Quarta, 27 Outubro 2021

Conheça Reddy Allor: A drag queen da nova era do sertanejo

Créditos das fotos: Guilherme Martinez @guilerbe

Reddy Allor começou sua carreira ainda criança, sem a persona, em uma dupla de sertanejo raiz com seu irmão "Guilherme e Gabriel", e cresceu envolvida com a música. A partir dos 18 anos, Guilherme Bernardes, começou a utilizar da arte drag para compor seu trabalho musical e finalmente se lançou na carreira como Reddy Allor. Aos 22 anos, moradora de Rio Preto, a cantora aposta no "queernejo", gênero mais conhecido como sertanejo, porém produzido por artistas LGBTQIA+.
Para conhecer seu trabalho, basta procurar pela artista em todas as plataformas de streaming e também pelo canal no Youtube, onde Reddy coloca seus videoclipes. Atenção para seu último trabalho, o EP "Ascensão", que reúne 4 faixas inéditas, lançado neste ano, de maneira independente. Destaque para a faixa "De novo".


Como começou a sua carreira na música e porque o sertanejo?

 Desde que nasci minha família incentiva o meu lado musical. Aos 12 anos eu e meu irmão formamos uma dupla sertaneja (Guilherme e Gabriel), começamos a cantar profissionalmente e até então nunca mais parei. Cresci aprendendo e amando o sertanejo assim como toda a minha família. Aos 18 anos senti a necessidade de me conhecer melhor e foi quando me entendi como um garoto gay; a partir disso comecei a buscar novas referências e ampliei o meu ciclo de amigos, onde conheci quem eu era de fato. Foi aí que a arte drag apareceu, através da Pabllo Vittar, e eu me apaixonei de cara, pois vi ali um "espelho artístico".
Minha drag diz muito sobre mim e não pude deixar de fora o sertanejo, algo tão presente nas minhas raízes, me fazendo hoje uma pessoa muito mais realizada.


Quais são suas influências na música e porque te influenciam?

Minhas influências na música vão de Chitãozinho e Xororó, Bruno e Marrone, Milionário e José Rico, Marília Mendonça até Gloria Groove, Pabllo Vittar, Iza e Luisa Sonza... Minhas raízes com o sertanejo são muito presentes e me conectam diretamente com uma memória afetiva muito especial e importante. Por outro lado, as influências mais recentes e distintas do sertanejo me conectam com a minha verdade atual e faz com que eu, enquanto LGBTQIA+ me sinta acolhido e necessário para uma evolução significativa, quebrando essa barreira entre os estilos musicais.


Acredita que exista espaço para o sertanejo no público LGBTQIA+?

Com certeza! Assim como eu, muitas pessoas LGBTQIA+ carregam uma memória afetiva com o sertanejo (um dos estilos mais consumidos do nosso país), mas em algum momento deixam isso de lado por não se sentirem acolhidas ou representadas.
O meu papel como artista LGBTQIA+ no sertanejo é justamente dar voz a essas memórias e ressignificar o sertanejo atual, ainda muito machista e LGBTQfóbico. Almejo conquistar e unir todos os públicos com a minha verdade, sei que é uma caminhada longa, mas assim como toda desconstrução também entendo cada degrau necessário. O "Queernejo" (movimento de artistas LGBTQIA+ com o sertanejo) vem crescendo cada vez mais e é a prova de que estamos no caminho certo para essa evolução.


No seu processo de criação, você procura colocar toques diferentes em seus trabalhos que imprimam a Reddy, quais, por exemplo?

A Reddy é sem dúvidas um misto de referências. Mesmo crescendo e trabalhando numa dupla, até então denominada masculina e heteronormativa, eu sempre me inspirei nas mulheres da minha família, fazendo com que minha voz e escolhas musicais fossem moldadas de uma forma fluída e não padronizada. O meu processo de criação envolve tudo o que amo e aprendi, então sempre busco trabalhar essa mistura de estilos e referências que mostra quem eu realmente sou.


Você tem apoio dos grandes artistas midiáticos LGBTQIA+? Existe alguma parceria musical que gostaria muito de realizar?

Ainda não. O movimento do Queernejo é muito novo e está começando a tomar forma. Acredito que ainda exista muita resistência do público em si e consequentemente dos grandes artistas por partir de um estilo que até então pregou o oposto sobre nossas vidas e vivências. De qualquer forma acredito muito nessa quebra de barreiras e tenho o sonho de fazer uma parceria com a Gloria Groove.


Sua família apoia sua carreira artística? 

Sim. Claro que nem sempre foi dessa forma, mas com muita conversa, explicação e empatia essa evolução está acontecendo e a cada dia sinto que esse apoio aumenta mais.


Para o futuro, tem algo que você possa adiantar de futuros trabalhos? 

Muitas coisas incríveis estão acontecendo na minha vida. Estou trabalhando em novos projetos que mostram ainda mais minha essência artística. Além disso, já gravei algumas parcerias com artistas do Queernejo e pretendo ampliar o nível da minha carreira ainda neste ano.

Veja mais notícias sobre Valinhos.

Veja também:

 

Comentários:

Nenhum comentário feito ainda. Seja o primeiro a enviar um comentário
Visitante
Quarta, 27 Outubro 2021

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://jtv.com.br/