada momento”.

Sua participação no programa da Rede Globo aconteceu na terça-feira, dia 24, apresentando a música Love Yourself de Justin Bieber, no estilo reggae music, que ele define como seu preferido. “Quando subi no palco estava tremendo, assustado, nervoso, com muito medo de errar e de que as cadeiras não virassem para mim”, conta. Apesar do receio, sua voz despertou duas cadeiras viradas, a de Carlinhos Brown e a de Lulu Santos, no qual o primeiro foi escolhido, “antes mesmo de participar do The Voice tinha isso em mente ‘vou escolher o Brown’, não sei explicar, mas de certa forma era o desejo do meu coração”, explica. Ele também se cobra pelo nervosismo no palco, contudo é grato pela apresentação, e principalmente pela vaga no reality show musical. “O mais importante é que passei, e vou ter mais uma chance de fazer o meu melhor; da próxima vez farei o possível para que os mesmos erros não aconteçam”.

 

Haitiano "valinhense" foi classificado para a próxima fase do programa
Haitiano “valinhense” foi classificado para a próxima fase do programa

O cantor ressalta que nunca esteve tão nervoso, pois se deparou com grandes talentos da música

“Nunca conheci tanta gente talentosa na minha vida, mas o mais importante é que eles me motivam a trabalhar e melhorar cada vez mais”, relata. Em contrapartida, toda a equipe do programa, os artistas, os participantes e as pessoas que conheceu nesta vivência, Guipson define como pessoas maravilhosas e humildes, e é como se conhecessem há anos, “estou aprendendo muito com eles, alguns têm anos de carreira”, afirma, já que ele está em seu segundo na área musical.

“Estou curtindo cada segundo, conhecendo novos talentos e pessoas maravilhosas, essa experiência na Globo e no The Voice tem sido incrível, é o início de uma nova página na minha história, só tenho que agradecer a Deus por esse momento que estou vivendo”, completa. Sua próxima apresentação no programa é confidencial, embora já esteja se preparando para dar mais um show no palco do reality.

No dia 20 de junho é celebrado o Dia Mundial do Refugiado, data que reconhece a coragem das pessoas que são obrigadas a deixar seu país de origem por conta de guerras, perseguições, catástrofes naturais, entre outros motivos, se refugiando em demais territórios em busca de melhores condições de vida. Conforme publicado na edição passada, contaremos parte da história de Guipson Pierre, 26, refugiado Haitiano que se estabeleceu em Valinhos há 11 meses.

Haitiano chega a Valinhos por conta de seu amor pela música

Guipson trabalhou no Cartonifício Valinhos, empresa que contratou e deu oportunidade para outros haitianos além dele, e nas horas vagas é cantor. Ele afirma que cantar é um hobby temporário, pois sonha em se destacar no meio musical e assim poder viver da música. Quando questionado sobre as diferenças entre Haiti e Brasil, Guipson é objetivo: “é totalmente diferente”. Ele ainda fala que o Brasil é um país mais desenvolvido, e que em consequência as possibilidades são maiores. Pierre esclarece que não tinha intenção nenhuma de vir para cá, “meu sonho era sair do país e fazer faculdade no Canadá, só que o terremoto passou e o plano que eu tinha teve que ser reformulado”, explica. Ele conta que o Brasil, naquela época (início de 2010), era o país mais fácil e mais simples de conseguir emigrar, e foi a chance que ele e sua família encontrou. Guipson teve duas opções: adquirir o visto ou entrar no país como refugiado, porém com o visto ele precisaria ficar três meses sem conseguir emprego – o que era inviável,  porque entende-se que a pessoa tem condições de se manter. Foi dessa forma que chegou ao Brasil com o título de refugiado, buscando novas perspectivas e melhores circunstâncias.

Há 11 meses em Valinhos, Guipson já passou pelos municípios de Joinville e Curitiba, pelo estado de Tocantins, pelo interior de Goiânia e outras localidades do Brasil. Ele conta que viu em São Paulo uma oportunidade para os músicos, e dentro das suas condições se estabeleceu na cidade do figo roxo.

O haitiano também mantém um canal no Youtube com grande parte de suas músicas e videoclipes.

O refugiado haitiano destaca que as maiores dificuldades foram com a adaptação, aos 21 anos não sabia fazer comida e nem compras, foi uma responsabilidade muito grande aprender a se virar, “imagina sair do país, nem sabia a língua portuguesa”, diz. O primeiro contato com o idioma foi através de uma música de Michel Teló, e o haitiano participou também das aulas de Português do projeto Portas Abertas, com a professora Raquel Pimentel Cordeiro, e por isso fala a língua portuguesa com certa facilidade. Também conta que nos dois primeiros anos fora de seu país de origem não conseguiu se adaptar, pois havia outros planos que tiveram que ser alterados pelos rumos tomados, “fisicamente estava aqui, mas mentalmente estava lá no Haiti”, esclarece. Sobre o maior choque cultural vivenciado por Guipson, ele aponta o preconceito racial, “eu vivi em um país negro, não existe isso de preconceito”. Conta que leu sobre as questões raciais nos livros, e não sabia nem como lidar. “Tem certas pessoas que vão gostar de você independente de quem você é ou do que você faz, assim como tem pessoas que não vão gostar de você, mesmo que você se sacrifique para ter, no mínimo, respeito. Não vai ser possível, porque simplesmente é assim, o correto é aceitar quem você é e seguir em frente”, completa.

Seu contato com a música nasceu no Haiti. Em 2010, três dias depois do terremoto, Guipson percebeu que a música era a única coisa que fazia sentido para ele, era uma chance de conseguir recomeçar e iniciar uma nova trajetória, “cada vez que eu olhava ao meu redor era fome, miséria, medo…”, comenta. Foi nesse momento que ele começou a cantar e priorizar a carreira musical. Guipson também é compositor, e aponta que seu foco atual é cantar e escrever. Quando perguntado sobre os projetos futuros na música, Guipson destaca, “focar só

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