Domingo, 20 Junho 2021

Juliano Fujita fala sobre importância da preservação do meio ambiente em Valinhos

Técnico agrícola com foco em agroecologia, Juliano Takechi Fujita

Juliano Takechi Fujita é técnico agrícola com foco em agroecologia. Membro do Conselho de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Valinhos e da Comissão Regional de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável regional de Campinas e nos dá sua visão sobre o meio ambiente em nossa cidade.


Atualmente, qual panorama do meio ambiente em Valinhos na sua visão?

Valinhos e toda a região metropolitana de Campinas sofre um ataque pesado da especulação imobiliária predatória que quer avançar sobre as áreas rurais e de proteção ambiental como a Serra dos Cocais que são produtoras de água, alimento e ricas em biodiversidade e paisagens naturais que se tornam emparedadas e privadas. E para isso o capital especulativo usa a política para oficializar esses ataques influenciando nos Planos Diretores das cidades.
A lagoa da Rigesa é simbólica e estratégica mostrando o que esse poderio econômico é capaz de fazer. Com a escassez hídrica que sofremos fazem o aterramento sem mesmo consultar o Conselho de meio ambiente e desenvolvimento urbano desconsiderando totalmente a opinião e necessidade da população. Algo que deveria ser preservado e melhorado pelo poder público e privado usando de inteligência ambiental e cumprir a sua função social prevista na constituição de proteger essas áreas que servem de reserva inclusive no caso de combate a incêndio na região como era para a Rigesa.


Qual a importância sobre a Serra dos Cocais?

A Serra dos Cocais é extremamente importante para toda a RMC como área estratégica de captação e reservação de água. Porém a Serra foi impactada pelas ações humanas no decorrer do tempo e a retirada da sua vegetação natural causou impactos como processos erosivos e compactação do solo diminuindo a infiltração das águas da chuva vindas da Amazônia pelos Rios Voadores (José Marengo) e a reservação no interior desses mares de montanhas.
Porém hoje temos conhecimento técnico para restaurar esse serviço ecossistêmico implantando Sistemas Agroflorestais que podem produzir alimentos conjuntamente com o plantio de florestas amortecendo o impacto das chuvas sobre o solo evitando os processos erosivos superficiais e infiltrando mais água no solo recuperando o mesmo com matéria orgânica rica em microorganismos que fazem a biorremediação dos poluentes atmosféricos carreados pela chuva produzindo água mineral de qualidade como sempre foi à aptidão de Valinhos que saiu do "status" de Estância Hidromineral para cidade dormitório.
Dessa forma a serra também funciona como um gigante ar condicionado diminuindo o efeito "ilhas de calor" provocado pela mancha urbana causadora de extremos climáticos como a recente chuva de granizo sobre Jundiaí em pleno outono. Vale lembrar que a Serra fornece metade da água consumida pela cidade e pode aumentar essa reserva diminuindo a dependência do Sistema Cantareira.


Você acredita que Valinhos tem potencial para mudar e evoluir ecologicamente?

Temos um grande manancial de conhecimentos aqui na RMC como Unicamp, Instituto Agronômico de Campinas, Embrapa Meio Ambiente, Instituto de Tecnologia de Alimentos, Instituto Biológico que podem ajudar a redesenhar nossa cidade a partir do Plano Diretor Participativo reconstruindo as paisagens e preservando o que sobrou.
Mas para isso participação popular é o mais importante, o cidadão valinhense precisa ocupar os espaços que lhes é de direito como os conselhos municipais e escolher políticos que não tenham aporte financeiro do capital especulativo para poder valer as politica públicas que defendam os interesses comuns e priorizem a qualidade de vida local.


Quais propostas e ideias seriam interessantes para a nossa cidade nesse sentido de evoluir ecologicamente?

Investir em Bioeconomia e alimentação saudável, turismo ecológico e rural. Nesse momento de crise sanitária global precisamos agir localmente com inteligência e resiliência. Através da implantação de um programa de agricultura urbana e peri urbana com circuitos curtos de comercialização cooperativados com preços justos diminuindo o rastro de carbono com transporte e fazendo a logística reversa retornando os resíduos orgânicos para compostagem nas áreas produtivas.
Também com incentivos fiscais para produção de alimentos nas áreas ociosas de especulação imobiliária, praças e áreas públicas e institucionais com pomares biodiversos podendo gerar emprego e renda, segurança pública e patrimonial, principalmente segurança alimentar, aumentando a resistência imunológica da população podendo se utilizar de programas como o Pagamentos por Serviços Ambientais estendido a essas áreas assim como as rurais pelos serviços ecossistêmicos prestados além da beleza cênica tornando a cidade mais atraente, saudável e sustentável.


Em celebração ao dia do meio ambiente, como você imagina a nossa cidade no futuro?

Precisamos repensar nosso modelo civilizatório e convergir para um "decrescimento econômico" priorizando mais a vida do que o consumismo exacerbado. Até quando a cidade vai crescer se não temos água o suficiente para isso. Precisamos ocupar os espaços a partir de uma releitura da paisagem pensando - Que cidade nós queremos? Precisamos trocar PIB produto interno bruto por FIB Felicidade Interna Bruta.
Nesse momento de crise se faz necessário repensar a vida. Esse vírus veio para provocar um sabático global, temos que parar para pensar... E isso deveria ser feito sem a pressão de um micro organismo, deveríamos preparar o planeta para poder parar de tempos em tempos para repensar o modelo e melhorar o padrão usando toda a inteligência humana para manter a longevidade planetária em sintonia com o ecossistema.

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