Quarta, 26 Janeiro 2022

Lagoa do Cambará pede socorro e populares apontam obra incompleta de desassoreamento

Muitos moradores da região do bairro Country Club, se juntaram para demonstrar tristeza e indignação com a situação da Lagoa do Cambará nos últimos dias, local que um dia já foi abundante em água, hoje sofre as consequências da seca e o descaso do homem.

A Lagoa que está quase secando, também era o lar de algumas espécies de animais, que atualmente mal aparecem. Representantes do bairro e ativistas pela causa ambiental, relataram que parte da situação crítica da Cambará, se deu por conta de uma obra de desassoreamento que foi realizada em 2019, que segundo os populares, foi mal feita e incompleta, prejudicando o local, somando-se a atual crise hídrica da cidade. "Isso se estende há muitos anos e neste ano em particular está muito difícil, porque a gente tá vendo a lagoa morrer realmente. Houve uma obra aqui em 2019, teve um desassoreamento, e essa obra não foi concluída e foi bloqueada as entradas de água dessa lagoa, e não está tendo recarga de água de chuva para renovar o nível da lagoa", explica Carla Nicolau. Outro popular pede um posicionamento direto dos responsáveis pela obra de 2019, que estariam acabando com a lagoa.

Também há reclamações sobre a própria população, que estaria usando a parte seca da lagoa para descarte irregular de lixo e entulho, lembrando que Valinhos possui instalado dois Ecopontos que fazem a recepção desses materiais, Ecoponto Municipal Ortizes e o Ecoponto Municipal Santa Gertrudes. Sem contar a terra e as pedras das ruas que escorrem com a chuva, levando mais sujeira para dentro.

"É muito frustrante, faz anos que a população pede alguma atitude, é um descaso, com a população e com a natureza. O que tá acontecendo é que ao redor da Lagoa, existem poços do DAEV, que por conta da crise hídrica estão retirando água, excessivamente, o lençol freático dessa lagoa rebaixou, as nascentes que existiam não afloram mais, são 5 poços ao redor, e acontece que não tem recarga de água pela chuva, porque foi prometido canaleta e caixas de retenção, mas pararam a obra e não fizeram isso, eles inclusive fizeram o nivelamento e aumentaram a borda da lagoa", continua Carla. Isto é, sem estrutura, com as entradas bloqueadas e sem as canaletas e caixas de retenção, não há como a lagoa se recuperar com água limpa.

Os moradores apelam diretamente para a Prefeita Lucimara, convidando-a até o local, para reconhecer a situação junto a população do Country Club e realizar o restante da obra, porque segundo os representantes do bairro, é necessário utilizar água que virá em período de chuva para poder resgatar a lagoa em toda sua potência.

Maria Nézia, que já foi presidente da associação do bairro, complementa dizendo que essa situação vem desde 2013, porém com a obra incompleta de desassoreamento piorou a condição da lagoa e reforça o pedido de canaletas e caixas de retenção, "Por favor Prefeita Lucimara, olhe para nossa lagoa, isso é um crime ambiental e não podemos permitir isso. É uma obra barata para realizar essas caixas, por favor venha aqui dar uma olhada".

Procuramos a Prefeitura de Valinhos através da assessoria, e até o fechamento desta reportagem não emitiu nenhuma nota sobre a situação.

Perguntamos ao DAEV, sobre as questões técnicas e de como funciona o sistema de poços no bairro Country Club, "Em relação aos poços, o Country Club tem como forma de abastecimento público os chamados sistemas isolados, que são integrados por poços profundos e que funcionam com a retirada de água dentro do volume outorgado. Contudo, vale salientar que por conta da severa estiagem que vivenciamos mesmo essa operação tem se dado bem abaixo da vazão outorgada, pois a disponibilidade no lençol freático diminuiu consideravelmente.

Esses poços existentes no local são direcionados ao abastecimento público, ou seja, para o fornecimento de água para os próprios moradores. Funcionam dentro das regras de operação do segmento, funcionando em esquema de revezamento e obedecendo as outorgas do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). Também é importante salientar que na mesma localidade há poços particulares, incluindo caipiras. Ainda vale salientar que o lago existente na localidade tem diminuta recarga e que esse fator - somado à falta de chuvas e a baixíssima disponibilidade hídrica durante o período de estiagem, juntamente à natural evaporação - causa a baixa de nível. A situação, inclusive, não é só vivenciada nesta lagoa, mas em outras no município.

Na época do desassoreamento, concluído os trabalhos no local, foram levantados taludes justamente para não comprometer o serviço efetuado na lagoa, até que fossem executadas as estruturas das ruas e canaletas", concluiu a assessoria do DAEV. Continuaremos a acompanhar o caso de perto para que a lagoa possa em breve reviver. 

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