Sexta, 30 Outubro 2020

Unicamp identifica fadiga e ansiedade como sequelas em pacientes curados da Covid-19

Vista aérea do campus da Unicamp, em Campinas — Foto: Antonio Scarpinetti

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificou sintomas de fadiga e ansiedade como sequelas de pessoas curadas do novo coronavírus. De acordo com a instituição, os sintomas começaram a ser notados há um mês, através de visitas feitas por equipes de unidades de Atenção Primária em Saúde (APS) aos pacientes com alta médica.

Segundo a prefeitura, na Rede Municipal de Saúde, "um pequeno número de pacientes" já busca assistência para os sintomas sentidos após a cura da doença e há a expectativa de que a demanda aumente.

De acordo com o docente do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, Rubens Bedrikow, há pacientes que relatam que sentem os sintomas de sequelas até um mês após a cura da Covid-19.

"São pessoas com cansaço intenso, dores nas pernas e quadris - sintomas que não tinham antes da doença. [...] Em outros casos, ouvi relatos de insônia e pavor de morrer, que podem ser associados à ansiedade, porque existe uma sequela psíquica na pessoa que ficou em internação prolongada e isolada, em solidão, sabendo de pessoas morrendo nas enfermarias. [...] O paciente sai de alta e parece que está tudo resolvido, mas não está", diz.

O docente explica que os sintomas relatados pelos pacientes às equipes da Atenção Primária estão ligados, até o momento, a sequelas que incidem no coração, nos pulmões e nos rins.

Perfil e desafios

Bedrikow pontua que ainda não é possível precisar a faixa etária mais acometida por estas sequelas, mas há casos de pessoas com idades entre 40 e 50 anos, de ambos os gêneros. A permanência ou reversão dos sintomas tende a variar de caso para caso, mas também ainda não existem estudos que permitam definir o comportamento.

"É tudo muito novo, não dá para entender a situação como tudo ou nada. Se eu tenho um paciente com uma sequela pulmonar, ele pode melhorar bastante, mas eu não posso prometer que ele vai voltar a ter o condicionamento que tinha antes. [...] O mais importante é que as pessoas tenham acesso a tratamentos. Serviços de reabilitação pulmonar, psicológicos, entre outros", reforça.

De acordo com o professor, as dificuldades encontradas pelas equipes para tratar os pacientes que têm apresentado sequelas do coronavírus são três: o reconhecimento, por parte da administração municipal, de que a situação existe, a capacitação dos profissionais e a formação de equipes multidisciplinares.

"É preciso reconhecer que os cuidados não se encerram quando o paciente que teve Covid-19 sai do hospital. Também é preciso capacitar os profissionais nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), porque eles receberão uma demanda extra. E formar equipes com diversos agentes da saúde, porque os cuidados não envolvem apenas médicos", explica.

Fonte:G1/Campinas

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