Domingo, 20 Junho 2021

Professora, Ana Elisa, fala sobre a importância da Língua Portuguesa

Professora de Português, Ana Elisa

Em tempos de ensino a distância, e pandemia, temos que nos atentar e valorizar o aprendizado, principalmente pelo trabalho dos profissionais da rede pública de ensino. O Dia da Língua Portuguesa é comemorado anualmente em 10 de junho. A data foi instituída pelo órgão legislativo do Estado Português no ano de 1981. A data foi escolhida como uma homenagem a Luís de Camões, que faleceu em 10 de junho de 1579, e é considerado uma das maiores figuras da literatura de língua portuguesa e um dos grandes poetas da tradição ocidental.

Para celebrarmos a data, entrevistamos Ana Elisa Jacob, professora de Língua Portuguesa dos anos finais do Ensino Fundamental na Rede Municipal de Valinhos, Graduada em Letras (Língua Portuguesa) pela Universidade São Francisco, Mestra em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUCSP (bolsista CNPq) e Doutora em Educação pela Universidade São Francisco com estágio doutoral na Université de Sherbrooke – Canadá (Bolsista CAPES).

Há quanto tempo leciona Língua Portuguesa e por que decidiu por essa especialidade no mundo pedagógico?

Eu escolhi cursar Letras, no ano de 2006, pois estudar a linguagem em um sentido mais amplo, em outros termos, as possibilidades que o domínio dos usos dela me proporcionava sempre me encantava, fosse essa linguagem expressa pela escrita, pela oralidade e, até mesmo, pela dança. Comecei a lecionar um ano após meu ingresso na faculdade, em 2007, com dezenove anos de idade, como estagiária em escolas estaduais e privadas das cidades de Vinhedo e Valinhos.

Na sua visão de profissional, qual a importância de nossas crianças e adolescentes aprenderem a Língua Portuguesa?

Desde quando aprendemos a falar, aprendemos a Língua Portuguesa, nossa língua materna. É através dela que somos capazes de interagir com outras pessoas em diferentes contextos comunicativos. Na escola, ensinamos práticas comunicativas mais formais ou mais difíceis de serem aprendidas sem um ensino intencional e sistematizado. A importância disso está em proporcionarmos aos alunos, crianças e adolescentes, condições didáticas para que eles se apropriem dessas práticas de modo a serem capazes de dominá-las e, assim, poderem participar de diferentes contextos. Em síntese, ensinar Língua Portuguesa nessa perspectiva é o mesmo que viabilizar aos alunos o acesso, a permanência e a transformação dos contextos comunicativos de que fazem parte e dos quais venham, um dia, a fazer.

Em sua experiência, os alunos têm preferência pela matéria? Gostam?

Do meu ponto de vista, o engajamento dos alunos tem a ver com o modo como os conhecimentos são eleitos e propostos para ensino, independentemente, da disciplina. Por exemplo: convidá-los a participar da seleção dos temas a serem trabalhados ao longo do ano, dos gêneros textuais a serem ensinados, da dinâmica do ensino ajuda bastante. Geralmente, tais estratégias têm demonstrado resultados positivos em minhas experiências.

Qual maior dificuldade do professor em transmitir a matéria de língua portuguesa?

Minhas experiências profissionais e de pesquisa têm me mostrado que as dificuldades do professor estão relacionadas à sua formação e às condições de trabalho. O trabalho de ensino exige formação e estudo constantes e isso, consequentemente, proporciona ao professor mais confiança em ensinar um conhecimento ou outro. Esse seria um cenário ideal se os professores não precisassem assumir muitas aulas, em diferentes períodos do dia para garantirem a própria subsistência e a de sua família. Falo por experiência própria. Retomando a pergunta, ensinar um aluno a ler e a interpretar textos não exclui o ensino da gramática. Ao contrário. Se o aluno domina a gramática de sua língua, ele, certamente, terá uma interpretação mais eficaz, mais consciente e crítica.

Em momentos de pandemia, quais os principais obstáculos do professor em passar a matéria, no ensino a distância, por exemplo?

Tendo em vista meu contexto de atuação – ensino público –, acredito que o maior obstáculo é o acesso à educação. A maior parte dos alunos ainda não tem acesso, não tem equipamentos adequados (computador, tablet etc), nem internet de qualidade. Consequentemente, poucos conseguem acompanhar e aprender. O professor, por seu turno, precisa dispor de seus próprios recursos para trabalhar: ele quem precisa elaborar as atividades, o que o distingue do ensino em escolas privadas, onde os docentes contam com apostilas e materiais já prontos; o poder público não disponibiliza materiais básicos, como folha de sulfite e cotas de impressão, por exemplo; o professor não tem formação suficiente para atuar em um ensino à distância; ele utiliza seu próprio computador e a própria internet sem nenhuma ajuda de custo e assim por diante. O cenário atual, podemos dizer, está acentuando, ainda mais, o abismo das desigualdades sociais.

Uma mensagem para os colegas professores de língua portuguesa?

Eu diria a meus colegas que o trabalho que eles desempenham é muito importante, que não esmoreçam e que busquem, sempre, se fortalecer com seu coletivo. Através do compartilhamento de experiências, dos sucessos e das frustrações, conhecimentos de diferentes ordens (conceituais, relacionais, didáticos etc) podem ser desenvolvidos. Dessa forma, o professor pode desenvolver o seu poder de ação e reconhecer-se como o verdadeiro profissional do ensino e especialista de seu próprio trabalho.

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