Terça, 18 Janeiro 2022

O comércio não é o culpado, afirma Emerson Ferrari

"Ontem apenas no percurso Casa -Trabalho (20 minutos) contei 32 pessoas SEM máscara e isso não era no comércio! " - Foto Divulgação

Como a ACIV associação de comércio reagiu com à decisão do governo paulista adotar a fase Vermelha?

Nossa entidade deixou clara a sua posição contrária à decisão do governo do estado, no grupo Força Valinhos, assim como reiteramos a mesma posição, referente a antecipação sugerida pelo governo municipal na reunião do comitê gestor realizada na tarde da Quarta-Feira (03/03). Após a confirmação da antecipação, já na sexta-feira (04/03) protocolamos um ofício, que está disponível nas nossas mídias sociais, registrando mais uma vez a posição da entidade de que o comércio não é o culpado pelo aumento dos casos, inclusive solicitando ações que entendemos como necessárias para barrar a proliferação da doença.

A associação prevê perda média de que valor durante esta fase?

Não temos material humano para desenvolver um estudo preciso sobre os valores, mas essa ação foi bastante prejudicial, pois a imposição aconteceu no início do mês, exatamente no primeiro final de semana após o 5º dia útil. Poderíamos falar de perdas médias reais entre 40% a 50% da receita, mas na verdade sabemos que dependendo do segmento e no período que foram aplicadas, as perdas podem ultrapassar 70% do faturamento, ou até mais. Agora com a fase emergencial, que irá até o final do mês, teremos muitos empreendimentos praticamente sem faturamento, mas com todas as suas obrigações para serem pagas.

Qual a perspectiva dos associados para manter os negócios abertos?

A cada dia que passa, a situação fica mais crítica, após um ano de crise sanitária, sem contrapartidas, sem patrimônio ou reservas para auxiliar, sem linhas de crédito viáveis, até mesmo os resilientes empreendedores brasileiros, consideram finalizar as suas atividades, e é esse feedback que temos praticamente todos os dias.

A medida entrou em vigor na última sexta-feira (5) em Valinhos, e vale até dia 19 de março. Como a ACIV avalia este cenário?

Entendemos o cenário, não minimizamos o impacto da doença, certamente neste momento, dificilmente alguém não teve um membro da família assolado por esse mal. Todos os dias recebemos uma notícia de um conhecido, amigo ou parente que se foi, são dias de muita tristeza. Mas o fato é que, o comércio atende às medidas sanitárias, e por 2 semanas inicialmente e agora para todo o mês de março, estarão tirando colaboradores de ambientes controlados, onde utilizam a máscara, álcool gel e distanciamento, por locais potencialmente sem as devidas medidas sanitárias. Acompanhando as atividades da cidade, e as notícias, fica evidente o aumento de eventos sociais. Reitero que somos solidários com todas as pessoas e famílias que estão sofrendo com essa horrível doença, e é por este motivo que entendemos que as ações deveriam ser realizadas onde efetivamente ocorre a disseminação da doença.

Como a ACIV analisa aumento do ICMS do setor e dos insumos essências durante este período?

Em uma pesquisa realizada a poucos anos mostrava que a carga tributária brasileira representava 32,3% do PIB e este percentual era inferior apenas a Espanha (33,7%) e a Polônia (33,9%). Estamos chegando no meio do 3º mês do ano, e segundo o Impostômetro o Brasil arrecadou mais de R$527 BILHÕES de reais em impostos, mesmo durante uma crise sanitária que completou um ano, o mesmo período anterior (sem crise sanitária) ele arrecadou R$425 Bilhões (Quase 100 bilhões de diferença). Falar de aumento de tributos no Brasil já é um ABSURDO, e nada justifica o aumento de impostos em plena pandemia. O Governo impõe um sacrifício aos empreendedores, que cortam na carne e reduzem pro labore, qualidade de vida, num cenário que acompanha preocupações a cada minuto, não vemos a mesma postura, o mesmo sacrifício do poder público (em todas as esferas), em reduzir a máquina pública, cortar gastos, e tantos outros benefícios.

O comércio formal não é responsável pela proliferação do novo coronavírus. Como a associação vem operando para salvar o comércio de Valinhos?

O comércio não é o culpado pela proliferação da doença. Agora, precisamos entender que as prerrogativas estão com o poder público municipal e estadual, garantidas pelo ministério público. Em nosso ofício, pedimos que os governos ofereçam contrapartidas às empresas, a revogação imediata do aumento do ICMS, além da suspensão dos impostos estaduais e municipais durante os próximos meses, com posterior parcelamento e carência. Enquanto a ACIV mantém interlocução com o poder público municipal, nossa federação, a Facesp, trabalha no âmbito estadual. Mantemos contato com os secretários e a Prefeita, tentando viabilizar o que é possível dentro das normas e dos decretos estadual e municipal, principalmente na orientação de nossos associados e também para os munícipes, compartilhamos informações com o poder público, que possam viabilizar um melhor cenário.

A ACIV acredita que a flexibilização das regras no município é o ponto crucial para conter o Covid-19?

Ontem apenas no percurso Casa / Trabalho (20 minutos) contei 32 pessoas SEM máscara e isso não era no comércio! Ações complementares, por nós entendidas como necessárias, precisam ser realizadas ou intensificadas, uma vez que o fechamento do comércio não contribuirá para a redução dos casos de covid-19.

Portanto Solicitamos:

Fechamento das áreas de recreação e socialização públicas, como CLT, playgrounds, academia ao ar livre e espaços de potencial aglomeração em praças e afins.

Intensificação da presença da GCM nestes locais, não apenas no horário noturno, mas no equivalente ao horário comercial, com a potencial migração com o fechamento do comércio.

Intensificação das penalizações para quem não estiver utilizando máscara e respeitando o distanciamento, inclusive nas regiões residenciais afastadas da área central.

Aumentar o investimento em todas as mídias municipais, ampliando a divulgação não só das regras sanitárias como o ideal código de conduta para os munícipes, assim como, estimular as denúncias pelo 153, das festas clandestinas e demais atos irresponsáveis que contribuem com a proliferação da doença.

Aumentar o número de ônibus nos horários de pico, minimizando as aglomerações.

Qual o reflexo de mais de um ano da pandemia junto ao comércio de Valinhos? Existem dados estatísticos?

O auxílio emergencial minimizou o impacto do alto desemprego, mas com o seu fim, a reação negativa para o comércio que já sofria o pior cenário dos últimos anos foi imediata. Mesmo no novo formato proposto, sem o retorno do pleno emprego, viveremos os nossos piores momentos, agravado pelas restrições impostas pelo governo. Não temos estatísticas sobre o total de empresas que finalizaram as suas operações, mas desde o início da pandemia foram dezenas, após o primeiro período da fase vermelha no ano passado, em algumas ruas da região central passaram de 30. O cenário atual não é nada bom!

Quais as orientações da ACIV aos comerciantes para o cumprimento das determinações restritivas?

A ACIV, é uma entidade representativa, legalista e que não irá estimular a desobediência civil, iremos como sempre, como fizemos em nossos 48 anos de existência, orientar os comerciantes a cumprir as determinações do poder público, para não sofrerem sanções ainda maiores nesse momento crítico.

O comércio que for flagrado desrespeitando a nova normativa será multado. A associação pode informar os valores de multa, e dizer se concorda com tal medida punitiva?

Recomendo a leitura na íntegra dos decretos Nº 10.744 (Boletim 2082) e Nº 10.745 (Boletim 2083). O decreto 10.744 determina "Penalidades de multa de 01 (uma) Unidade Fiscal do Município de Valinhos, no valor de R$186,58 (cento e oitenta e seis reais e cinquenta e oito centavos), será aplicada ao estabelecimento para cada usuário/funcionário/colaborador existente no interior do estabelecimento no momento da fiscalização e que não estiver utilizando a máscara cobrindo corretamente nariz e boca".O decreto 10.745 determina "Art. 3º O não cumprimento de quaisquer das medidas estabelecidas no art. 1º (Fase Vermelha do "Plano São Paulo") deste Decreto caracterizar-se-á como infração à legislação municipal e sujeitará o infrator à multa de 25 (vinte e cinco) Unidade Fiscal do Município de Valinhos, no valor de R$ 4.664,50 (quatro mil, seiscentos e sessenta e quatro reais e cinquenta centavos), cujo valor será dobrado em caso de reincidência, sem prejuízo de outras sanções." e "Art. 6º O não cumprimento das medidas estabelecidas neste Decreto será caracterizado como infração à legislação municipal e sujeitará o infrator às penalidades como advertência, multas, interdições ou suspensão da licença e/ou alvará de funcionamento, sem prejuízo das demais sanções cabíveis." Não concordo com a paralisação das atividades comerciais, e fiz um pedido a prefeita que priorize a orientação, pois vivemos um momento de desespero, que antes de sanções que seja priorizado o diálogo.

Deixe uma mensagem para os comerciantes e empreendedores de Valinhos.

É hora de diálogo, de união. Precisamos debater soluções e apontar caminhos.

O debate de soluções precisa contar com a presença das autoridades locais. Continuaremos a apoiar os empresários com informações e sugestões, orientando e incentivando sobre a importância dos protocolos sanitários, tais como o uso de máscara, distanciamento social, álcool em gel e constante higienização das mãos e combater as aglomerações.

O enfrentamento da pandemia é responsabilidade de todos nós e não podemos nos eximir deste compromisso. Buscamos o caminho do desenvolvimento e justiça social, e com a colaboração de todos, acreditamos que Valinhos superará a pandemia.

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Comentários: 1

Carlos Ferrari em Sábado, 13 Março 2021 13:39

Interessante!
Por que o salário dos políticos não entra também na fase vermelha?
Vergonha, não estão preocupados com a população não, e quem mais paga o preço da incompetência pública somos nós. Cambada de inúteis!
Cadê o dinheiro recebido do governo federal?
Governadores de estado e prefeituras cada vez mais cheios de dinheiro, haja vista os quase 8 bilhões de superávit primário do "Sr." Dória. Hipócritacrita!
Precisamos fazer alguma coisa urgente!

Interessante! Por que o salário dos políticos não entra também na fase vermelha? Vergonha, não estão preocupados com a população não, e quem mais paga o preço da incompetência pública somos nós. Cambada de inúteis! Cadê o dinheiro recebido do governo federal? Governadores de estado e prefeituras cada vez mais cheios de dinheiro, haja vista os quase 8 bilhões de superávit primário do "Sr." Dória. Hipócritacrita! Precisamos fazer alguma coisa urgente!
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