Quinta, 20 Janeiro 2022

Terreiros de umbanda são atacados na região de Campinas por intolerância religiosa

Nos últimos meses, três terreiros de umbanda foram atacados por criminosos, que invadiram os locais e destruíram diversas imagens e artigos religiosos, em Sumaré, região de Campinas. O clima que deveria ser de abrigo e elevação espiritual mudou para medo e aflição. Alguns frequentadores relatam que se sentem intimidados e pedem ajuda aos políticos locais. Uma representação foi protocolada junto ao Ministério Público (MP).

A primeira ocorrência foi registrada na madrugada do dia 11 de setembro, no Terreiro Oxalá e Iemanjá, no Jd. Bela Vista. Estouraram o portão e vandalizaram todo o espaço, quebraram os objetos utilizados nos rituais religiosos, rasgando as roupas de santo e ainda tirando o relógio medidor de energia do poste. Tudo ficou espalhado pelo imóvel.

No dia 7 de outubro, na casa espiritual Pai João da Guiné, aconteceu o segundo ataque, no Jardim Picerno, no período da manhã. Várias imagens de santos católicos foram destruídas e atabaques, rasgados. O último ataque ocorreu há alguns dias, em novembro, no terreiro de uma mãe de santo que não revela o local e data do acontecido por medo das consequências e preconceitos, porém registrou ocorrência na Polícia. Alguns centros e terreiros de Sumaré alegaram que estão sendo vigiados por um veículo (modelo Corsa), inserindo o clima de medo a todos que ali frequentam. A Associação de Religiosos das Comunidades Tradicionais de Matriz Africana de Campinas e Região (Armac) fez uma representação no Ministério Público (MP) relatando os ataques.

"A parte mais importante é incentivar as pessoas a denunciarem os ataques, essas denúncias são importantes e não são nem 5% dos ocorridos, as pessoas têm medo de ir à delegacia e medo de represálias. Temos órgãos que são responsáveis em expor essas ações, mas não podemos ficar calados, é muito importante denunciar", comenta o diretor-executivo da Armac e dirigente espiritual, João Carlos Galerani.

Em Valinhos, o mandato DiverCidade, representado pelo vereador Marcelo Yoshida (PT), propôs o Projeto de Lei que declara os cultos e liturgias das religiões de matriz africana como patrimônios culturais imateriais do Município de Valinhos. O PL está em trâmite na Câmara atualmente.

Caso o projeto seja aprovado e, posteriormente sancionado pela prefeita Lucimara, ficariam declarados os cultos e liturgias das religiões de matriz africana (Umbanda, Batuque, Babaçuê, Candomblé Jeje, Candomblé Ketu, Tambor de mina, Xangô, Cabula, Candomblé Bantu ou Angola, Candomblé de Caboclo, Catimbó, Pajelança, Toré, Xambá, Culto aos Egunguns, Encantaria, Jurema de Terreiro, Jurema Sagrada, Quimbanda, Quiumbanda, Omolkô, Terecô, entre outras) como patrimônios culturais imateriais do Município de Valinhos.

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